IABADABADU?

Salve, salve cambada de Enxuto e Enxutetes da idade das pedras. Esta hq em específico não foi alvo de sufrágio universal, mas por compor a linha da DC que vem gerando algum burburinho, nosotros iremos abordar o assunto para ver qual é. Como deve ser de vosso conhecimento, antigas animações da Hanna-Barbera vem ganhando ‘vida’ nas hqs pela editora do Bátemã e, destas, já analisamos o resultado satisfatório de Future Quest.

RCO001_1467949569

Aos spoilers. Tudo se inicia nos dias atuais, onde em um museu uma dupla qualquer analisa o corpo congelado de um Neandertal ‘original’, aparentemente congelado. A dupla conversa sobre este ter sido achado no vale de Bedrock, local onde se diz ter existido uma civilização pré-histórica relativamente bem desenvolvida. E é a partir daí que as coisas começam a se desenrolar e ‘viajamos’ aquele passado remoto.

RCO009_1467949569

Então, somos apresentados a um dia comum de trabalho, onde Fred é instado a ir ao escritório do Sr. Slate, onde é mostrado como sendo ‘o funcionário do mês’ e, por conta disso, tem uma missão a desempenhar. Slate contratara 3 Neandertais e, como sabido, estes não são tão espertos, apesar de extremamente fortes. Assim, convencera-os a trabalhar por dinheiro, mesmo eles não sabendo para que isto servia. Enfim, a Fred cabe apresentar ao trio as maravilhas da civilização, tentando mantê-los ‘engajados’ com as perspectivas do trabalho. Obviamente, Slate usa o lance do ‘funcionário’ do mês para ter Fred ‘motivado’ a leva-los a passeio por Bedrock, a despeito de seus compromissos particulares.

RCO013_1467949569

Como missão dada é missão cumprida, Fred avisa a Wilma sobre a tarefa e esta o lembra do compromisso no encontro com veteranos de Guerra. Fred então pega Barney para o evento, levando o trio com eles. No tal encontro de veteranos, outros combatentes revelam os dramas da guerra onde, por uma questão de posse de uma floresta, os guerreiros de Bedrock foram obrigados a matar e expulsar os nativos, impactando a psique dos envolvidos.

RCO023_w_1467949569

Vida que segue e o quinteto vai assistir uma luta de vale-tudo, para assombro dos Neandertais. Ao fim e ao cabo, o perdedor acaba sendo devorado por dinossauros, enquanto o vencedor dá uma entrevista comum a um repórter local.

RCO014_1467949569

Neste interim, Wilma, que é uma pintora amadora, recebe um convite para expor seu trabalho em uma galeria e conta a Fred. Entre um problema e outro na escolha das roupas, contando com a ajuda de Betty, Wilma seleciona uma das mais exóticas e ‘modernas’. Enfim, antes deste evento, Slate convida seu ‘funcionário do mês’ para uma festa da banheira, onde os convidados ficam em uma piscina de água quente. Em verdade, Slate conta maravilhas do ‘mundo moderno’ e como as mudanças chegaram em Bedrock com esta ‘evolução’. Ao fim e ao cabo, quando solicita a um dos Neandertais para matar um mamute para um churrasco, algo dá errado e o infeliz acaba sendo morto e congelado, tornando-se o dito cujo lá do início da história.

RCO027_1467949569

Na saída, os Neandertais restantes declinam de continuar na ‘civilização’ e isto faz com que Fred perca sua promoção, afinal acabara de falhar com o Sr. Slate.

RCO028_1467949569

Calma que ainda não acabou. Finalmente chegamos a exposição e Wilma fica decepcionada por sua arte ter ficado no lado de fora da exposição, próximo aos banheiros, junto a outros artistas emergentes. Para piorar, os críticos a detonam e isto a afeta ainda mais, tendo em vista que a ‘arte’ nada mais é do que o desenho rupestre tradicional com as mãos, mas que para ela tinha um significado da infância: na prática, era assim, com o registro de sua mão em uma parede, que as crianças passavam a ser reconhecidas como indivíduos.

RCO033_1467949569

Ok, agora sim acaba e de volta ao início.

RCO034_1467949569

Vamos as análises? A arte ficou por conta de Steve Pugh, com cores de Chris Chuckry. Antes do visual per se, há de se elogiar o trabalho feito, buscando representar, dentro do estilo mais cartunesco, a vida ‘moderna’ dos homens das cavernas. Bons cenários, expressões ok e cores que ajudam no desenvolver do enredo. Sobre o visual, polêmico para alguns, por mim funcionou muito bem nos quadrinhos. Puritanamente, poderíamos pedir para que fosse o visual da animação? Sim, claro. No entanto, dentro do contexto em que a história foi apresentada, não faria muito sentido, tendo em vista a ‘necessidade’ de uma aproximação visual da ‘realidade’. Focando em algo mais ‘crível’ do que a animação, a arte sugere mais familiaridade para o leitor, deixando-o, por intermédio das vestes e visual antigos, um distanciamento não tão grande da nossa sociedade. Assim, por intermédio deste visual , algumas de nossas bizarrices ficam evidentes, fato que no nosso cotidiano não assim parecem.

O enredo de Mark Russel brinca com este conceito, é claro. Com esta ajuda da arte, implica em uma crítica nem tão velada ao nosso modo de viver moderno, usando a realidade ‘antiga’ para esfregar na nossa cara. Ou será que a luta MMA, por mais ‘civilizada’ e com regras seja, não é algo que analisada sob um prisma diferente, não é algo brutal e meio irracional? O consumismo, a exploração do trabalho de outrem, a ganância, o uso indiscriminado dos recursos naturais, as guerras com objetivos nada patrióticos…. está tudo ali.

Em linhas gerais, critico um pouco o ritmo e a quebrada na inclusão do terço final com a Wilma. Apesar de fazer parte do contexto, poderia facilmente ser cortado e colocado na edição posterior. Fora isto, representa até de forma mais direta o que fazia a antiga animação da Hanna Barbera: uma crítica a sociedade moderna por intermédio de uma ‘antiga’. Surpreendentemente bom, caso, obviamente, encare a hq sob um prisma mais neutro em relação aos sentimentos de sua infância. Por mim, não macula aquela imagem, mas sim a dignifica e amplia. Não sei se tem um folego muito grande, mas valeu pela leitura.

Nota 8,0 de 10

E a enquete da semana!!!

Comentários Facebook (O DISQUS ESTÁ ATR... LOGO ABAIXO)

Comentários Disqus

BDE1