Treta Civil e a Tie-in do JJota. Participação “especial” do ‘Joker’ Dadá e Eunuco.

1

Joker, o filósofo máximo do BdE, adentrou terras desconhecidas, onde bêbados e putas cambaleavam pelas ruas e a cada metro parecia estourar uma briga. As fracas lâmpadas pendentes dos imundos postes de iluminação pegavam de vez em quando o brilho de uma peixeira descrevendo arcos pouco graciosos, mas bastante sangrentos.

Ele parou diante de um estabelecimento imundo. Abriu a mão para conferir o endereço – claro que jamais traria uma simples agenda para aquela região. Um sujeito de péssimo hálito, com um tapa-olho sujo cobrindo o local do olho esquerdo, tentou barrar sua passagem:

Segurança: “Quíqui ocê  qué aqui, seu fiduégua?”

Recomendação do Sorg

2

Foi o que bastou para que boa parte da confiança de nosso herói retornasse. Afinal, explorar novas linguagens (linguagens, não línguas, por favor!) era justamente o seu principal poder secreto:

Joker: “Kieíçu, manu? Mi seda a paçajem, pó obzékil!”

O pobre caolho se viu fulminado, atingido de forma direta pelo dadaísmo convertido em forma de som! Estrebuchando, com sangue saindo de seus ouvidos, a pobre criatura nem imaginava a sorte que seu único olho tivera ao não ser exposto à forma escrita de tão superior forma de comunicação!

3

Ao atravessar a porta, Joker pensou que tinha passado à dimensão infernal: calor, barulho ensurdecedor, fumaça, mau cheiro e um bom número de criaturas seminuas que só poderiam ser aceitas como fêmeas dentro dos altos padrões de exigência dos “leitores” do BdE! Por sorte, ele encontrou dois conhecidos:

Joker: “Hinacreditáveu Nil! Tódi! Tambéin resseberaum o meu xamadu?”

Inacreditável Neo (tentando firmar a vista, completamente embriagado): “Hã? Como? Quem? Quando? Quanto? Como? Como, sim!”

Toddy Toddy (em situação tão ruim quanto): “Dadá, meu rei! Você por aqui, meu cumpadi? Vá se achegando e dê suas ordens, meu filho!”

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Joker (ocupando uma cadeira, enojado com a mesa ocupada de cinzeiros, garrafas vazias e pratos sujos): “Mandei um imeil pro JJota! Foi eli ki avizol vosseis?”

Inacreditável Neo: “Hã… Mais ou menos… Quer dizer, eu…”

Toddy Toddy: “Olha, Dadá, na verdade é preciso catanear um pouco essa questão e…”

JJota(surgindo de repente): “Eles estão aqui desde a Trutas War!”

Joker: “Çériu?”

JJota: “Sim. Ficaram tão unidos que estão até dividindo uma conta no Facebook! Mas vamos a um local mais asseado para tratarmos do assunto que o trouxe aqui.”

Uma passagem surgiu do nada e logo os quatro estavam em um ambiente requintado e limpo. A mesa à qual sentaram estava coberta por uma imaculada toalha branca de seda. Um garçom em traje completo rapidamente serviu bebidas chiques aos amigos (Inacreditável Neo e Toddy entornaram imediatamente as suas) enquanto uma bela moça ofereceu cigarros e charutos para todos (Toddy colocou uns quatro no bolso).

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Joker (impressionado): “Mais… Mais… Comu?”

JJota: “Sou um dos donos do lugar! De onde acha que tiro dinheiro para comprar quadrinhos? E, claro, me reservo certas regalias: ser herói e pobre é coisa pra bocó do nível do Homem-Aranha! Por falar disso, espero que você um dia mude seu visual! Vejo que continua parecido com algo que odeio!”

Joker: “Jotinha, eu não mi chamu Joker à toa! Eu sou o palhaçu…”

dada

JJota: “O Coringa é foda! Estou falando desta merda de roupa do merda do Robin! Mas deixemos isto pra depois: o que ta rolando?”

Por quase dez minutos, Joker discorreu sobre os últimos acontecimentos. Felizmente, JJota era nerd das antigas e tinha treinado sua mente para a forma extraordinária com que o Enxuto se expressava. Toddy e Neo, além de também não serem novatos naquele mundo, estavam suficientemente bêbados para ascenderem a uma nova forma de consciência onde as palavras que saíam da boca de Dadá pareciam ter sido construídas para um texto de Jorge Amado!

JJota: “Hum… Enxutos desaparecidos! Praticamente toda a velha guarda! Precisamos localizar essa galera! Quem você procura, Mestre Dadá?”

Joker: “Fikei de eincountrar o El Nuko, Jotinha!”

JJota: “Precisamos de um ponto de partida, amigo!”

Joker: “Pó içu vin aki! Tenhu o note buc deli.”

Um silêncio imediato se estabeleceu na mesa.

Inacreditável Neo: “O… o… notebook do… Eunuco?”

3-neo

JJota (a voz quase sumida): “Me entregue aqui, Dadá. Por favor!”

