Resenha de X-Men: Gold e notícias sobre a treta envolvendo Ardian Syaf, o desenhista da revista.

Após o desfecho de Inumanos vs X-Men e os eventos mostrados em X-Men Prime #1 (resenha aqui), vamos descobrir os novos rumos dos X-Men? ResurrXion é o evento que promete dar novamente aos X-Men o tratamento de grandes personagens que eles sempre mereceram. Novos títulos. Novas equipes. Vamos ver o que a Marvel reserva para os discípulos e herdeiros do sonho do professor Charles Xavier? Vamos à Resenha Enxuta de X-Men Gold #1:

A história começa com uma tal de Lydia Nance, Diretora da “Herança Patrimonial” dando uma entrevista para o canal “O Fato”. Ela está mimizando que dentre tantos super-seres e indivíduos aprimorados, a ameaça particular que os Mutantes representam, é o Genoma X. Ela diz que esse genoma é uma bomba evolucionária em contagem regressiva. A entrevistadora intervém, dizendo que ela está sendo categórica e tentando justificar o que alguns caracterizam como preconceito racial. Lydia desconversa, mas no final dá o seu recado: “Deixe-me assegura-los que minha organização está focada na proteção do mundo a qualquer custo.”. Em outro lugar, Kitty Pryde profere as palavras que todo líder dos X-Men tem vontade de dizer: “A mim, meus X-Men.”. “Confesse que sempre quis dizer isso” – diz o Velho Logan. “Você nem tem ideia” – ela responde.

Os X-Men estão enfrentando Terrax. Sacando que enfrentar Terrax no solo não está adiantando (Dã, por que o poder do cara é controlar o solo), Kitty manda Tempestade e Prestigia (aka Rachel Summers) tirarem Terrax do chão e o restante dos X-Men tentar impedir que um edifício venha abaixo. Tempestade e Prestigia (codinome escroto esse) conseguem tirar Terrax do chão. Kitty manda Colossus para a base do edifício e pede para Noturno teleportar ela e Logan até o topo. O Elfo obedece, mas pergunta o porquê daquilo. Kitty explica que Logan vai saltar dali para ajudar Tempestade e Prestigia enquanto ela vai tornar o edifício intangível para que ele não destrua todo o quarteirão ao cair. Logan salta na direção de Terrax e com o bom e velho “SNIKT” diz “Olar” para o vilão. Kitty manda Kurt teleportar os retardatários para fora do edifício enquanto se prepara para executar a sua parte no plano. Resumidamente, as coisas acontecem como planejado e os X-Men capturam Terrax, evacuam o edifício e impedem que o mesmo tombasse e causasse ainda mais destruição. Kitty emerge do solo e diz que vai querer uma cerveja. Logan pergunta se ela tem noção do quão velho ela o faz se sentir quando diz essas coisas. Ela responde que sim e vai falar com o público que se juntou próximo ao local.

Kitty se apresenta como a Líder dos X-Men, faz uma gracinha por não ter um codinome e diz que só quer ter certeza de que todos estão bem. Uma menina responde “Estou bem”, mas sua mãe a repreende com as seguintes palavras: “Não fale com aquilo”. “Hã? Aquilo?” – pergunta Kitty. A mulher responde: “Foi mal. “Mutante”. “Homo Superior”. “Indivíduo aprimorado”. Nem sei qual é o termo politicamente correto nos dias atuais. “Acho que a palavra que está procurando é “pessoa”. “Ser humano”, talvez. Caso se sinta indulgente. Mas vejo que não está. E surpreendentemente… eu compreendo” – responde Kitty. Entonces, Kitty manda um discurso mimizando que eles jamais confiaram nos Mutantes e que as coisas estão diferentes após a guerra contra os Inumanos, por isso, eles terão um longo caminho para construir essa confiança e que eles estão começando isso hoje.

Corta para o Instituto Xavier de Educação e Conscientização Mutante, no Central Park. Os Mutantes estão realizando aquela boa e manjada partida de Baseball que tem a regra sempre quebrada de não usar poderes durante o jogo.

