Chuchus, bora para mais um post de literatura oferecido pela Editora Aleph? Essa pergunta foi retórica, jovem mula.

Tropas Estelares de Robert A. Heinlein publicado em 2015 pela Editora Aleph. E, antes que vocês cometam o mesmo erro que eu, vou logo lhes dizendo para esquecerem o filme de Paul Verhoeven lançado em 1997. Quando recebi o livro, a minha primeira reação vou olhar para ele com desdém pois não sabia que o filme homônimo havia sido adaptado de um livro e imaginava que a mídia original seguia pelo mesmo caminho: uma história vazia e fútil de uma guerra futurista contra insetos intergalácticos. Shame on me por menosprezar um livro que figura entre os ganhadores do consagrado Hugo Award.

Alistar-se no Exército foi a primeira – e talvez a última – escolha livre que Juan Rico pôde tomar ao sair da adolescência. Apesar do árduo e rigoroso treinamento pelo qual é obrigado a passar, o perseverante recruta está determinado a tornar-se um capitão de tropas. No acampamento militar, ele aprenderá a ser um soldado. Mas apenas ao final de seu treinamento, quando, enfim, a guerra chegar (e ela sempre chega), Rico saberá por que se tornou um. Vencedor do prêmio Hugo e um dos maiores clássicos da ficção científica mundial, Tropas estelares traz um enredo repleto de ação, tecnologia, superação de desafios, guerras espaciais e complexas relações políticas e humanas. A obra foi adaptada para o cinema pelo diretor Paul Verhoeven.

Se fosse traçar um paralelo entre o romance e um filme, teria que fazer isso com Nascido Para Matar (Full Metal Jacket) de Stanley Kubrik de 1987, que condiz mais com a obra do que sua famigerada adaptação. A obra de Heinlein, que foi reduzida a um fiapo por Verhoeven, nos apresenta Juan “Johnny” Rico, um cara qualquer como eu e você. Ao fim de sua adolescência / ensino médio, Rico decide se alistar no serviço militar, opcional para qualquer um porém, o direito de voto de cada cidadão só era permitido se o mesmo servisse o tempo mínimo estipulado para se tornar um cidadão per se. Filho de família abastada, Rico, por influência de seu melhor amigo, ingressa na vida militar, para desgosto de seu pai.tropas-estelares-robert-heinlein-editora-aleph

 Á partir dai a narrativa de Heinlein começa de fato e vai ganhando força ao passar dos capítulos. Narrado em primeira pessoa, acompanhamos Rico por todo o processo para se tornar um orgulhoso integrante da infantaria, começando pelo famoso e torturante Acampamento Militar Arthur Currie até se tornar um oficial das forças armadas. Diferente do filme, o livro deixa a ação de lado em grande parte da narrativa e se foca mais na transformação de Rico de garoto em homem alinhado a uma quase ode ao exército e serviço militar em geral. Heinlein levanta questionamentos morais, cívicos e até filosóficos na voz de Juan Rico durante a jornada do personagem. Por conta disso, a história se torna enfadonha em alguns momentos e acaba arrastando a narrativa que já não flui muito bem. Não quero desmerecer o livro que por sinal é uma excelente leitura mas há momentos consideráveis no texto que o mesmo se torna muito cansativo e até meio desinteressante. Porém, Heinlein segue logo em seguida por sequências que simplesmente prendem o leitor, ainda que seu estilo seja sempre constante e de ritmo lento.s9oLeWU

Já a Aleph mais uma vez nos mostra que aprendeu com seus erros e não apresenta absolutamente nada que desponte negativamente na tradução / revisão. Já o projeto gráfico da editora dessa vez não me agradou. Achei a capa feia, tanto pela ilustração quanto pela escolha da cor. Nos extras temos uma entrevista de Ugo Bellagamba e Éric Picholle, autores do livro Soluções Insatisfatórias, Anatomia de Robert Heinlein. Aqui vale um puxão de orelha: faltou uma nota explicando ao leitor quem são esses dois e qual a relação deles com Heinlein.

Tropas Estelares (Starship Troopers) de Robert Heinlein, 2015, 1° edição, brochura, 16X23cm, 352 páginas, R$42,90

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