Resenha Enxuta: Cavaleiro da Lua# 1- 3

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Enxutos, no mar de personagens merdas da Marvel, tem um que eu acho que se destaca: o Cavaleiro da Lua. Porém, vira e mexe a editora escala bons artistas para trabalharem no título que sempre acaba cancelado lá pelo número 20 e poucos. Pois bem, nessa nova fase All New Puta Que Pariu da editora, o competente Jeff Lemire foi escalado para cuidar da parte escrita da nova HQ e é obviamente sobre ela que esse texto se trata.

Como é de praxe, Lemire não foge do óbvio e começa a sua fase de modo usual no Tonho da Lua: Marc Spector trocando umas ideia com Khonshu, o deus egípcio com cara de caveira de passarinho.

Khonshu, oncotô, quemcosô, onqueuvô, oncetá,

O deus com paciência de Jó (porque toda fase do personagem rola esse papo. Ou o Spector é esquizofrênico ou sofre de Alzheimer, puta que pariu) diz que o protagonista está morrendo e vai renascer mas para isso deve sofrer, clichê, etc e tal. Dito isso, Marc acorda em um manicômio que deixaria Jack Nicholson orgulhoso e começa sua rotina de espancamento, sossega leão na veia e eletrochoque. Levado para a área em comum do asilo, ele relaciona alguns outros pacientes com suas memórias fragmentadas de um passado que ele tem muita certeza que aconteceu. Ou não. Segue o baile: Marc é levado para a terapia e lá fica sabendo que existe de fato um Cavaleiro da Lua mas que não é e nunca foi ele e que sua vida desde os doze anos de idade tem sido dentro dessa instituição tão gentil e agradável. De volta ao seu quarto, Esquadrão Winspector troca bate um plá com Khonshu que o incentiva a fugir. O mesmo o faz e quando consegue chegar ao terraço do prédio, vê Nova  York tomada por areia, uma pirâmide ao centro do horizonte e criaturas egípcias voadoras. A edição então se encerra quando ele finalmente é capturado depois que seu grilo falante lhe diz que isso que aconteceu com a cidade é culpa de Seth, porém, quando está sendo arrastado de volta ao seus aposentos, uma última olhadela lhe revela a cidade na mais perfeita calma e normalidade.568e9789459fa

A segunda edição inicia com Marc e sua terapeuta, Dra. Emmet debatendo sobre a condição de Spector. Enquanto o Tonho afirma categoricamente que Khonshu, o Cavaleiro, a vida, o universo e tudo mais são reais, a Dra. continua tentando convence-lo de que ele é um homem dodói da cabeça e maluco do pé. Enfim, Marc é levado para outra sessão de eletrochoque e durante o mesmo, volta à presença de seu deus guia que lhe dá a resposta para tudo: 42. Não, péra.

Moon_Knight_1_Preview_2-600x911Khonshu tá de saco cheio do mimimi de Marc e vai logo jogando a real: aparentemente ele vem de uma raça extradimensional que vive além do tempo / espaço conhecido e que há muito, muito tempo, seu povo vem guerreando porque sim. Marc é uma espécie de avatar de Khonshu que foi escolhido justamente por sua mente dodói. Ou não. Tonho volta a seu corpo e, babando colorido na área comum dos pacientes, é abordado por Crawley, um velhinho safo que diz saber dos babados de Marc e como escapar do manicômio. Pois mais tarde naquele mesmo  dia, Crawley, Marc e os outros personagens do passado do protagonistas executam o plano do velhinho e conseguem fugir pelo subsolo do prédio que dá em um sistema de metrô (ah os sistemas do metrô americanos que ligam qualquer lugar a todos os lugares do país). A edição se encerra com a trupe em uma estação abandonada, tomada pelas areias e dando de cara com múmias saindo de dentro dos vagões.

Moon_Knight_1_Christopher_Action_Figure_Variant-348x525A última edição lançada começa com a porrada comendo solta e, pessoal todo mundo para trás. Enquanto Marc (vestido de Mr. Knight, aquele terno todo branco com a máscara) enche as múmias de pescotapas e catiripapos, a Dr. Emmet e os enfermeiros (que Marc vê com cabeças de chacal) conseguem alcançar o bando fugitivo. Aparentemente Crawley vê as pessoas do mesmo jeito que Marc os vê e se assusta com a Dra com uma cabeça de jacaré e dreads. Tonho diz que ela na realidade é Ammut, a deusa devoradora de almas e, seguindo os conselhos de Khonshu e muita porrada, consegue fazer seus amigos escaparem mas fica para trás bem na hora que um dos enfermeiros chacais consegue injetar medicação em seu pescoço. Imediatamente ele passa a ver todos como humanos novamente mas ainda se recusa a acreditar nas palavras da médica. Confuso e perdido, Marc consegue fugir pelos túneis do metrô e, após umas palavrinhas com seu grilo deus falante, se junta aos seus amigos. Eles atravessam  o vazio com a ajuda de Anúbis mas a travessia é paga com a vida de Crawley e, finalmente, eles chegam a superfície para encontrar a cidade no estado que Marc a viu pela primeira vez: areia, pirâmides e seres voadores.

Moon_Knight_1_CoverA equipe artística dessa HQ ficou por conta de Greg Smallwood nos desenhos e Jordie Bellaire nas cores e não há absolutamente nada que desabone a parte visual da revista. Os desenhos de Madeirapequena lembram muito os de Declan Shalvey, o irlandês responsável pela arte da série anterior do Tonho da Lua e seguem o mesmo padrão de qualidade de seu predecessor. As cores e Bellaire são excelentes e, como um todo, a revista está visualmente muito bem servida.

tumblr_o6fiodZCBH1two7n9o1_1280Já os roteiros de Lemire não fogem muito do lugar comum do Cavaleiro da Lua. Tudo isso que Marc acredita ser verdade é mesmo verdade ou o personagem é apenas um homem doente? Ao mesmo tempo, Lemire saí ganhando dos outros escritores do personagem porque essa dubiedade do real / imaginário nunca foi tão bem trabalhada como agora. Durante toda a leitura a dúvida impera e você simplesmente não consegue decifrar qual lado é o verdadeiro. Até mesmo quando Marc vê os chacais e a cidade tomada pelas areias, a expressão nos outros personagens é de completa descrença e incredulidade e isso eu achei genial. O ritmo da HQ é bom, os diálogos também e Lemire ganha mais um pontinho por essas pequenas inserções nas na personalidade de Khonshu (irritado, impaciente) e nos diálogos entre ele e Marc que ajudam a construir o clima dúbio da HQ.

Até o momento tá maneiro e vale seu 7,5.

E não esqueçam de votar para fazer os olhos do King e do Grutt sangrarem com a ‘qualidade’ da Marvel e DC…

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