E um pouco dos bastidores de Hollywood!

Nós, meros mortais,  costumamos criticar os executivos da grande indústria cinematográfica por gastarem dezenas de milhões de dólares em projetos que, às vezes, sequer chegam a virar filme. Um bom exemplo envolve as últimas produções com o Superman.

Logo após a estreia de Batman (idem, 1989), não só era certo que logo o Cavaleiro das Trevas voltaria ao cinema (o que de fato ocorreu), como o Último Filho de Krypton logo encerraria seu exílio e, mais uma vez, mostraria ao grande público civil que um homem podia voar. No entanto, não demorou para se ver que esta parte era um pouco mais complicada.

“Já dançou com o demônio sob a luz do luar?” Um ainda jovem Coringa – antes da maquiagem e dos cabelos verdes – assassina os pais de Bruce Wayne e se torna responsável pelo surgimento do Batman. E tem gente que defende esse filme com unhas e dentes…

Roteiros vieram e se foram, diretores foram dados como certo, os figurinos mais bizarros foram testados e um sem número de atores foram cogitados para o papel. Sem uma única cena gravada, estima-se que o filme do Superman consumiu, ao longo de mais de uma década, cerca de cem milhões de dólares de custos!

O produtor Jon Peters (à esquerda) e o diretor Tim Burton (à direita) chegaram a assinar contrato e começar a trabalhar num filme do Superman… Bom, na verdade em um estranho e bizarro personagem que, de alguma forma, eles acreditavam que as pessoas aceitariam como o Superman. Entre outras coisas, o herói não voaria nem usaria o uniforme clássico (considerado “afeminado”). Além disso, Peters defendia Sean Penn no papel de Kal-El, principalmente por causa de seus “olhos de um assassino”. Burton compartilhava desta falta de visão, alegando estar disposto a explorar um tal “lado homicida” do herói(!!!), não mudando de ideia nem quando o ator Nicolas Cage, escolhido para o papel principal, passou a combater as ideias esdrúxulas da dupla. Cerca de cinquenta milhões de dólares foram gastos até a Warner, em 1998, perceber que não teria como vender para o público um filme que já era odiado por uma parte da equipe que deveria trabalhar nele. Além do mais, ficou claro que os danos à imagem de Superman, em todas as mídias, seriam consideráveis.

A coisa voltou a se arrastar – também porque o (desculpem as palavras) Joel SchumaUcher deu um jeito de ser pior que Burton e tirar o Homem-Morcego dos cinemas – até que Bryan Singer, o sujeito que transformou os X-Men numa franquia cinematográfica e que misturou à contento super-heróis e ficção científica, deu uma entrevista em que declarava seu amor pelo Superman, principalmente pelos filmes de Richard Donner. Synger foi contratado e cancelou tudo o que fora feito até então, se empenhando em fazer uma sequência para Superman II (idem, 1980), inclusive recuperando antigas imagens de estúdio para ter novamente Marlon Brando como Jor-El. Quando Superman – O Retorno (Superman Returns, 2006) nem chegou perto da bilheteria esperada, o investimento da Warner num filme com o kryptoniano batia na casa de US$ 350 milhões!

Bryan Singer conversa com Kate Bosworth (Lois Lane) e Brandon Routh (Superman). Diretor e estúdio não chegaram a um consenso de quanto foi gasto em Superman Returns, mas reportagens na época do lançamento falavam em um orçamento de produção (ou seja, sem contar o investimento em marketing) na casa de US$ 250 milhões.

O curioso é que fontes junto ao estúdio afirmaram que  os executivos sabiam que tinham nas mãos um filme “difícil”, excessivamente nostálgico, que carecia de um oponente à altura do protagonista e com decisões de roteiro capazes de enfurecer os fãs mais ferrenhos (super filho… cof!… asmático… cof! cof!). Mesmo assim, foi lançado e a decisão de rescindir o contrato do diretor adiada até que não pudesse provocar um estrago ainda maior na arrecadação.

Mas as despesas vultuosas e a bilheteria decepcionante não desanimaram a Warner, que menos de dois anos depois começou a trabalhar no reboot cinematográfico do Superman. Desta vez, não apenas consultando diretores de cinema, mas abrindo as portas para que renomados roteiristas de quadrinhos, do naipe de Mark Waid, Grant Morrison e Mark Millar, apresentassem suas ideias. Até que uma espécie de presente vindo de Gotham chegou ao estúdio!

