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Tira essa armadura preta porque você é muleque!

Depois de gastar todas as referências possíveis no título desse post, vou ser bem sucinto em minha resenha sobre o novo Robocop!

Pra quem ainda não sabe, os figurões de Hollywood resolveram fazer um reboot da violenta obra prima Robocop, de Paul Verhoeven. Lançado em 1987, ele era uma crítica política bem direcionada a decadência da era Reagan, além de meter um dedo na ferida da mídia sensacionalista dos anos 80. Cheio de sangue e cenas bem “gore”, esse filme mostrava o policial Alex Murphy, que em seu primeiro dia em ronda na violenta Detroit do futuro acaba sendo chacinado por um grupo de assassinos de policiais. Alex acaba sendo “salvo” pela companhia OCP, que o transforma no símbolo máximo da empresa em transformar a velha Detroit na cidade do futuro, Delta City. Ele se torna o policial perfeito, metade homem, metade máquina. Robocop.

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Recomendação do Sorg

E agora temos um reboot. E diferente do que acontece com reboots, esse foi muito bem feito. E grande parte do sucesso se deve ao diretor brasileiro José Padilha, que caiu nas graças do cinema gringo graças os sucesso estrondoso de seus dois Tropa de Elite, que dosavam muito bem ação com crítica social. Por causa desses dois elementos, ele caiu como uma luva nesse projeto.

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Vamos começar sendo bem enfáticos. Esse Robocop não é o mesmo do Verhoeven. Não é melhor nem pior. É diferente. São tempos diferentes. Tecnologias diferentes. Um mundo diferente. Não cabem comparações. São dois filmes diferentes com o mesmo tema: Um homem que se torna uma máquina, perde sua humanidade? Se torna um produto, uma arma? Isso e a crítica social. Mas se antes existia a hiper violência dos centros urbanos pós Guerra Fria, agora temos a “guerra limpa” dos DRONES e VANTS (Veículos Aéreos Não Tripulados), exercida nos frontes do Oriente Médio.

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O filme é bem competente em não mostrar muito dessa guerra fora das fronteiras americanas. Temos uma breve vislumbre de como a OCP usa suas máquinas em conjunto com as forças militares americanas, e logo somos inseridos no contexto desse novo Robocop.

 E essa é a diferença mais gritante do filme. Esse novo Alex Murphy. Nos é mostrado muito mais do personagem antes de sua transformação, de sua família e e sua dinâmica como detetive de polícia, não mais um policial de patrulha. Temos um Murphy mais “inteligente”, interpretado por Joel Kinnaman, pois é um policial investigativo, mas que tem um grande senso de moral e devoção pela sua família. Esse traço de personalidade se mantém mesmo após suas transformação ( a cena onde Murphy vê o quanto “sobrou” do seu corpo humano é angustiante), e isso o difere totalmente do personagem da película de 1987. Aqui temos um Murphy que mantém suas memórias e personalidade, que tem ciência do que lhe ocorreu e tem que lidar com isso.

Joel Kinnaman;Abbie Cornish

No tocante a ação, o filme não decepciona. Começa com explosões e tiroteio, e tem um ritmo que alterna entre drama, ficção científica e crítica social de forma bem competente. Sim, existem defeitos, mas a mão de Padilha conduz o filme de forma bem firme, até onde Hollywood lhe deixou fazer isso, óbvio. O elenco é bem afiado também, com figurões do cinema, como Michael Keaton no papel de uma espécie de “Steve Jobs” do futuro. Gary Oldman faz o cientista idealista que se vende em troca de fundos para sua pesquisa que pode salvar milhões de vidas.  Sammuel L. Jackson encarna um apresentar de um programa de tv que aposta no sensacionalismo, bem parecido com muitos que temos por aqui. E Ainda temos a bela Abbie Cornish, no papel da esposa do herói, e tendo importante participação na história.

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Definitivamente, não é o Robocop dos anos 80. É um novo personagem. Ele agrada a geração atual, mas respeita o espírito do filme original, que mostra como o futuro pode ser tenebroso conforme nos tornamos mais e mais avançados.

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Padilha fez seu filme, mas sem deixar de fazer uma produção Hollywoodiana. Esse Robocop é bem vindo aos dias de hoje, e não existe cabimento compará-lo com o do passado. São produtos diferentes, tecnologias diferentes. Mas agradam a ambas as audiências. Como toda tecnologia, não é perfeita. Mas é um bom filme, sem dúvidas.

Minha opinião pessoal?  Como muitos eu pensei que seria uma bomba, e fui surpreendido. Por isso dou nota 8,0.

E vou ali…

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