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Esta não foi escolhida pelos Enxutos, mas é uma das hqs mais esperadas do ano. Clica aê e confira nossas impressões na Resenha Enxuta: The Sandman Overture #1…

Pois bem, caros Enxutos, ainda na fase obscura quando o BdE estava sob os auspícios do UOL, divulgamos a notícia de que Neil Gaiman voltaria a baila da Vertigo para fazer um ‘before’ Sandman. Como este nome ficou gravado na mente dos Enxutos pelas diversas bombas publicadas em Before Watchmen, todos ficaram com um pé atrás, apesar da atenuante de ter a participação do autor no título. Será que realmente aqui a coisa funcionou a contento? É o que veremos nas próximas mal digitadas linhas…
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Como habitual, aos spoilers. A história se inicia com uma narração em off, apresentando um planeta habitável em sistema solar qualquer. Apesar de similar (é azul e possui um vasto oceano), o bendito possui três raças dominantes. Uma de insetos, cujo comportamento é similar aos dos nossos. Outra de humanoides de pelos ruivos que acreditam que seu planeta é único no universo. Por fim, uma raça de gigantescas plantas carnívoras, localizadas no continente mais ao sul. Apesar de limitações em relação a movimentação, as plantas possuem uma ‘mente bela’. E sonham.

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Um delas, chamada Quorian, tem um sonho estranho. Uma planta branca com detalhes negros surge e menciona que há algo errado. Afirma que andara pelos sonhos dos habitantes daquele mundo e, apesar de nada estar errado, sente que não é bem assim. Aparentemente tudo está ok, mas há algo errado, muito mais do que jamais encontrara. A criatura diz que ‘não permitirá isso’, gerando confusão na ‘nossa’ Quorian, fazendo-a perguntar o mesmo que nós, ‘permitir o que?’. A planta branca então diz que há algo acordando e começa a pressentir uma dor profunda. Deixa de ser um pressentimento e passa a ser um dor real. Quorian, então, presencia algo que nunca vira. A planta branca com detalhes negros entra em combustão espontânea e morre em frente aos seus olhos.
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Corta a cena e estamos em Londres, 1915. Um homem bem vestido, usando terno branco e óculos escuros adentra um recinto onde um jovem rapaz escreve algum registro em um livro. O jovem, Ian Stuart, alega que estariam fechados para atendimento ao público, mas o homem afirma que o negócio a se tratar é com o atendente. O jovem menciona se seria algo relacionado ao seu irmão desaparecido há muito em uma ofensiva na Grande Guerra e o do óculos visivelmente mente dizendo que sim. Marca um horário após o expediente e, quando Ian pergunta sobre os seus olhos (algo relacionado ao Gas na guerra), o homem sorri e diz que descobrirá tudo mais tarde, quando se encontrarem.
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O gancho da passagem para o quadro seguinte é o nome de Corinthian (o cara do óculos) escrito em uma página, como se descrevesse a cena. E é a mão do Destino quem folheia o livro. Ao virar a página, vemos Destino e o livro do Universo, onde o próprio Perpétuo nos explica as regras. Ele tem o livro onde tudo está escrito e está acorrentado a ele para protegê-lo ou impedir a sua fuga. Raramente Destino lê sobre si no livro, mas esta é uma das ocasiões. No livro, Destino está em sua galeria e encontra sua irmã Morte. O papo desenrola sobre a Morte estar preocupada com Sonho, justamente pela morte vista no início, ficando implícito que a planta branca com detalhes negros é um ‘sonho’. Alega que quando um deles morre, algo de ruim sempre acontece.
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Agora estamos com um homem sem rosto, chamado George Portculli. Pelo relato, o cidadão sonha que está sempre a espera do proprietário de um escritório, cuja localização varia a cada vez que sonha. Detalhe é que o infeliz alega que, quando está acordado, não é bem uma ‘pessoa’. Já foi talvez uma criança ou uma mulher. Ou uma borboleta. Enfim, logo o seu mestre chega e, para sua surpresa, diz esperar uma visita.
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E a visita é o bendito Corinthian. Quando o cidadão adentra o recinto onde havia marcado para encontrar o jovem Ian, abre-se um portal e é transferido para o escritório do Sonho. Lá o seu mestre diz que precisava conversar com privacidade e logo pergunta se Corinthian recorda do momento de sua criação. Com a resposta afirmativa, Sonho diz que é algo difícil e espera sempre que cumpram seus objetivos. Além disso, suas criaturas não deveriam caminhar no mundo dos despertos, restringindo-se ao mundo dos sonhos. Quando o três bocas (para quem não sabe, os olhos dele são duas pequenas bocas) diz que por isso Sonho o trouxera para ali e não para seu castelo, pois assim não mostraria aos demais o quanto são ‘imparáveis’, Sonho, então, vai ao ponto: convocara Corinthian naquele lugar para ‘desfazê-lo’.
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E aí, quando Corinthian deixa duas facas que carregava escondidas com o George, meio que admitindo o seu fim, algo acontece. Subitamente Sonho pressente algo, diz que será necessário adiar todo o procedimento que havia mencionado e parte de volta para seu castelo. O três olhos então retoma suas armas e diz ao George que irá matar um jovem, comer seus olhos em público e refazer o mundo da forma que lhe bem entender.
Fechando a Resenha. Direcionando-se ao Castelo, Sonho atesta que alguma força o chama de forma quase irresistível, algo que não está acostumado. Sabendo ser impossível resistir por muito tempo, decide ir ao Castelo e vestir-se com sua armadura de batalha. De repente, quando afirma a um de seus criados que voltaria em breve, é transportado para um lugar distante do universo a contragosto, sentindo dores ‘como se fosse as do nascimento’. Quando volta a si, está diante de inúmeros ‘sonhos’ (aparentemente no planeta mencionado no início do texto) e estes reclamando de sua demora em atender ao chamado e suas obrigações…
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E a hq termina assim…
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Comecemos as análises pelos rabiscos de J.H.Williams III. Simplesmente fantástica a forma como o trabalho casou perfeitamente com a proposta do enredo. Difícil até para se fazer uma resenha, tamanho o grau de interrelação entre texto e visual. Pouco a dizer sobre… mesmo que não goste da proposta deste volume de Sandman, vale ao menos para conferir a arte. Muito boa.
E o enredo de Neil Gaiman? Um texto inspirado, calcado em uma ‘mitologia’ que muitos já conhecem, fazem com que este trabalho seja aceito com muita facilidade. Mesmo para os novatos, a medida em que vai desenvolvendo a história, as explicações não deixarão os que pouco conhecem sobre o mundo de Sandman ficarem boiando. Claro que as referências e os detalhes são melhores aproveitados por quem já tem certo background, mas é possível curtir sem grande esforço.
Para um primeiro episódio, teve seus momentos. Ainda precisamos de mais edições para uma avaliação mais contundente, entretanto parece que desta vez uma ‘before’ vai realmente valer a pena acompanhar. Talvez o ponto fraco seja mesmo para os novatos, onde merecia uma breve explicação do que é (ou foi) este arco de histórias… se bem que, caso não conheça, melhor parar de ler Superior e buscar ler este material que é imperdível.
Gostei. Arte acima da média e um texto redondo. Não é perfeita, mas está valendo.
Nota 9,0
E uma última oportunidade para votar e escolher as resenhas que começam amanhã. Vale lembrar que a Superior é por conta da casa (afinal, precisamos de audiência para pagar nossas contas e promoções!)….


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