Um que quase fechou para relançar a franquia nos cinemas foi o diretor Matthew Vaughn. Ele viria junto com o roteirista Mark Millar, com quem trabalhou nas adaptações de Kick-Ass (idem, 2010) e Kingsman (Kingsman: The Secret Service, 2014). Mas tanto a Warner como – acredito – o próprio Vaughn devem ter se assustado um pouco com a ambição de Millar, que entregou o argumento não para um, mas para três filmes (!!!) com quase três horas (!!!) de duração. Cada um.

Christopher Nolan, que mandava prender e mandava soltar no estúdio desde, o sucesso de público e crítica de O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight, 2008), aproveitou uma reunião sobre o terceiro – e desastroso – filme da franquia do Morcego, para apresentar uma ideia de David Goyer para a reinserção do Superman nos cinemas. Nolan tinha ouvido os planos do roteirista, enquanto discutiam sobre os rumos a serem tomados na bat-franquia e ficou fascinado pelo que ouviu. Os executivos não demoraram a fechar contrato com a dupla, que iria produzir e escrever o novo longa com o maior de todos os super-heróis! Que, no fim das contas, custou mais US$ 225 milhões, apenas com produção.

Christopher Nolan conversa com Zack Snyder nos bastidores de Man of Steel. Este filme merece uma resenha, sim!

Ou seja, entre 1988 – um ano depois do execrável Superman IV – Em Busca da Paz (Superman IV: The Quest for Peace) – e 2013 – ano de lançamento de O Homem de Aço (Man of Steel) – foram gastos cerca de seiscentos milhões de dólares para no fim dois – sim, dois – filmes do personagem chegarem às telas de cinema.

É impossível julgar se a ideia de Goyer, que tanto fascinou Nolan, era realmente boa, pois não sabemos o quanto dela de fato chegou aos cinemas. Também não temos certeza se os executivos toparam pela qualidade do que foi apresentado ou por verem uma oportunidade de poder anunciar que um novo projeto cinematográfico com o Superman estava em desenvolvimento, tendo à frente a dupla bensucedida, responsável pelos últimos projetos com o Batman. Mas por quê este segundo motivo existiria e seria tão importante?

A origem de tudo está em 1976, quando foi promulgada nos EUA uma lei que abria uma janela de cinco anos para os autores ou seus herdeiros pedirem o cancelamento da cessão de direitos cinquenta e seis anos depois de firmada a mesma (em 1998, este prazo foi alterado para 75 anos), uma vez preenchidos dois requisitos: que a cessão tivesse sido concedida antes de 1978 e que a obra em questão não tivesse sido resultado de um trabalho contratado (work for hire). A ideia era que os criadores e seus descendentes pudessem usufruir por vinte anos dos direitos autorais da obra, antes que a mesma caísse em domínio público.

Com base nisto, em 1997 os herdeiros de Jerry Siegel – co-criador do Superman – começaram a discutir com a DC e a Warner, procurando “terminar” o antigo acordo de cessão, alegando que a concepção do personagem e a realização da história, que acabou sendo a primeira do herói, foram feitas sem que houvesse um contrato entre os criadores e a National (futura DC Comics), desqualificando a criação do Superman como work for hire. A solicitação de cancelamento foi acatada em 1999, mas a Warner não se entregou.

A disputa, óbvio, foi para os tribunais, onde cada parte teve seus momentos de triunfo, e envolveu não apenas os quadrinhos, como o merchandising e, claro, os direitos cinematográficos do personagem.

Joanne Siegel (1917 – 2011), seu marido Jerry (1914 – 1996) e Joe Shuster (1914-1992), o outro criador do Homem de Aço. Joanne chegou a comemorar uma decisão de 2008 que “devolveu” à família os direitos sobre o copyright de Action Comics #1, o que, na prática, dava a eles direitos – nos Estados Unidos – não apenas sobre o personagem Superman, como também quaisquer outros elementos que tivessem aparecido nesta edição, inclusive a primeira versão do uniforme (que inclui o emblema em S simples) e a origem clássica. Esta sentença foi posteriormente derrubada.

Em 2009,  uma decisão judicial tentou “agradar a todos”: a Warner manteria o controle sobre os filmes do Homem de Aço e não seria obrigada a pagar nenhum royaltie pelos realizados até ali; já os herdeiros não apenas teriam compensação financeira por futuros filmes, como poderiam processar o estúdio se até 2011 uma nova obra não entrasse em produção, alegando “lucro perdido”.

