Salve, salve, meninos e meninas. Lembram quando eu postei sobre a Summer Sale da PSN? Eu aproveitei para comprar Shadow Of The Colossus, aquele jogo clássico do PS2, por apenas 14 cascalhos de dólar. SOTC foi muito aclamado na época, mas será que depois de 8 anos, o jogo continua bom? Vamos ver.
Para quem não sabe, Shadow of the Colossus conta a história de Wander, um jovem que pretende ressuscitar uma garota chamada Mono. Não sabemos nada dela além de saber que foi sacrificada por ter um destino amaldiçoado. Wander e seu cavalo, Agro, cavalgam por uma região chamada Terra Proibida, um vasto território cheio de ruínas, dando a entender que já foi povoado, e com um imenso templo no meio. Lá, ele encontra uma entidade, Dormin, que se surpreende com o fato de Wander estar com a Espada Ancestral, e sela um acordo com Wander: ele ressuscitará Mono se o rapaz destruir 16 ídolos dentro do tempo. Todavia, eles são indestrutíveis, e a única forma de acabar com eles é matando os colossi, criaturas imensas que parecem uma mistura de material orgânico com elementos arquitetônicos, e que são avatares desses ídolos.
E lá vai Wander. Conforme a história passa e os colossi vão sendo destruídos, feixes de energia negra entram no corpo de Wander, e sua aparência vai se deteriorando e se tornando demoníaca, chegando a desenvolver chifres. Perto do fim do jogo vemos um sujeito chamado Emon e seu exército indo até a terra proibida. Após o último colossus cair, eles chegam e vêem Wander em um estado terrível. Declarando que ele está “possuído pelos mortos”, manda que ele seja morto. Mas Wander acaba possuído por Dormin, se tornando um gigante sombrio, e descobrimos que cada colossus tinha dentro de si uma parte da essência da entidade, de forma a selá-lo, e toda essa essência foi para o Wander (lembra dos feixes de energia negra? Então). Fugindo, Emon joga a Espada Ancestral em um poço dentro do templo criando um redemoinho que parece absorver Dormin e Wander. Emon e seus guerreiros conseguem fugir, Mono ressuscita, e encontra um pequeno bebê de chifres no poço. Fim.
Agora vamos ao jogo. SOTC é um puzzle-platformer disfarçado, com alguns elementos de exploração. O que diabos é isso? Um jogo de plataforma em que o próprio estágio se porta como um quebra-cabeças, que precisa ser resolvido para você prosseguir. Limbo é um bom exemplo. A jogabilidade consiste em encontrar o colossus da vez, descobrir como subir nele, achar seus pontos fracos e finalmente derrubá-lo. Vamos analisar um pouco do jogo?
Os cenários são enormes, assim como os inimigos
Jogabilidade
O controle de Wander em si é preciso – enquanto está no chão. Ele pode atacar com a espada, flechas, agachar, pular, escalar, e chamar o Agro, e os controles respondem bem. No entanto, é um pouco frustrante quando está em cima dos colossi. Ok, são gigantes se chacoalhando para que ele caia, mas muitas vezes Wander age como se tivesse labirintite, caindo sem razão aparente. Muitas vezes o gigante vai estar praticamente parado, e ainda assim o herói vai perder o equilíbrio.
Mas nada é tão horrível quanto cavalgar Agro. O cavalo parece querer fazer o oposto do que você quer metade do tempo. Passar por um pedaço estreito então é um martírio. Programado para parar em um precipício ou em uma parede, ele praticamente não anda muitas vezes, te levando a preferir desmontar e andar a pé.
Gráficos
SOTC foi feito para ser bonito. E realmente é – os cenários são incríveis ao longe até hoje, e o HD fez muito bem ao jogo. Na época, o jogo suscitou diversas discussões sobre videogames serem arte. Muitos cenários estão lá apenas para ser belos, e esse objetivo é atingido – até você se aproximar.
Sabem um macete para você ocupar pouca memória RAM em um jogo? Quando seus cenários estiverem distante, use texturas de baixa resolução, que ocupam menos memória. Conforme o personagem do jogo se aproxima, substitua sutilmente essa textura por uma de resolução maior, e o jogo continua bonito. Bem, SOTC tinha um problema na época do PS2: não era sutil. A troca acontecia muito próxima, às vezes cerca de 20 metros na escala do jogo, permitindo que você veja claramente a troca das texturas. Isso até era perdoável na época, mas ele continua nesse port. E isso é inadmissível em um jogo que está sendo jogado no PS3.
“Com licença, amigo… que merda você está fazendo?”
Som
Basicamente, SOTC tem 2 temas principais: um que começa quando você acha o colossus, e outro, empolgante, que começa quando você sobe neles. É isso. Os efeitos sonoros são ok, não comprometem o jogo mas também não são uma revolução.
Replay
Algumas batalhas são muito divertidas. Eu adoro as duas com os colossi voadores, são lutas empolgantes, exigem habilidade, e te fazem sentir que está fazendo algo épico. Outras são um saco – eu odeio ter que lutar com o quarto, subir nele parece depender mais de sorte que outra coisa. Depois de terminado o jogo, você pode recomeçar o jogo com sua resistência do nível que estava ao terminar, e tem disponíveis modos de Time Attack, podendo destravar vários itens.
O jogo consegue dar uma sensação de pequenez frente aos Colossi
Sabem, pra mim uma forma de saber se um jogo é bom é o teste do tempo (Super Mario Bros. 3 por exemplo sempre vai ser um excelente jogo, não importa quandos anos se passem), e eu acho Shadow Of The Colossus envelheceu mal. Ainda é um bom jogo, sim, mas suas falhas me parecem muito mais evidentes agora. Eu não acho que gráficos são necessariamente importantes para a qualidade de um jogo, mas as falhas que acontecem simplesmente não podem ser ignoradas. E diversos momentos continuam ainda muito frustrantes. Com gráficos HD e suporte a troféus, Shadow Of The Colossus vale ser jogado – ainda mais por apenas R$19,99 (preço sem a promoção). Apenas tenha em mente que você pode não achar o jogo tão fantástico assim.
NOTA 7
Leonardo
Um nerd velho, nostálgico e pixelado.




