Treta Civil

O mundo é assombrado por uma contaminação inexplicada. A humanidade caminha para sua extinção? Ou será que ainda há esperança? Acompanhe mais um capítulo de sua imperdível saga semanal, saída diretamente das páginas de Treta Civil! Veja aqui os capítulos anteriores…

Ainda se recuperando da surpresa de ter seu antigo nickname blogueiro chamado pelas agora criaturas, King percebe que o metrô estava a caminho da região norte. Logo veio a mente sua família e o lado bom de estar em sentido oposto a sua residência foi que em poucos segundos o metrô passa para a superfície, o que prontamente restabelece o sinal.

Uma ligação rápida e a estratégia estabelecida. Sua esposa e as crianças iriam para o interior, de carro. Aparentemente a contaminação se dava nos grandes centros urbanos e seus aglomerados de pessoas. Mesmo assim, a preocupação era latente e pediu para sua mulher tomasse o caminho mais longo, evitando os corredores expressos. Como King morava na Zona Oeste e em um lugar afastado, haveria espaço para uma saída sem riscos. Ou pelo menos grandes riscos. Neste interim, o metrô chega a estação Cidade Nova e passa direto, sem parar.  O homem se despede da esposa ao telefone, prometendo encontra-la em breve na casa de sua sogra.

Uma voz trêmula é ouvida nos alto falantes do vagão, já próximo ao fim do telefonema. O condutor se identifica e informa aos passageiros que irá o mais longe possível, tentando se aproximar da estação Pavuna. “Que Deus nos proteja”, afirma em um tom choroso. Pelos vidros do trem, um tanto sujos pelos DCnautas que tentaram invadir a composição na Central, King e os poucos fugitivos não acreditam no que vêem. Aqui e acola, sinais de chamas e fumaça. Carros batidos, alguns virados e também em chamas. Mesmo com o tradicional som do vagão sobre trilhos, sirenes e tiros são ouvidos. Há pessoas mortas ao chão e algumas com os claros sintomas de contaminação, vide o andar mais arrastado, parecendo zumbis.

As estações passam e o cenário é desolador. A maioria está deserta, mas em algumas temos as criaturas DCnautas e seu fantasmagórico olhar vidrado. O silêncio no vagão é palpável e aquelas pessoas que também fizeram suas ligações aos entes queridos agora tentam assimilar a situação. O vazio então é quebrado por um ruído. Um celular em modo vibração faz o seu rmmmmm. King finalmente nota que é o seu. Ao pegá-lo, quase 500 mensagens e todas de um grupo de Whatsapp. É o Zap-Zap do BdE, agitado como sempre.

Ao rolar o touchscreen para baixo, entre insultos ao intelecto de um ou das peripécias sexuais de outro, o tom da conversa começa a se tornar mais soturno. Desta vez, não por conta de brigas conjugais ou por problemas particulares diversos. O assunto passa a girar em torno dos acontecimentos que parecem permear a todos os BdEs:

Infame – Mas que p%rra é essa que tá acontecendo?

Eunuco – Não sei… tá rolando em todo o lugar. Aqui no Hell de Janeiro começou há pouco tempo e as comunidades estão fechadas.

Reverendo – Vocês não vão acreditar… isso parece coisa do Trutas War ou Treta Civil…

Moe – AEHAEHAEHAUHEAUHEUAE Não fala merda, Anão!

Rev – Eu ia dizer que esta risada é falsa… P%rra, tenho quase certeza que a m$rda de uma destas criaturas falou meu nick.

Sorg – Aqui na roça tá sussa.

MajjiM – Ontem a noite eu atualizei o blog, seus m$rdas.

Infame – P$RRA, MAJJIM! Depois falamos que tu usa drogas.

EunucoGruut, Super, Ckreed, King, Leo…. Estes putos não escrevem nada a horas. Aconteceu algo?

Dadá – Manu… eu sei o que tá rolando. Foi um sonho ontem e parece que se tornou realidade.

O visor do smartphone de King mostra uma gravação de áudio do Dadá. Entretanto, o sinal cai. Os telefones ficam mudos e ninguém mais acessa a rede. Estão todos incomunicáveis. O vagão diminui a marcha e a paisagem ao lado de fora ainda é desoladora. As ruas vazias e a voz do condutor é ouvida nos alto falantes, “Temos que parar”, trêmula e estranhamente lenta, quase um balbucio. “Não há mais para onde ir…. linhas obstruídas… Vicenteee de Carvalhooo a fren… Dêeeeee Cêeeeee”….

To be continue…

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