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Revista escrita pelo PAAAAAAAI? Só pode ser Ótima!!!! (será?)

Então, amiguinhos, olha eu de volta com uma resenhazinha cobrindo as malditas férias do King. Mas como eu não leio nada recente (por uma questão de sanidade mental), vou quebrando o galho fazendo resenhas das velharias mesmo, mas só filé, fiquem tranquilos.

E a resenha de hoje é filé com fritas de primeira, mais uma obra com a mítica assinatura do PAAAAAAI, o Pelé dos quadrinhos, o Da Vinci da Nona Arte – tá, chega de bichice – eu to falando de Alan Moore, que ao lado de Gene Ha e Zander Cannon lançou a série TOP TEN no fim da década de 90.

Imagine o seguinte cenário: acabou a Segunda Guerra Mundial, legal, mas ela não acabou com as bombas atômicas jogadas no Japão, não, o que fez acabar a WWII foi a ação de jovens destemidos e seus super poderes lutando contra as forças do Eixo (Alemanha, Japão e Italia). Sim, rapazes e garotas que por uma cagada qualquer do destino passaram a lançar raios dos olhos, ficar invisíveis ou começaram a voar, cientistas loucos e seus monstros peludos, toda essa fauna unida contra o Reich, alterando o destino da humanidade.

Puro fantastiquismo, né?

O problema é que essa grandissíssima vitória dos Aliados trouxe consigo um efeito colateral. Explico: ser herói virou o máximo, heróis viraram as novas celebridades, o sonho de consumo de qualquer cidadão da sociedade ocidental. Daí que o número de herois – e suas contra partes, os vilões – vagando pelas cidades aumentou exponencialmente. Seres esquisitos com poderes bizarros passaram a ser uma rotina na vida do cidadão comum. E quem quer sentar-se no metrô ao lado de um cara que solta areia pelos poros? Quem quer trabalhar ao lado de uma moça telepata que fica escutando seus pensamentos? Não dá, né?

A solução para essa novidade dos tempos modernos foi a criação de Neópolis, uma cidade feita para seres especiais, habitada todinha pelos novos super seres que povoam o mundo. Criada por cientistas malucos (alguns vindos do III Reich) a mando do Governo, Neópolis poderia abrigar super seres vivendo em harmonia, deixando as cidades de humanos ‘normais’ livres deles. O que não esperavam é que a nova cidade teria os mesmos problemas das ‘velhas’ cidades: excesso de gente, crimes, drogas, prostituição, sujeira, trânsito caótico, etc. Se esses males dos grandes centros urbanos já são um saco numa cidade habitada por pessoas normais, imagina numa lugar habitado por super seres? A questão da segurança pública então, nem se fala… Como prender um transmorfo? Como algemar um cara que se liquefaz e escorre pelo bueiro?

Só tinha uma solução:

Uma polícia formada por super seres.

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E como se não bastasse o problema de nossa Neópolis, ainda tivemos conhecimento das Terras Paralelas, cada uma com sua Neópolis e problemas correlatos aos nossos. Por isso as forças de segurança se uniram em rede, cada uma dessas cidades tendo seu distrito policial. A Neópolis de nossa Terra abriga o Décimo Distrito, apelidado pelos policiais de Top Ten.

E é a partir daí que se desenrola a ação, com a chegada da policial Robyn Slinger, a qual serve de ponte para introduzir o leitor no mundo – principalmente no submundo – de Neópolis

Logo de cara Robyn é designada para ser a parceirinha de Smax, um cara taciturno e durão, virtualmente indestrutível (nada vindo do Moore é gratuito, né?) e os dias no Top Ten estão bem agitados porque tem um assassino chamado Libra a solta pela cidade e ninguem faz ideia de quem ele seja. Não bastasse isso, também há uma investigação em curso sobre a morte de um traficante chamado Sela, que leva os detetives ao esconderijo do Dr. Gromolko, um dos cientistas malucos fundadores da cidade. Robyn ajuda a prender Gromolko e o levam para interrogatório, mas ao se ver pressionado por um policial telepata, Gromolko pega uma arma e estoura os proprios miolos na frente de todo mundo (desculpem pelo spoiler).

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E aí, por que Gromolko, velho safado e cascudão, se matou? O que de tão tenebroso ele guardava que preferiu tirar a própria vida a revelar?

E o Libra? Quem é, qual será a próxima vítima dele?

E a menina Robyn? Ela tem uns robozinhos que a ajudam e ficam guardados dentro de uma caixinha de brinquedo, mas será que é só isso que ela tem de poder?

Como vocês já devem ter percebido trata-se de uma baita história policial, nos mesmos moldes de trocentas outras, a grande sacada do Moore foi levar uma história clássica para o mundo dos heróis e vilões, e eis aí a grande graça de Top Ten.

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A revista foi premiada com o Prêmio Eisner em 2000, o volume 1 de Top Ten é um arco fechado de 7 edições, tendo Moore como roteirista e a arte de Gene Ha e Zander Cannon, que com um traço sujo porém extremamente detalhista e cores ‘chapadas’, conseguem passar todo o caos urbano de Neópolis, sua sujeira e seu submundo de drogados, traficantes, bandidinhos e prostitutas. Chega a dar mal estar ver as ruas cheias de pessoas indo pra lá e pra cá meio sem rumo, o fato delas estarem vestindo capas ou terem antenas na cabeça é só um detalhe, trata-se do retrato de uma cidade decadente como uma São Paulo ou uma Cidade do México, igual a tantas outras.

Fica a dúvida se Top Ten foi uma tentativa do Moore de brincar com o mundo dos heróis levando para ele a realidade das ruas ou se foi um projeto de entrar no mundo dos contos policiais mas sem sair da ‘zona de conforto’ de trabalhar com heróis e vilões, que ele conhece tão bem.

Whatever, o que importa é que é uma excelente revista, das que você termina uma edição e já pega a seguinte porque não aguenta de curiosidade pra ver como vão se desenrolar as investigações e histórias paralelas dos detetives e bandidos que frequentam o Décimo Distrito Policial para super seres.

Leitura obrigatória.

Inté.

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