Cercado de um lado por Toddy e do outro por Neo, JJota abriu a máquina e a ativou. O longo tempo que ela levou para carregar foi um verdadeiro suplício para os três amigos.

JJota: “Ok, por onde começamos? ”

Inacreditável Neo: “Aquela pasta ali, ó: ‘Fotos Regra 13’.”

De início impassível (afinal, uma mente privilegiada dificilmente se deixa arrastar à toa para os dramas mundanos), Joker ficou observando enquanto o trio se concentrava profundamente na tela. JJota clicava de forma descontinuada, se demorando às vezes, noutras indo um pouco (apenas um pouco) mais rápido. Por duas vezes Toddy desmaiou, mas logo recuperou os sentidos e voltou a se concentrar profundamente na análise da tela. Neo não desmaiou, mas suava, fechava o rosto, assanhava os próprios cabelos e respirava com dificuldade.

JJota: “Isso foi… instrutivo”

Joker: “Encontraram auguma coiça?”

Toddy: “Com certeza, meu belo! Nosso Senhor do Bonfim seja louvado!”

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Inacreditável Neo: “Olhe essa outra pasta: Vídeos!”

Mais uma vez os três nordestinos se entregaram a uma profunda concentração. Joker, já sentindo a tão humana impaciência, pigarreou algumas vezes para demonstrar sua contrariedade enquanto observava aflito que as horas passavam.

Por fim, JJota confabulou rapidamente e em voz baixa com Inacreditável Neo, cada vez mais pálido, e Toddy (recém-saído de um novo desmaio). A discussão se arrastou por alguns instantes.

Joker: “I aí? Ke ta pegandu?”

Inacreditável Neo: “Estamos decidindo se olhamos a pasta de gifs ou a de arte erótica!”

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Joker (furioso): “O KÊ? KARALHU, MANUS!”

Toddy Toddy: “Taí uma coisa que não tem neste notebook…”

Joker (ainda aos gritos): “JOTINHA, COMU PODI? O MUNDU NERDI INDU PRA VALA E VÔ-C FAZENDU POUCU CASU?”

JJota: “Calma, Dadá! Parece comigo lendo Novos 52…”

Joker: “CAUMA É UMA PÔRRA! SERÁ PRECISU QUI EU LEMBRI QUI VOÇA ÇENHORIA É UM ENXUTU ONORÁRIU! KI JÁ PARTISSIPOU DE QUATRU ENXUTOCASTS!”

Inacreditável Neo (baixinho): “Graaaaaaande bosta…”

Toddy Toddy (baixinho também): “Não foram apenas três? Deixa ver… Anos 80, Rock Nacional…”

JJota ficou em pé. Em tom solene, com a voz embargada, sentindo sobre seus ombros o peso da responsabilidade de ser um quase-talvez-um dia-membro-reserva do BdE, ergueu a mão e pediu silêncio.

JJota: “Desculpe, Dadá! Eu… lamento este momento de fraqueza… Todas as últimas sete horas de fraqueza…”

Joker (mais uma vez calmo): “Tudu beim, Jotinha… Çó.. Pur favo, tenti descobrí o paradeiru do Eunucu!”

JJota: “Quem? Ah, sim, claro! É só olhar aqui!”

JJota emborcou o notebook. No fundo, próximo à bateria, havia uma etiqueta com um nome e um endereço.

Joker: “Quandu… Quandu vosê percebel issu?”

JJota: “Quando você me entregou. Eu vi logo a etiqueta.”

Joker: “Mais… Mais…”

JJota: “Dadá, não podemos fazer nada antes de honrar a Regra 13!”

Inacreditável Neo e Toddy Toddy (ajoelhando-se): “SÓ A REGRA 13 MERECE SER HONRADA!”

JJota: “Mas agora ok. Vamos ao Jotamóvel!”

jotamovel

Inacreditável Neo: “Desculpa, Jota… Eu acho que… eu desloquei o cabelo! Não posso ir com esta dor!”

Toddy Toddy: “E eu, meu rei, acabei de encravar a unha do mindinho da mão esquerda neste exato momento!”

JJota (controlando à custo seu desdém): “Ok! Mas o notebook vem comig… Digo, conosco! E vocês voltem ao salão comum! Com o tamanho da conta que vocês tem aqui, nem a pau que vão ficar aqui na boa!”

Inacreditável Neo: “Ok… Ok… Cara insensível! Fala sério… Ah, Dadá, eu ia esquecendo: peça pra alguém ir resgatar o King em Mordor! Eu não agüento mais ver aquelas mensagens dele no XVídeos!”

tretacivil

Joker: “Tein… serteza?”

JJota (conduzindo Joker para a garagem): “Eu acreditaria se fosse você! Afinal, o seu nome é Neo e o XVídeos é a Matrix dele!”

casa

Eles pararam diante da modesta, mas simpática residência. Os dois amigos não conseguiam se livrar da incômoda sensação de armadilha que os assaltava enquanto observavam a rua calma, os vizinhos sorridentes, as crianças que saíam pra escola…

Joker: “Eli ta ali?”

