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Esta hq não foi eleita, mas o ‘herói’ é hours concours aqui no Baile. E após ter visto o spoiler divulgado recentemente nós somos obrigados a prestar este serviço de utilidade pública. Clica aê e sofra conosco com a Resenha Enxuta: Superior Spider-Man Annual #1

capa

Salve, salve cambada de Enxutos! Mais do que provável que você leitor destas mal digitadas linhas sabe do que aconteceu na famigerada Amazing Spider-Man #700, então irei lhe poupar de detalhes sórdidos. Rapidamente, para aqueles que não sabem, ou não se importam, Otto Octavius estava fadado a morrer. Entretanto, usou um último truque e sua jogada de mestre: trocou sua mente com Peter Parker. Parker morre. E Oquinho, ao ver algumas das memórias do Amigão da Vizinhança, decide honrar o lema com ‘Grandes Poderes vem Grandes Responsabilidades, mas ao seu jeito peculiar e daí surge o Superior Spider-Man, um herói que usa de todos os meios para fazer justiça. Nem que seja matar um vilão a sangue frio (como fez com o Massacre) ou colocar a cidade sob vigilância, pior do que o Obama faz com o seu email/’feice’. Isso tudo para provar que é ‘superior’ ao Parker e como a vida do verdadeiro herói era um desperdício. Ainda sim, Oquinho não tem dado à devida atenção a vida como Peter Parker, principalmente aos seus mais chegados e é assim que se inicia o plot desta edição (para mais detalhes, veja aqui as resenhas anteriores)…

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Recomendação do Sorg

Sem mais delongas, aos spoilers. A hq começa em um lugar escuro, aparentando ser uma espécie de açougue com alguns ganchos dependurados. Um homem bem vestido abre uma maleta enquanto conversa com um terceiro. O cidadão menciona que trabalhara para o Rei do Crime, mesmo quando este usava os ninjas em Shadowland, afinal havia necessidade de negociar com o ‘pessoal’ de Chicago e os ninjas não eram apropriados. De fato, o homem alega ter informações quentes sobre o Homem Aranha. Afirma que um tal de Peter Parker é o fornecedor de toda a tecnologia que o aracnídeo usa e sabe disto justamente pelo trabalho que realizara junto ao Rei. Com a sua queda, está desempregado e, por isso, aceitou a grana em troca da informação. No entanto, ao começar a contar as cédulas, percebe que há somente um monte de jornal cortado sob as notas de capa. Fora enganado. Das sombras, uma criatura emerge com dentes afiados. Sua voz menciona que a situação está ruim para todos. Sangue jorra e a cena seguinte apresenta o Blackout segurando o corpo do homem, alegando que, em breve, seu nome voltará ser sinônimo de morte…

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Segue o Baile e estamos no apartamento de May Parker, onde ‘Peter’ enche a pança com panquecas. Jay, esposo de May, alerta o rapaz sobre não ser mais jovem e que se permanecer comendo daquele jeito será um homem gordo quando tiver meia idade. Enfim, quando Tia May vai para a cozinha fazer mais algumas panquecas, logo após receber elogios e um beijo de ‘Parker’, os dois homens ficam sozinhos na sala. E aí, Jay aproveita o momento e abre seu coração. Afirma estar feli com o novo rumo e a atenção dada a May, mas preocupado com a associação dele com o Homem Aranha. Por sinal, diz que o Aranha não é mais o mesmo e age de forma mais violenta do que o habitual. ‘Peter’ retruca dizendo que é o ‘Aranha’ mudou sua forma de ver o mundo, principalmente por sempre deixar assassinos vivos para voltarem a cometer crimes. Vai além e afirma que é ‘muito bem pago’ pelas tecnologias fornecidas e que não pode dispor destes recursos. Jay retruca e diz que é importante lembrar o quanto põe seus amugos/familiares em risco, afinal é um alvo ambulante. “Parker”, então, diz que jamais iria permitir que algo de ruim acontecesse com ele ou com a Tia May. Jay fica feliz com a nova atitude e lhe dá um voto de confiança. Quando os dois apertam as mãos de forma fraternal, May adentra o recinto e tira uma foto para guardar de lembrança daquele momento.