Esta treta é um dos motivos para o terrível Novos 52 e a volta do Multiverso. Tudo isto trouxe severas mudanças de visual e essência aos personagens, que tiveram suas origens e personalidades, em alguns casos, severamente alteradas. Tanto que, uma vez resolvida a questão à contento para a Warner, os heróis da DC aos poucos estão retornando para as suas “verdadeiras” faces, com o Rebirth.

Assim, fica claro que a Warner precisava tocar algum projeto relacionado ao Superman nos cinemas, para evitar que os herdeiros de Siegel – ou os de Shuster, que poderiam entrar na disputa posteriormente – alegassem o “abandono” do personagem pelo estúdio, o que serviria de base para novas ações judiciais, com a Warner correndo o sério risco de perder os direitos cinematográficos do kryptoniano ou ter que pagar vultuosas indenizações pela sua inércia.

Resumindo: melhor gastar tentando fazer algo que poderia, um dia, dar algum lucro, do que ter “perda total” cedendo direitos ou pagando pelo NÃO uso do personagem.

Henry Cavill em O Homem de Aço, no papel-título.

“Mas”, alguém poderia perguntar, “qual a lógica de gastar dezenas de milhões de dólares com filmes que não aconteceram? Não seria menos dispendioso fazer um acordo com os herdeiros e trabalhar com calma, sem sustos ou pressão?”.

Bom, em primeiro lugar, temos que lembrar que não podemos mensurar quanto custaria o “licenciamento” – ou uma nova cessão de “diretos perpétuos” – do personagem para DC (quadrinhos, um acordo), para a Warner (filmes, outro acordo) e demais formas de utilização (games, parques temáticos, merchandising, etc.), mas não seria pouco dinheiro.

Também havia uma possibilidade de desastre à longo prazo, pois, ainda que perdesse o processo para os herdeiros, a Time Warner não apenas continuaria dona da “marca” Superman nos EUA, como manteria os direitos internacionais sobre o personagem. É fácil perceber o caos que poderia ser gerado se, por exemplo, a Disney fizesse uma grande proposta aos Siegel, para produzir um filme do homem mais rápido que uma bala.

Em 2002, a treta se estendeu ao Superboy. Dois anos depois, a família Siegel foi com força sobre a Warner, em uma ação que questionava a utilização do personagem, principalmente na série de TV Smallville. Acredita-se que a discussão judicial foi um dos motivos para que o programa perdesse força – e, principalmente, investimento – daí em diante, mesmo tendo boa audiência, terminando de forma frustrante, ao não mostrar o personagem voando ou fazendo uso do seu uniforme clássico.

Agora, acima de tudo, sou de opinião que o principal incentivo para que a Time Warner continuasse gastando em argumentos, roteiros e designs que, no fim das contas, não foram desenvolvidos, mas continuam a ser de sua propriedade, em vez de entregar quantias vultuosas para as herdeiras de um dos criadores do personagem, foi o fato de ter sido firmado um acordo com elas, que voltaram atrás depois que o polêmico advogado e produtor cinematográfico Marc Toberoff entrou no circuito, “do lado” (aspas indispensáveis!) das senhoras Siegel.

Outra coisa que deve ter tido influência prática zero, mas que inflama discussões, é a imagem negativa que a Time Warner sempre ganha nestes casos, por conta da situação de penúria em que faleceram Jerry Siegel e Joe Shuster. Observem que o acordo firmado no fim do século passado não foi o primeiro: ainda em 1938, ao custo de 130 dólares – cerca de US$ 2.180,00 nos dias de hoje – e, extraoficialmente, um contrato de dez anos como criadores, Siegel e Shuster cederam à National “direitos perpétuos” sobre o Superman. Já em 1948 (ou seja, após o término do contrato de trabalho), em outra disputa judicial, foi decidido que a editora continuaria detentora dos direitos de copyright, mas os autores receberam a quantia de US$ 94 mil, equivalente hoje à quase US$ 970.000,00.

Joe Shuster, Neal Adams, Jerry Siegel e Jerry Robinson.

Já em 1975, uma campanha, comandada pelo artista Neal Adams, fez com que a DC fizesse um novo acordo com a dupla de criadores, que se encontravam em dificuldades financeiras. Não apenas foi garantido o crédito aos mesmos (o famoso “Superman, criado por Jerry Siegel e Joe Shuster”) como uma “compensação” aos autores: uma pensão vitalícia de vinte mil dólares (posteriormente aumentada para trinta mil) anuais para cada um. Nos valores de hoje, pouco mais de US$ 93.000,00.