JJota: “Sim, mas… Olha, Dadá: o quanto vocês sabem do que aconteceu com o Eunuco nos últimos tempos? ”

Joker: “Bon, tenhu ki confeçar um certu gral de ingnoânssia em relassão ao El Nuko…”

Sem dizer nada, mas contorcendo seu rosto sob a máscara, JJota se encaminhou, junto o Joker, para a porta da residência. Suas reservas em relação a uma potencial armadilha pareciam ter sumido. Ele tocou a campainha. Depois de uns instantes a porta se abriu e revelou…

Joker: “El… Nuko?”

Eunuco (asseado, barbeado, vestindo calças e camisa limpas): “Dadá? Jotinha? Poxa, que surpresa!”

JJota (sem deixar de notar que o Enxuto usou a palavra “surpresa” em vez de “prazer”): “A nerdsfera precisa de você, Eunuco! Hora de voltar com tudo!”

Eunuco: “Não! Eu… Eu não poss… Digo, não quero!”

Joker (perdido): “Voutar? Mais… Eli não foi capituradu?”

JJota (olhando fixamente para o Eunuco, estudando a reação dele às suas palavras): “Não, o Eunuco nunca foi capturado nem sumiu na Terra Selvagem… Ele apenas aproveitou a situação provocada um ano atrás! Os sinais eram evidentes: seus posts rarearam, suas intervenções com Regra 13 nos posts alheios sumiram, seus comentários perderam todo o conteúdo sexual… Ora, quanto tempo faz que ele não escreve ‘vou ali’?”

Joker: “U kê ki acontecel? Auguma trajédia?”

JJota: “De certa forma, não é? O Eunuco conheceu uma pessoa! E deve ter se casado!”

Eunuco (encarando JJota, sem nenhuma simpatia): “Ok, é verdade! Eu encontrei alguém e me casei! Agora, sou um homem com uma mulher! Não preciso mais da Regra 13! E… não preciso mais do BdE!”

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JJota: “Sério? É assim? Você nos educou, nos deu esperança, salvou milhares de posts chatos com suas imagens de bom gosto e agora… Agora, você abandona suas obrigações, nos dá (eita!) as costas (eita de novo!) e nos deixa na mão (no mau sentido)?”

Eunuco (tentando fechar a porta, impedido por JJota): “Cresça, Jotinha! Eu tenho uma mulher agora e…”

JJota: “E ela não gosta de Regra 13, confere? Sim, porque eu sei que o verdadeiro Mestre da Regra 13 não a ama por falta de opção, mas acima de qualquer uma delas! Podemos ter esposas, namoradas, amantes… Mas continuaremos devotos eternos dos belos nudes mais ou menos explícitos! Olhe tudo o que fez, quantos seguidores você tem! E eles também estão correndo perigo. O Frogwalken, por exemplo! E o BdE? Vai mesmo abandonar o boteco assim, sem mais? Vai deixar que o Império vença no final? Vai deixar que toda a próxima geração seja de fãs dos filmes de merda da Marvel?”

Eunuco: “Eu gosto dos filmes da Marvel!”

JJota (olhando para Joker): “Precisamos mesmo deste cara?”

Joker: “Elnuko… Por favô… Pelu menus, mi ajudi a encontrá os outrus! Auguns deles eran seus amigus!”

Eunuco: “Hã… Poxa… Sabe, o que vocês falaram agora… Eu acho que… Ora, a minha esposa viajou pra visitar a mãe dela mesmo… Não vejo por quê…”

eunuco

Uma violenta explosão atingiu a janela ao lado da porta. Os três amigos se atiraram ao chão e rastejaram até uma pequena mureta!

JJota: “Máfia! A coisa fedeu!”

Joker: “Temus qui fujir!”

Eunuco: “Tá uma zona aqui. E no mau sentido!”

JJota (entregando as chaves do carro para o Eunuco): “Vão! Eu vou ficar aqui e distrair os sujeitos enquanto vocês vão embora no Jotamóvel!”

Eunuco: “Como você vai fazer isso?”

JJota: “Sei lá… Vou pedir pra eles me explicarem o Rebirth da DC?”

Eunuco: “Ah, isso vai nos dar tempo suficiente mesmo!”

Joker: “Jotinha, eu nen çei…”

JJota: “Quando vocês pensaram em acabar com o BdE, mudaram de ideia atendendo aos apelos de caras como eu! O BdE é meu bar na internet! É pequeno, tem pouca variedade, nenhuma mulher, sequer chega a ser limpo todo dia… Mas eu sou de uma geração que amava os bares! Façam valer a pena! Vão!”

Joker e Eunuco alcançaram o Jotamóvel e partiram. Mais algumas explosões foram ouvidas, mas logo tudo cessou. Joker pegou o telefone e ligou para Majjin:

Joker: “Tudu oquêi, eztôl com o elnuko! Não, o Jotinha não veiu com a jenti. Eli… Nóis tivemus ki deixá-lu pra tráis… Ok, estamos indo! ”

..

 

 

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