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A cena seguinte, Oquinho caminha para o metrô, refletindo sobre os últimos acontecimentos. Mais uma vez volta a ladainha de como Parker tinha uma vida particular deveras enrolada e como era imbecil o suficiente para esconder-se sob uma máscara, mas deixar seus amigos expostos ao deixar sua identidade civil vinculada ao Aranha daquela forma. Neste interim, relembra quando, em priscas eras, tentou casar com a May por causa de uma herança e como isso o envergonha atualmente ao descobrir a quão boa pessoa a velhinha é. Ao entrar no metrô, perdido em pensamentos de que é preciso resolver esta situação da vida civil, não percebe que é observado pelo Blackout,

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Dentro do metrô, Oquinho testa o sinal de seus octo-aranhas-robôs. Mesmo odiando usar o bendito transporte público, Octavius precisa saber se realmente poderá contar com as máquinas mesmo em lugares como aquele. Sem surpresas, o sinal continua chegando e logo um crime é mostrado. Quando Oquinho vai avisar os policiais sobre uma invasão em andamento, percebe que o lance está acontecendo no apartamento da Tia May. Abandona o metrô e parte em disparada de volta…

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No apartamento, Jay tenta enfrentar o vilão, mas este usa seu poder, escurece todo o ambiente a tal ponto que nem mesmo os robôs do Oquinho conseguem ‘ver’ (chega a tentar usar todos os espectros de luz possíveis, sem sucesso) e leva May sem grandes problemas.

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Oquinho chega instantes depois, em roupas civis. Controlando seu ódio contra o velho (inicialmente o culpa por ter deixado o vilão fugir, mas volta ao bom senso rapidamente), Octavius ouve o que aconteceu e recebe as orientações deixadas pelo vilão. Um celular antiquado ficou com Jay e este será o contato que Blackout fará com ‘Parker’. E os tradicionais, sem polícia ou qualquer contato sobre o assunto, caso contrário, May morre. Oquinho, claro, promete que a trará de volta a qualquer custo.

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Já na Ilha Aranha, Oquinho recebe a ligação. Blackout conta seu plano: quer que ‘Peter’ sabote toda a tecnologia do Aranha para facilitar um futuro confronto com o vilão. E as ameaças de sempre, caso não cumpra o acordo. Oquinho fica fulo da vida, destrói o celular após o encerramento da ligação, mas usa toda a sua tecnologia de octo-robos aranhas para triangular a posição do vilão e o acha com alguma facilidade.

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A seguir faz contato com Danny Ketch, aka ex-Motoqueiro Fantasma, para conhecer um pouco mais sobre o inimigo. Ketch diz que tem superforça, regenera e tem uma fraqueza pela luz. Não morre com isso, mas lhe causa dor. Por fim, Ketch dá um conselho ao Oquinho, dizendo saber que não é o seu estilo, mas recomenda mata-lo, pois somente assim evitará que o bendito continue a perseguir os seus familiares e amigos.

Satisfeito com os dados, Oquinho parte ao encalço do vilão. No caminho, ainda especula sobre a possibilidade de pedir auxílio do Dr. Estranho, afinal a criatura é meio demoníaca, mas logo descarta a ideia em virtude de existir uma boa chance do Estranho descobrir sua real identidade. Chega a se censurar por ser egoísta ao ponto de não se por em risco por causa de May, mas logo muda o discurso, culpando Parker por ser tão desleixado com esta parte de sua vida civil. E mais uma vez, volta o mimimi de ser Superior e que vai consertar toda a bagunça da vida dele, blablabla…

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Segue o Baile. Oquinho vai ao esconderijo e não faz questão de esconder os octo-robos, mesmo a despeito das ameaças de que Blackout se os visse, mataria a Tia May. Sem a menor cerimônia, chega de forma violenta, desferindo um chute nas fuças do vilão e o ferindo. Ao se recobrar, Blackout contra-ataca, derruba Oquinho, diz que o avisou e parte para matar May Parker.

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No entanto, os robôs criam um escudo envolta da velhota, salvando-a do ataque. E o pau come solto entre os dois. Usando os ganchos dependurados, Blackout destrói as lentes do ‘superior’ e usa seus poderes para deixar tudo na escuridão. Mesmo com o Sentido Aranha, Oquinho só pressente o perigo e não sabe donde vem, fato este aproveitado muito bem pelo vilão.

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Oquinho fica desacordado e a mercê de Blackout. E aí, quando o bendito vai morder seu pescoço para mata-lo, ‘surpresa’. Octavius usa uma espécie de colar eletrificado que deixa Blackout atordoado e inerte. Oquinho salva uma assustada Tia May, orientando-a a procurar um guarda a alguns quarteirões dali. E aí começa a sessão de horrores.

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Assim que May sai, Oquinho se volta ao vilão e, cuidadosamente, quebra braços e pernas do vilão. O ergue sobre a cabeça e o arremessa sobre os ganchos, fazendo-o ficar dependurado pela carne.