Kitty e Logan estão mimizando sobre algumas coisas, mas são interrompidos pela chegada de Alex Sandstorm que diz trabalhar na Prefeitura (nos registros da cidade, mais especificamente). Basicamente, o cara foi lá entregar os impostos por seis meses de concessão de pagamentos e taxações de propriedade pelo espaço que eles estão ocupando. Kitty lê a papelada e diz: “Estamos falando de dezoito milhões de dólares”. “É o Central Park. Indiscutivelmente, os imóveis mais valiosos do planeta” – diz o funcionário da Prefeitura. “Posso fatiar o cara agora?” – pergunta Logan.

À noite, Kurt e Ororo assistem ao programa de TV com a tal Diretora da “Herança Patrimonial” que foi mostrado no início da história. “Quanto mais as coisas mudam, mas ficam as mesmas” – diz Kurt. Ororo se lembra que Peter disse quase a mesma coisa mais cedo, mas diz que há outro epigrama que ela esteve considerando que Magneto adoraria: “O passado é prólogo”. Kurt diz que adoraria que ela evitasse fazer citações do Magneto e pergunta o que ela quis dizer. Ela responde que apesar de tudo o que passaram, eles estão voltando às origens de suas histórias e ao que eles eram. “Proscritos?” – pergunta Kurt. “Heróis” – responde Ororo. Kurt diz que aquilo soou realmente esperançoso e que Kitty contou a ele que ela queria deixar a equipe. Ororo responde que ela levou os X-Men para uma guerra perdida. “Os X-Men não perderam nada” – ele diz. Nesse momento, a mulher na TV diz que eles ainda não sabem das consequências a longo prazo da agressão da comunidade Mutante contra os Inumanos. “Será mesmo?” – pergunta Ororo.

Corta para a Sala de Perigo Versão 10.3: está rolando um treinamento de combate envolvendo Prestígia, Santo e Hisako. Findo o exercício, Rachel explica que o novo codinome foi ideia da Kitty, que achou que “Fênix” e “Garota Marvel” eram ligados demais ao passado e ela queria Rachel olhando adiante. Santo diz que o comando dela o agrada. Falando na Kitty, ela está ponderando que talvez não seja muito tarde para voltar aos Guardiões da Galáxia, ficar presa dentro de uma bala viajando através do espaço ou ser uma ninja demoníaca imortal psiquicamente controlada. Ela está na mesa do Professor Xavier e mimimiza mentalmente: “Penso demais nele. Quase todos os dias”. Nisso, Peter entra na sala e pergunta se ela tem um minuto.

Kitty se esforça para parecer casual e responde: “O que manda?”. Peter diz que pediu uma pizza e pergunta se ela gostaria de comer com ele. Kitty responde que como amigos, ela aceitaria sem problema, mas ele não quer que eles sejam só amigos. “Já foi simples entre nós?” – ele pergunta. “Não. Eu o amo, Peter. Sempre amarei. Mas segui em frente. Sinto muito” – ela responde e logo depois mimimiza mentalmente: “Se há mesmo uma Divindade, alguém atacará a cidade agora mesmo”. “Há alguém atacando a cidade” – avisa Rachel. Mais tarde, com todos já devidamente uniformizados (menos o Logan velhaco), Kitty pergunta o que houve. Ororo diz que alguém está atacando o prédio das Nações Unidas e que pelas informações da S.H.I.E.L.D., é um grupo de cinco pessoas. Eles entram no Pássaro Negro e voam até o local e ao chegarem lá, encontram o tal grupo que se apresenta como a Irmandade de Mutantes e com isso, chegamos ao final dessa edição. Vámonos às análises?

O argumento de Marc Guggenheim tenta se esforçar em nos mostrar que as novas direções dessa equipe encontram ecos no passado dos X-Men. Facilmente, reconheci elementos que já foram usados exaustivamente no passado. O próprio título do grupo nos remete aos anos 90, quando os X-Men foram divididos em duas equipes: uma Dourada e outra Azul, exatamente como estão fazendo agora. Tudo isso me soou meio datado, mas rolou uma certa nostalgia. Nota 5,5.

A arte ficou a cargo de Ardian Syaf com arte final de Jay Leisten e cores de Frank Martin. Olha… eles até que fizeram um bom trabalho, mas foi apenas OK e nada mais. Nota 5,5. O destaque do desenhista dessa edição, não ficou por conta do seu trabalho ou estilo, mas sim pela polêmica. O artista, de origem indonésia, fez um protesto disfarçado a Basuki Tjahaja Purnama, o atual governador cristão de Jacarta. Ao longo da edição, ele desenhou Colossus usando uma camisa na qual pode-se ler QS 5:51.