Tá bom? Pois em 2016, em decisão de última instância (9ª Corte de Apelação), a Time Warner venceu a disputa, pois foi reconhecido como válido um acordo milionário feito em 2001 entre o grupo corporativo e a família de Jerry Siegel, em que uma nova cessão foi negociada e os direitos sobre o personagem foram definitivamente transferidos para a Warner. Para os julgadores, a lei de 1976 obrigava uma revisão dos contrato de cessão, mas não anulava o ato em si. Com o acordo apresentado pela DC/Warner – considerado “altamente lucrativo” -, se deu por encerrada a questão.

Não à toa, foi apenas na segunda temporada que o Superman (Tyler Hoechlin) apareceu na série da Supergirl (Melissa Benoist).

Um caso arrastado, cheio de nuances e, para aqueles que odeiam até a menção a códigos, leis e “aplicadores do direito”, chatíssimo. Mas que, espero, tenha mostrado um pouco das engrenagens que levam a certos investimentos que parecem “loucura” em Hollywood. No fim, para mim ficou a impressão de que estivemos diante de mais um caso da “vida real”, sem heróis reluzentes, vilões tenebrosos e, principalmente, vítimas inocentes. Agora é esperar o que irá ocorrer em 2033, quando o Superman, pela lei americana, deverá cair em domínio público. Isso, claro, se, mais uma vez, a Disney não resolver a treta de antemão. Afinal, o Mickey Mouse deve se tornar “público” dez anos antes.

  • CavaleiroDaRua

    Excelente texto JJota, a forma que ele foi escrito e os detalhes tá melhor que muito site de “Jornalismo” por aí.

    Mas será que sairia algo bom da Produção Vaughn X Millar ?

    • JJota

      Cara, o Millar não desistiu.

  • Genival Júnior

    Texto de qualidade jornalística (foi um elogio, esqueça esses jornalecos nacionais). Parabéns @Jota2:disqus!

    • JJota

      Poxa, valeu!

  • pabloREM

    Até que enfim encontrei alguém que acha os Batmans do Tim Burton uma merda, e o último do Nolan também. Só discordo de Superman IV, esse sim um clássico do trash, o filme é toda podreira que a “falta” de dinheiro pode comprar. Primeira vez que vejo o Superman da série, parece um cospobre.

    • JJota

      Cara, aqueles dois filmes do Burton são muito ruins…

  • Anubis_Necromancer

    Bruce Banner de volta dos mortos (novidade…)
    http://2.bp.blogspot.com/-1YjSaTs-YAo/WVOvW4JsDPI/AAAAAAAAAxE/kdC6gTGjgWAruWDDroi_c0Z3-awo7qvPQCHMYCw/s1600/RCO033_w.jpg
    Império Secreto 5.
    Porra Marvel, tá foda, hein?

    • Frogwalken

      Nenhuma novidade mesmo, ele ia voltar de um jeito ou de outro.

      E a qualidade da arte tá ó… Um cu!

  • Digo Freitas

    Texto muito legal!
    E sobre a Lei Mickey, provavelmente já devem ter algo na manga e muita gente no bolso.

  • Mandou bem, @Jota2:disqus!!!

  • Robin Hood

    JJota, o cangaceiro das trevas, atacando com um texto digno de jornalismo de primeira pela quantidade de fatos e pesquisas envolvidas.
    Pena que você chegou no mundo meio atrasado, meu caro J. Poderia buscar um emprego de estagiário de jornalismo no planeta diário.
    PS: vai guardando esses textos todos os poder processar o BdE pelos seus direitos autorais.Mas não agora… Espera os caras ficarem ricos e famosos, ou seja, mais ou menos uns setenta anos!

    • JJota

      Só meus herdeiros, então. Se não tiver caído em domínio público…

      • disqus_zLe6H8SarA

        Tu é de pernambuco é?

        • JJota

          No.

  • Havia lido o preview. Excelente como sempre.

    Apesar de tu não curtir muito , os números também explicam (ou ajudam ) a entender que o mundo dos gibizinhus é muito mais do que somente a nossa fanboyzice

    • JJota

      Confesso que fiquei “besta” quando atualizei os valores pagos.

  • Canoa Furada

    Matéria sensacional! Parabéns JJota!

    É legal ver como os negócios influenciam as decisões criativas, às vezes a gente discute alguns assuntos sem ter, na realidade, a mínima noção de nada. Pior ainda quando é uma assunto muito mais “sério”, e não o nosso querido e amado hobby.

