Para o alto e avante (sem quebrar pescoços e spoilers)

Salve, salve cambada de Enxutos e Enxutetes que curtem um Baile de máscaras, mas não as usam. Só mesmo o Superman para me retirar do autoexílio nas Terras de Mordor, onde as sombras caem. Mas como um bom fã que usa cuequinha por sobre a calça, não havia como perder a oportunidade e trazer para os nobres leitores minhas impressões sobre o primeiro (e estendido) episódio da série Superman & Lois.

Como habitual, aquele resumo malandramente posicionado que fala nada e diz tudo. O episódio nos ambienta sobre a famosa história do filho de Krypton, sua chegada a Terra e adoção por um simpático casal de Smallville. Esta primeira abordagem nos posiciona com as sutis (e outras nem tanto) diferenças desta versão do Superman… a morte do pai por ataque cardíaco, o primeiro encontro com Lois, seu casamento… e filhos! Sim, gêmeos. Enquanto um é todo despojado, o outro é mais retraído e problemático. Entre a vida de Superman e de pai de família (sem suco de laranja), o Homem de Aço enfrenta um misterioso vilão e como abordar a rotina para manter o segredo de sua dupla jornada como pai e super herói nas horas vagas. Ou seria ao contrário?

A la Jack, por partes. As atuações. Tyler Hoechin nos entrega um Superman / Clark Kent daqueles que os fãs guardam com carinho e respeito na memória. Sem a expressão séria e quase sempre taciturna de sua contraparte cinematográfica (apesar do Cavillzaço ter mais cara de Superman), “Quin” é o cara boa praça que o Ultimo Filho de Krypton precisava ter para recuperar o viés heroístico que o personagem precisava. Há anos. Não é uma atuação de gala, mas é um alento ao personagem, feito com respeito e preocupação na medida certa. Elizabeth Tulloch entrega uma Lois determinada, como esperado. Em linhas gerais, faz a repórter que reconhecemos, apesar de recorrer ao modo Cavill de interpretar o Super: quase sempre a mesma cara, seja de alegria, dor ou raiva. Não compromete. A dupla de filhos Jordan Elssas (Jonathan) e Alexander Garfin (Jordan) possuem uma boa química como irmãos e o restante do elenco vou deixar passar para avaliar com mais tempo de tela.

O enredo da dupla de dois Greg Berlanti e Todd Helbing busca a essência perdida do personagem em suas últimas aparições no cinema. Com alguma liberdade para contar a sua história, fato ‘permitido’ pelo multiverso deste ‘arrowverse’ da CW, tudo o que boa parte dos fãs anseia sobre o personagem lá está. Com uma pitada a mais para os velhos e rancorosos: é um Superman mais maduro, tocando a vida e problemas rotineiros de se ter uma família, trazendo mais ‘realidade’ e ‘proximidade’ ao telespectador desta faixa etária. Isso sem deixar de lado o fantástico e extraordinário dos quadrinhos de super-heróis. Sim, sou o público alvo e não há como abordar esta minha missiva sob o ponto de vista diferente. Provavelmente, um jovem sem filhos ou mais antenado em heróis ‘dadárqui’ não tenham esta mesma visão ao qual respeito, mas não admiro.

Por incrível que pareça, para uma série televisiva, os efeitos visuais são honestamente bons. Há de se ressaltar que não é cinema e tão pouco a HBO produzindo Game of Thrones. Neste aspecto, sem sombra de dúvidas, a qualidade é acima da média habitual da CW e seu ‘fRechaverse’.

Voltando a história, muitos easter eggs ao longo dos seus mais de 60 minutos de duração. Desde uniforme original, capas históricas e até nova roupagem para personagens da antiga série Pequenópolis (‘sambori seeeivi mi…’). Da forma como chegou, promete ser uma das melhores séries do ‘arqueiroverse’ desde sempre. Ainda que possa se tornar um desastre daqui por diante, o primeiro capítulo foi escrito e feito para os velhos rancorosos e babentos como muitos de nossos leitores (eczistem ainda?). Divirtam-se sem moderação.

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p style=”text-align: justify;”>Nota 9 de 10