QS 5:51, é uma referência ao quinquagésimo primeiro versículo do quinto capítulo do Alcorão, onde pode-se ler:

Ó vós que acreditais, não tomais Judeus e Cristãos como aliados. Eles são, em verdade, aliados entre si. E quaisquer que sejam os aliados deles entre vós – são de fato, unos com eles. De fato, Alá não guia os ímpios.”.

A mensagem ficou subentendida como uma carta de ódio aos cristãos, que apesar do domínio cultural e religioso no ocidente, ainda são discriminados e perseguidos em boa parte do Oriente Médio. Além disso, em outro desenho, vemos Kitty Pryde (que é judia) em frente a um local onde pode ser ler “212″. Na multidão, há um homem de boné e ao seu lado, outro homem. No boné e na blusa de ambos, podemos notar o numero “51“.

212, é uma referência ao dia 12 de dezembro de 2016, quando aconteceu uma série de protestos na Indonésia para que Purnama fosse deposto do governo, sob acusações de blasfêmia ao Alcorão. O número 51 pode fazer referência também ao quinquagésimo primeiro versículo do quinto capítulo do Alcorão que foi descrito mais acima.

É claro que isso revoltou os leitores e fãs dos X-Men, título que sempre pregou a inclusão de minorias. A Marvel rapidamente soltou um comunicado:

As alegadas artes de X-Men Gold foram inseridas sem conhecimento de seus significados relatados. As referências implícitas não refletem a visão do escritor, do editor e de ninguém na Marvel, e vão em direção oposta à inclusividade pela qual a Marvel e os X-Men sempre batalharam, desde suas origens. Essas imagens serão removidas de novas tiragens, cópias digitais e encadernados. Ações disciplinares estão sendo tomadas.”.

De acordo com o Newsarama e o CBR, Ardian Syaf foi liberado de seu contrato com a Marvel. Eis o comunicado de Daniel Ketchum, editor da revista:

A Marvel terminou o contrato de Ardian Syaf com efeito imediato. X-Men: Gold #2 e #3 com seu trabalho já foram enviados para a impressora e continuarão a ser enviados bi-semanalmente. As edições #4, #5 e #6 serão desenhadas por RB Silva e as edições #7, #8 e #9 serão desenhadas por Ken Lashley. Um artista substituto permanente será designado para X-Men: Gold nas próximas semanas.“.

Em sua página no Facebook, Ardian Syaf deixou a seguinte declaração:

“Olá.

Minha carreira está acabada.

É uma consequência do que eu fiz e eu a aceito.

Por favor, sem mais zombarias, debates ou ódio. Espero que todos estejam em paz.

Nessa última chance, quero falar a vocês o verdadeiro significado por trás do QS5:51 e do 212.

É o número da JUSTIÇA. E o número do AMOR. Meu amor ao Alcorão, ao último profeta, ao mensageiro e a Alá, o Único Deus.

Perdão pelo alarde. Adeus e que Deus abençoe a todos.

Amo a todos.

– Ardian Syaf

Bem, Enxutada… o que acharam dessa primeira edição de X-Men: Gold? MIMIMIzem aê nos comentários. Bem… falando dessa edição, que estranho ver a Tempestade em X-Men Pime com seu cabelo no estilo “moicano” e aparência mais deXcolada e derepentemente, ela surge com o seu visual clássico. Que bruxaria é essa? Já o visual e o novo codinome de Rachel Summers (Prestigia? OI?), eu achei completamente ridículos e escrotos. Achei legal o lance do funcionário da Prefeitura indo lá entregar os impostos e taxações pelos X-Men terem instalado a mansão no Central Park. O clima de “Déjà vu” e nostalgia permeiam toda essa edição e não sei dizer se isso foi ruim ou bom. Houveram boas sacadas, mas tem momentos em que você, que assim como eu, é leitor de longa data vai pensar: “Hum… eu já li isso antes”.

Agora sobre o desenhista… que merda que você fez, heim abiguinho? Queimou seu filme como desenhista, com os fãs dos X-Men, com os Cristãos e com os Muçulmanos (e talvez com o próprio Islã). O ocorrido também pegou muito mal para a Marvel, que tem defendido e usado a representatividade de minorias em vários dos seus personagens e histórias.

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