    • JJota

      Pois é… Quanto mais pesquisava, mais interessado ficava no assunto.

  • Slag, o desnecessauron

    Neal Adams o cacete. Esse aí é o Elvis. E pior, o Elvis gordo!

  • Anubis_Necromancer

    Na verdade o filho do Super no filme Returns, não era asmatico. Apenas fingia ser. Tanto que na hora que ele jogou o piano no cara que ia matar a mãe dele, ele dispensa a bombinha.

  • starscream2

    Revendo todos esses acordos, não é possível dizer que Siegel e Shuster morreram na pobreza por culpa da Warner/DC. Se ambos soubessem investir direito a grana que receberam em 1948 (vou desconsiderar os acordos posteriores), poderiam ter tido uma vida muito tranquila.

    • JJota

      Pois é. Lembrei muito da biografia do Garrincha: ele ganhou muito dinheiro,administrava mal, perdia tudo e colocava a culpa no Botafogo, que o “explorava”.

  • Glaydson Melo

    Excelente post/artigo, Jjota. Dá (ui) uma boa tese.

    • JJota

      Rende um papo na mesa do bar, o que é tão bom quanto!

  • Fernando

    Eu trabalho com comunicação desde o século passado (contando pela lógica temporal do DCU, deve ser o intervalo de tempo em que rolou umas quatro ou cinco Crises Finais, Infinitas, Alucinógenas etc.).
    Perto do mercado cinematográfico, isso é uma nano merrequinha de merda zipada. Mas, mesmo assim, raramente aquilo que é criado e proposto para o cliente chega intocado ao final do projeto.
    É claro que uma coisa ou outra deve ser alterada, corrigida e até melhorada. Mas, a partir de um ponto, qualquer nova mudança já justifica o reinício do projeto. Senão, vira um Frankenstein: uma massa de ideias sem afinidade e costuradas em um mesmo trabalho sem personalidade.
    E isso nasce daquela legião de palpiteiros, ASPONES, puxa-sacos, carreiristas, gente mal intencionada que só quer pegar carona no trabalho alheio e se dar bem.
    Isso sem contar com as brigas de ego, conflitos interpessoais e ingerências que qualquer lugar tem, mas que ficam piores em grandes projetos com grandes interesses.

    Eu vejo as produções da DC/Warner algo assim. Só que 10 milhões de vezes pior.
    Synger fez um filme chato, mas é um filme coerente de cabo a rabo (putz…). Nolan fez três filmes excelentes. Ambos estavam, ao que parece, no controle dos seus projetos.
    Mas, a partir daí, a coisa desanda. (WW que me desminta!!!)

    É quadrinista posando de consultor criativo. Diretor visionário espalhando miopia. Ausência total de criatividade e ousadia. É uma sequência de erros que dá dó.
    Eu imagino quanta pressão deve rolar internamente. “Olha, Sr. Produtor”, diz o pica-grossa-das-galáxias, “O rato-camundongo transformou a editora Maravilhosa em uma usina de fazer dinheiro. E nós?”

    Corrigir toda a merda que rolou até o momento, seja criativo, jurídico ou comercial, vai custar ao estúdio mais do que parar tudo e reiniciar. Não vai aliviar a pressão por resultados, mas a DC/Warner precisa de ar fresco.
    WW já provou isso (a chance foi desperdiçada pelo Esquadrão Suicida) e que Joss Whedon possa dar um novo rumo pra esse trem desgovernado.

    Porque, se não for assim, #chupaDC vai conquistar mais valor de mercado que a própria editora.

    • JJota

      É quadrinista posando de consultor criativo. Diretor visionário
      espalhando miopia. Ausência total de criatividade e ousadia. É uma
      sequência de erros que dá dó.

      Penso assim: Snyder mandou muito mal, mas está longe de ser o único culpado. Geoff Johns já estava trabalhando em Lanterna Verde…

      • Fernando

        Claro. O problema é uma sucessão de erros sob uma pressão enorme por resultados.
        Mas tanto o Snyder quando o Johns fazem parte dessa cadeia de problemas.
        Seja por falta de talento, por excesso de poder ou por desconhecer que cinema é uma mídia que tem suas particularidades.
        Vai saber…

  • Queria muito ver essa trilogia do Mark Millar no cinema.

  • Só falta o Jotinha virar SJW, pois textão ele já sabe fazer! BWAHAHA!

