Sim enxutos, depois de um longo e tenebroso inverno, eis aqui de volta. O calor me fez sair de minha longa hibernação, o dinheiro do BdE acabou e agora sou obrigado a escrever para esse blog que só cai de conceito. Felizmente a querida Editora Aleph sofre de um severo caso de demência e continua nos presenteando com a nata da literatura fantástica (é brincadeira Steph, não encerra nossa parceria S2S2S2). Pois bem, sem mais mimimi, hoje lhes trago a resenha de um livro para lá de especial: Pedra no Céu, a publicação de estreia de um dos, quiçá O mais importante escritor de ficção científica de todos os tempos: Isaac Asimov.

Porém, antes de começar a mimimizar sobre o livro, deixa eu contar para vocês um pouco de história. Asimov foi convidado por Sam Merwin Jr, editor da Startling Stories, uma revista de histórias pulps e ficção, para escrever um conto de 40 mil palavras para a publicação e assim, no verão de 1947, nasceu Grow Old With Me. Entretanto a história foi rejeitada tanto pela publicação (por ser uma ficção hardcore e a Startling costumeiramente publicava aventura) quanto por John W. Campbell, editor usual de Asimov. Mas o mundo da voltas quiridinha e em 1949 o editor Walter I. Bradbury da Doubleday aceitou publicar o conto, desde que o autor alterasse o título e o transformasse em um romance de 70 mil palavras. E assim nasceu Pebble In The Sky, publicado originalmente em janeiro de 1950.

Pois bem, 66 anos depois, a Editora Aleph coloca no mercado uma nova versão da publicação, com nova capa e o cuidado ímpar de nossa parceira. E finalmente, vamos ao que interessa:p_20160819_144452

Qualquer planeta é a Terra para aqueles que nele vivem. O alfaiate aposentado Joseph Schwartz desfrutava de uma pacífica caminhada de verão quando, devido a um acidente em um laboratório na mesma cidade, foi involuntariamente transportado milhares de anos para o futuro. Chega então a uma Terra marginal e abandonada, cuja superfície é quase toda inabitável, e que fica às margens de um grandioso Império. Publicado pela primeira vez em 1950, Pedra no Céu foi o romance de estreia de Isaac Asimov e é um marco do que se tornaria o Império de sua mais famosa obra, Fundação. Complemento fundamental às outras histórias do autor, este romance também serve como porta de entrada para apresentar o leitor ao universo de Asimov.

Em uma bela manhã de sol, Joseph Climber desfrutava dos carinhos de sua pequena Amy quando… Não, péra. História errada. Em um prosaico dia de verão em 1949, o alfaiate aposentado Joseph Schwartz caminhava por uma conhecida Chicago quando, na velocidade de um piscar de olhos, é levado milhares de anos para o futuro. Nessa nova realidade, Schwartz encontra um planeta quase tomado pela radioatividade e, mais surpreendentemente,  descobre que a Terra é marginalizada dentro de um imenso império galáctico.  Não obstante, o pobre alfaiate descobre que uma rebelião arquitetada pelos humanos que colocará em risco toda a vida na galáxia está preste a acontecer.

Leitores queridos que só sabem de Marvel e DC, esse foi o meu primeiro contato com uma obra d’O Bom Doutor e já lhes digo sem churumelas que é um excelente livro. A narrativa do autor é extremamente envolvente e cheia de reviravoltas. Asimov consegue construir uma ficção / drama político complexo e cheio de personagens muito bem contextualizados sem perder o norte nem sair do rumo. Detalhes aparentemente sem conexão com nada na história são “pescados” capítulos depois e dão um ar muito mais grandioso à trama já megalomaníaca. Todos os personagens são bem construídos  e tem um porque na história, por mais aleatórios que aparentam em um primeiro contato. Os diálogos são outro ponto que contam muita a favor do autor.

Portrait of the american biochemist and writer Isaac Asimov. USA, 1970s (Photo by Mondadori Portfolio via Getty Images)

Só há um pequeno porém nesse mar de rosas todo. Desde a primeira página do livro, a narrativa é muito envolvente. Mesmo quando a história dá uma esfriada, o assunto ainda é muito interessante e é difícil largar a leitura. Tudo isso leva a um ápice na trama que é de segurar o fôlego tamanha apreensão mas a resolução de tudo dá-se de uma forma tão trivial, tão banal que chega a ser decepcionante. A “sorte” é que isso acontece já nas últimas páginas da publicação mas mesmo assim, é impossível não se entristecer pela conclusão simplória criada pelo autor. E, em conversa com Mamãe Sorg que terminou Os Próprios Deuses do mesmo autor um pouco antes da minha leitura de Pedra no Céu, ela destacou o mesmo problema na narrativa da publicação de 1972: a história vai por um caminho extremamente envolvente que culmina em um HOLY FUCKING SHIT mas se resolve de uma forma absurdamente nhé.  Ainda assim, eu recomendo dicunforça e bagaraio a leitura.

Já na edição da Aleph, só High Fives e corações para a editora. Para quem chegou agora, no ano passado quando o BdE começou a receber as publicações para resenhas, havia uma quantidade gritante de erros estúpidos de revisão, tradução e outras coisinhas mais que faziam feio para nossa parceira. Mas a Aleph manteve a cabeça aberta para todas as críticas e nada mais é detectado nas leituras. Tradução, revisão, o projeto editorial todo está chuchu beleza e em Pedra no Céu eu destaco ainda a excelente capa do competentíssimo Pedro Inoue.pedra-no-ceu

Pedra no Céu (Pebble In The Sky) de Isaac Asimov, 2016, 1° edição, brochura, 14X21cm, 312 páginas, R$42,90

  • Fernando

    A Aleph quer nos deixar mais ricos de cultura e mais pobres de bolso…

  • Robin Hood

    Grande Asimov, já lia todas as suas obras desde quando era adolescente, graças às versões portuguesas que tinha na biblioteca da minha cidade. Aliás, a minha sede por leitura, somada à minha absoluta incapacidade de arrumar uma namorada, me fizeram ler pelo menos uns 100 livros de ficção em apenas um ano.
    Mas por incrível que pareça, não me lembro de ter lido essa obra do Zazá. Como o vendido Sorg (que gastou toda a grana que ganhou deixando o BdE pros chineses de mão beijada com as primas da casa da Luz vermelha) já indicou outras obras que valeram a pena, vou tentar colocar mais essa pra minha coleção.

    • Cara, apesar do final, o livro é bonzão. Agora quero ler a famosa trilogia do Império e um de conto.

  • Anubis_Necromancer

    Eu até postaria um mini-conto agora, mas o anuncio do NX me tira todo o foco nesse momento^^

  • Maneira a resenha, Sorg… parece interessante o livro heim?

  • Frogwalken

    Apenas informando que meu Troopers da Morte está pra chegar hoje, se os CUrreios não fizerem cagada! Agradeço a indicação anterior, Sorg! =D

  • Anubis_Necromancer

    Grande Asimov, antes mesmo de seus escravos metalicos^^

    Seriam os Deuses Escritores de Ficção?

    • Frogwalken

      Homem: CARA, VOCÊ QUEBROU O MEU BRAÇO! VOCÊ DEVIA SEGUIR AS LEIS DA ROBÓTICA, SEU PUTO!

      Robô: LEIS DA ROBÓTICA MEU ÂNUS METÁLICO! AQUI É BALA JUQUINHA, PORRA!

      Homem: Meu Deus, um robô usuário de TÓCHICOS! FUDEU!!!

  • O_Comentarista

    “Mãe, no céu tem pão?
    Não, tem pedra!
    E morreu”