Blackout cospe em seu rosto e o ameaça. Diz que pode regenerar e que Oquinho pouco pode fazer contra ele. Se o matar, ‘seus colegas’ Vingadores irão caçar o Superior por seus crimes. Mas Oquinho é Superior a isso. Tem em mente outros planos. Com um boticão, arranca os dentes e… bem, melhor deixar as imagens. Creio que nem precisa traduzir.

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Fechando. Oquinho ameaça Blackout para que este sirva de exemplo para todos não se aproximarem de Parker, caso contrário fará o mesmo com qualquer um que cruzar o seu caminho. Ainda o tortura uma última vez usando um ‘simulador’ de raios solares. Ao ouvir os gritos de terror, May volta e presencia tudo, fugindo apavorada logo depois.

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A hq termina com dois epílogos. O primeiro,’Parker’ sai de uma floricultura e é esbarrado por um cidadão qualquer. Este, ao perceber a carteira de quem havia furtado, devolve rapidamente e pede perdão pelo ocorrido. Oquinho fica exultante, pois o plano aparentemente funcionou a contenro. O segundo, um capanga duende diz que perdera a fome ao ver o que o Superior fizera ao Blackout, diz ao chefe que o ‘herói’ não está para brincadeira e que ele não é mais o mesmo. Quando pergunta ao patrão o porque de assumir o risco de mexer com as pessoas próximas ao ‘herói’ dada esta reação, a resposta do Duende Verde é direta: simples, isso é a tradição…

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Como habitual, aos rabiscos. O lápis ficou a cargo de Javier Rodriguez e de longe é o ponto alto da hq. Sem inventar muito, fazendo o simples, mas eficiente, dá seu recado de forma clara e direta. Mesmo as cenas mais pesadas, onde poderíamos ter tons mais sombrios, a coisa fluiu bem, sem grandes percalços. Um estilo bacana para uma hq de m…

Bem, escrever o que sobre o enredo de Christos Gage? Lembro a primeira hq que li na vida. Meados dos anos 80, não lembro bem o enredo em detalhes, mas era uma história do Capitão América, enfrentando o Caveira Vermelha, mas com um auxílio especial do Homem Aranha. Desde então, passei a acompanhar aquele herói cujo lema era inspirador. Sempre com um bom humor característico, mesmo que para esconder suas dúvidas e apreensões, Parker/Aranha foi o personagem que me trouxe para o mundo dos quadrinhos. E foi o mesmo que, anos depois, me fez deixar os quadrinhos. Especificamente, a Saga do Clone e sua confusão e miscelânea. Não consegui ler toda a história e desde então havia parado de ler as histórias, voltando década depois, já nos anos 10, motivado pelo falecido Área 171 e culminando agora com o BdE.

Sendo assim, não acompanhei o Pacto com Mephisto ou Guerra Civil, e só posso falar daquilo que li. E posso afirmar categoricamente: esta é a pior fase do Aranha que já vi na vida. Mesmo a Saga do Clone, pois esta foi zoneada e se estendeu mais do que deveria. Aqui não. A coisa é planejada e há todo um desenvolvimento racional, ganhando complexidade, passo a passo sendo dado de forma explicitamente para chocar. Mostrar o quanto é diferente de tudo o que fizeram com o Aranha antes. Violento. Cruel. Egoísta. Os fins justificando os meios, em um estilo mais Frank Castle do que outra coisa. Não é o Aranha que conheço, nem mesmo a maioria dos quadrinhos atuais assim o é. O amigo Enxuto Coruja definiu bem o momento dos quadrinhos como sendo uma válvula de escape para o momento politicamente correto em que o mundo vive, daí esta ‘necessidade’ de existir ISSO. Ou um Superman quebrador de pescoços ou que corta uma pessoa ao meio, como visto na Terra 2 #16.

Lendo/vendo uma destas hqs, pergunto-me se realmente não estou velho para isso. Não é uma história para mim, óbvio, a faixa etária indicativa é explícita. Não sendo seu público-alvo, qualquer análise é mais tendenciosa que o habitual. Tecnicamente, a história é redonda e com bons diálogos, apesar dos clichês e da volta ao lenga lenga sobre ser superior ao Parker. Frisa-se a diferença de abordagem do escritor em relação ao Slott que, por incrível que pareça, é mais sutil nestas diferenças. Provavelmente de forma deliberada, claro.

Enfim, é isso. Não estou revoltado ou triste, apenas indiferente. É o momento dos quadrinhos, fazer o que… não sou o público alvo disso daí mesmo.

Ainda quer nota para ISSO?

E a enquete da semana, non se esqueçm. Sei que é desanimador, mas vamos pesquisar que há poucas exceções que se salvam:


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