    Ótimo post, meu Cangaceiro das Trevas!

    • JJota

      Obrigado, nosso Freddie Mercury desbigodado!

    • Nada é tão ruim que não possa piorar…

    • Eduardo

      “Problematizou” o POBREMA do Supes…

      Mas com qualidade.

  • Frogwalken

    Então G0Yer e Dolan passaram uma rasteira no Waid ?!? FI DAS PUTA!!!

    Por isso que não tivemos um filme DIGNO do Superman e ganhamos um Mano de Estilo!

    • JJota

      Aguarde a resenha de MoS!

      • Frogwalken

        O que Aconteceu com o Homem do Amanhã?

        Eles trocaram aquele que inspira Esperança pelo que inspira Medo e Quebra Pescoços!

        • JJota

          Não digo que será uma defesa, mas, assim como este post, pesarei prós e contras e tentarei, claro, responder esta pergunta!

          • Frogwalken

            Só sei que o Jor-El foi melhor pai que o Jonathan babaca do filme! =P

          • JJota

            Difícil ser pior, né?

          • Frogwalken

            E já que era pra inserir o Zod, pelo menos que mostrassem os Robôs Kryptonianos servos do Super ou pelo menos o Erradicador ajudando na treta, mesmo que temporariamente.

          • Glaydson Melo

            Teria sido foda o Erradicador nos cinemas. Perigava de fazer mais sucesso que o Super. Imaginei aqui a oportunidade perdida de fazerem no cinema a trama dos quatro Supermen disputando o lugar do Super “morto”.

  • O_Comentarista

    Excelente post! Fazia tempo que não via algo dessa qualidade no BdE…

    Ou seja, a razão é tudo pelo vil metal.

    Se é assim, troquem o símbolo do Superman por $.

  • Super do BdE

    Ainda me lembro que o Brian Singer gastou 10 milhões de Trumps numa cena que nem foi em Superman Resturns

    • JJota

      O pior foi o sujeito chegar no primeiro dia de reunião, contrato assinado e tudo, vem toda uma equipe mostrar tudo o que a Warner tinha investido até então e ele… “Não, joga tudo fora! Vamos começar do zero!”

      Aí o cara vem com duas cenas longas, caras e, de certa forma, frustrantes, que são a do avião e a da ilha. E com um final arrastado…

      • Super do BdE

        O mais engraçado é que o Singer fica puto quando dizem que o filme dele fracassou.

        • Frogwalken

          QUE VIADO! Não pera…

        • JJota

          Cara, eu defendo até o Hulk do Ang Lee, vejo qualidade no meio dos erros, mas…

          Velho, Superman Returns é ruim demais! Elenco ruim, história ruim… Só tem uma fotografia muito boa, mas de resto é chato pra kct!

          • Eu sou o contrario. Até curto o Superman Returns… mesmo só tendo visto ele uma vez.

  • Resumindo, pros DCnecos que acham que a DC tá lucrando… CHUUUUUUPAAA!!!!

    • JJota

      Mas a DC lucra, sim. MoS deixou uma boa grana, assim como Esquadrão Suicida. BvS deu um lucro razoável, mas muito aquém daquilo que o estúdio esperava e o que os personagens poderiam render.

      • Frogwalken

        Cagaram num filme com a TRINDADE, imagina o que vão fazer com a Liga…

        • JJota

          O que estão fazendo, já que estão filmando “cenas adicionais” (ou seja, filmando a porra toda de novo!).

          • Frogwalken

            Algumas cenas, até onde li. Vai dar merda…

          • JJota

            ELES dizem que são apenas “cenas adicionais”. O que é estranho, porque o pessoal que trabalhou com o Snyder disse que um dos defeitos dele é justamente filmar coisa demais e depois ter dificuldade de cortar. E ainda tá precisando de cenas adicionais?

          • Frogwalken

            Só sei que se depender de guris como esse aqui, vai ser um sucesso mesmo se feder a vômito.

          • JJota

            Filme de reação é tão idiota! E ainda tem nego como esse aí que exagera…

          • Frogwalken

            Esses curtem NAVES EM FORMATO DE JEBA! =P

          • Só que agora sob a direção de alguém com algum talento.

          • JJota

            Era de Ultron é bem ruinzinho…

          • Mas aí a Marvel censurou muita coisa que ele queria ter feito. e ruinzinho ainda é muito melhor que o que o Snyder andava fazendo.

      • Some isso ao que já foi jogado fora nesse filme…