A mudança de roupa da Diana…

Após a boa fase do Azzarello no título e outra não tão brilhante com o casal Finch, eis que há novo recomeço para a heroína mais conhecida dos quadrinhos com o ‘Renascimento’. E o que podemos esperar de Greg Rucka no título?

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Comecemos, então, pelos spoilers para tentar responder esta pergunta. Confesso que não é uma resenha das mais fáceis, nem tanto pela história em si, mas pela forma escolhida pelo autor para desenvolver a narrativa. De fato, narrando em primeira pessoa, a MM enquanto resgata uma mulher de bandidos, vai relembrando sua história sob duas perspectivas: a tradicional, aquela onde é criada do barro e a mais recente, onde Diana é fruto do relacionamento entre Hipólita e Zeus. A partir deste início, começam a pulular na mente da heroína qual é a sua verdadeira história.

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Diana questiona como o mundo dos humanos a vê, brincando com o conceito de Maravilha (Wonder) sob o prisma de um elogio ou como algo diferente (nota do King: quem leu a Terra 2 dos N52, tem uma visão mais completa sobre este ‘conceito’). Enfim, a Amazona reflete sobre como acaba parando no mundo dos homens, nas duas versões conflitantes, seja a chegada de um ‘marinheiro’ perdido na terra das amazonas ou o perigo de Ares soltar o caos no mundo que poderia afetar inclusive sua amada ilha Paraíso.

E segue neste ‘dilema’, sempre confrontando duas visões até chegar o momento onde ela mesma não sabe se é a God of War (para quem não sabe, ela o derrotou) ou uma enviada para a paz. A dúvida a comete a tal ponto que usa o próprio laço da verdade em si. Ao se perguntar quem é na verdade, a resposta é que ela é um pouco de tudo que havia questionado. Paz e Guerra. Mas ao fim descobre uma verdade que não sabia: ela fora enganada. E mesmo admitindo que a história muda sempre, isso a deixa irritada.

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MM se diz cansada disso e que precisa descobrir quem a enganou durante tanto tempo. E ao se redescobrir muda o uniforme, deixando de lado o tradicional maio para a nova versão já cantada de verso e prosa pelas internets da vida.

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Decide voltar ao Olimpo para descobrir suas verdades, acaba sendo ‘recebida’ por criaturas de Hefesto, criaturas que estariam ali para proteger o Olimpo. E, como a história sempre está mudando, em tese deveriam receber bem o Deus da Guerra ou… atacar um suposto pretendente ao trono.

Por fim, Diana descobre que aquilo também é uma mentira e não é o verdadeiro Olimpo, ‘deixando a deixa’ para continuar a busca sobre a verdade e por quem está manipulando isso tudo.

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Comecemos pelos rabiscos que ficaram a cargo Mathew Clark, Sean Parsons, Liam Sharp, Jeremy Colwell e Laura Martini (ufa…), dividindo o lápis com a dupla final cobrindo as páginas 15-20, enquanto os demais as páginas iniciais. Assim como a maioria dos traços de hoje em dia, seguiu um padrão qualificado, com boas feições e proporções. As cores, especialmente na ‘segunda fase’ ficaram um pouco mais carregadas, compondo um conjunto harmonioso com o enredo. Esteve um pouco acima da média, mas muito pouco, destacando a imagem com o vidro quebrado e algumas fases da maravilhosa.

O enredo de Greg Rucka brinca com o conceito da história em quadrinhos em eterna mutação e como fica a essência do personagem nisto tudo. Analisando sobre esta ótica, faz um bom trabalho de reflexão, não quebrando a quarta parede, mas deixando a mesma impressão que nós leitores temos quando ocorrem as mudanças editoriais e reboots. Em verdade vos digo que é uma história com pouca movimentação, mais parada. Notadamente o autor coloca algumas cenas de ação para enquadrar no ‘quesito quadrinhos mainstream’, entretanto consegue imprimir um toque pessoal a sua história.

E aí? No final das contas, deixou algumas pontas em aberto intrigantes, especialmente pela forma que se abordou. Não é um novo clássico, entretanto aparentemente tenta colocar as coisas no lugar… ou ao menos sob a ótica do autor. Por mim, merece mais uma chance de leitura e acompanhar este quadro nas próximas edições para um veredito mais qualificado.

Nota 7 de 10

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