Resenha Enxuta: Superman – Entre a Foice e o Martelo

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Superman comunista? VA-GA-BUN-DO…

Salve, salve, cambada de Enxutos e Enxutetes que querem sua bandeira nas cores em vermelho. Com o vazio para leitura atual (aceito sugestões), como está por sair em breve uma animação a respeito, decidi reler Superman: Red Son (ou Entre a Foice e o Martelo) de Mark Millar e trazer minhas reflexões aos nobres bacharéis.

Spoilers de 15 anos? Trabalhamos. Para quem não sabe, ou não se importa, Elseworld é um `selo` da DC que busca apresentar versões alternativas, futuros distópicos ou quaisquer realidades nas quais o autor tem liberdade criativa para imaginar o famoso `o que seria senão fosse`. Nesta linha, Mark Millar com uma série de três capítulos publicados na Terra do Tio Sam por volta de 2003, imaginou um Surpeman diferente que faria alguns brasileiros rasgarem suas calcinhas. Ou não, a depender de sua inclinação ideológica. Ou se analisar o resultado final da HQ. Ou… ou nada, afinal é apenas uma história que não deveria gerar mais discussões acaloradas.

O enredo em si é dividido em três atos em momentos temporais diferentes. O primeiro arco apresenta um mundo diferente do que estamos habituados. A União Soviética apresenta uma vantagem impensável na Guerra Fria quando é revelado o primeiro superser do mundo. alguém vindo de outro planeta que caíra na Ucrânia e se revela como Superman, o herói do trabalhador comum, representando o ideal comunista. Os trumps entram em desespero com a vantagem soviética e a paranoia toma os americanos do norte. O governo, então, apela para a mente mais brilhante do mundo: Lex Luthor. Casado com Lois Lane, Luthor bola um plano para conseguir criar um clone de Superman, mesmo que isso faça com que seu casamento fique em segundo lugar. Clone criado, a criatura Bizarro é colocada em prova, mas sai tudo ao contrário do planejado. Ao invés do mundo se juntar aos trumps, a maior parte fica ao lado de Superman quando a luta com Bizarro mata centenas em Londres.

O segundo ato apresenta o desenvolvimento de Superman como líder da União Soviética anos depois. Com o assassinato de Stalin na primeira edição e a relutância do herói em assumir o posto dirimir, os soviéticos atingem níveis de desenvolvimento jamais vistos, trazendo mais povos para o lado comunista da força. Entretanto, muitos consideram a tutela do Superman opressiva, deixando as liberdades individuais e a livre escolha em segundo plano. Neste contexto, Batman (que é soviético e seus pais foram assassinados por complô contra o sistema) com ajuda de Luthor e de um filho bastardo de Stalin, executa um plano para aprisionar o filho de Kripton usando uma simulação de luz de um sol vermelho. O plano vai bem e quase tem sucesso, salvo a intervenção da Mulher Maravilha, até então aliada de Superman. Batman, com o fracasso, se suicida e revela quem traiu o líder comunista.

Por fim, o terceiro ato apresenta o mundo com um avanço jamais visto. Não há fome. Não há guerra. Todos trabalham. Apenas os trumps estão no caos e isolados. Apesar de ser instigado por Brainiac, agora um aliado reprogramado, Superman reluta em atacar os EUA, sob o pretexto que a revolução viria pacificamente, sem derramamento de sangue. Entretanto, Luthor tem planos diferentes e se lança como presidente, recuperando a economia dos americanos do norte em tempo recorde. Usando a Zona Fantasma, consegue criar um exército de Lanternas Verdes com uma antiga nave que estivera sob custódia do governo em Roswell. Por intermédio de Lois Lane, consegue apoio de Diana, devastada e se sentindo traída por Superman ao ser `obrigada` a romper o Laço para escapar do Batman na edição anterior, sem o menor comentário de apoio do ex-aliado ou preocupação com o efeito disso na psique da Amazona.

Finalmente o plano dá certo, mas talvez não da forma como Lex esperava, resultando em um final de história para lá de alternativa e intrigante…

Chega de spoilers e comecemos as análises pelos rabiscos, a la Jack. O lápis ficou por conta de Dave Johnson e Kilian Plunkett, com tinta de Andrew Robinson e Walden Wong. Em alguns momentos emulando o traço clássico do Superman queixudo e olhos cerrados das animações da década de 40, apesar de algumas feições não me agradarem muito, confesso que o jogo de cores e o conjunto geral da obra me agradaram na época e ainda hoje. Tem fluidez e detalhes na medida adequada, trazendo os `momentos` temporais de forma interessante, considerando que a passagem de tempo vai para mais de 50 anos em três edições e isso fica claro até mesmo no estilo dos desenhos.

E o enredo de Mark Millar? Não é minha história favorita do Homem de Aço, até mesmo porque parece a olhos de hoje um precursor do Superman de Injustice, mesmo que de forma não deliberada. O cabra não é mau, mas é `enganado` por Brainiac para limitar a vida das pessoas, tolhendo-as de suas opções como um grande big brother (ok, lavagem cerebral para ser fiel ao ideal não é algo bom, mas….). O mundo perfeito que funciona como um relógio seria o suprassumo do socialismo, mas acaba travestido de uma ditadura, sendo esta talvez a principal `crítica social` do autor. Por fim, acaba fazendo a redenção do capitalismo com a `vitória` de Luthor. Uma vitória de Pirro, considerando que a hq possui um plot twist digno de Exterminador do Futuro em seu final.

Enfim, uma boa leitura e obrigatória para os fãs do Homem de Aço. Só não vá ler esperando a solução dos problemas da vida real para ter argumentos para ser vermelho ou azul ou verde. Millar não é Moore para revolucionar criando histórias para uma realidade paralela como Watchmen, mas está bem acima da mediocridade. Se for nesta vibe, conseguirá um bom entreterimento….

Nota 7,5 de 10

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