Tropa de Elite 3 – Operação Mãos Limpas #2

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Continuação direta daqui.

Sei que já disse isso antes, mas é incrível como ainda surpreende. O sistema é foda e sempre dá um jeito de se reerguer. Após as denúncias na ALERJ, parecia que a coisa iria melhorar um pouco. Até eu acreditei… ledo engano. Com os ratos abandonando o barco, outros entraram. Paladinos da justiça de pau oco surgiram e preencheram a ânsia por honestidade e decência da população. Papo para enganar trouxa. Um bando de bandidos safados e com cara de pau, mas um pouco mais cuidadosos com seus rastros, foi aos poucos tomando conta do pedaço. Lentamente o ‘sistema’ foi se restaurando e voltando aos benefícios de sempre para poucos, enquanto a grande maioria se fode por aí. E eu? Bem, parceiro, voltei a fazer o que sabia melhor…

D-1 para invasão no Complexo do Alemão. – Bom dia, senhores.

– Bom dia, Capitão. – responde o grupamento em uníssono.

– Senhores, o Governo do Estado do Rio de Janeiro pediu ajuda aos pés pretos para tomar o Complexo do Alemão e a Vila Cruzeiro. Pediram a porra do Exército Brasileiro para tomar o Alemão! E os senhores sabem melhor do que eu como são aquelas vielas e a bandidagem… por mais que não tenha pena de marginal, nós vamos ter que ajudar. Ou seja, os caveiras é que irão limpar o acesso para os pés pretos! – em uníssono novamente o grupamento grita ‘faca na caveira’ e batem o pé fortemente no chão, fazendo um som opaco, forte e intimidador.

– Pois bem, senhores, usaremos tudo o que sabemos até o momento. – Nascimento passa a apontar um mapa do imenso aglomerado de casas – Nossa missão é enfraquecer a bandidagem nos pontos de acesso. Os caras já desconfiam de que algo grande vem por aí, mas faremos o nosso trabalho para minimizar os problemas para quando os pés pretos chegarem. – com uma caneta, o Capitão marca os pontos onde há algum tipo de entreposto dos traficantes nos pontos estratégicos do Complexo. – O espetáculo é dos pés pretos…. mas o show é nosso. Vamos botar a bandidagem para correr!

Novamente um alvoroço entre os seus, mas no íntimo Nascimento sabia que tomar o Alemão seria relativamente fácil. O problema seria mantê-lo. Algumas milhares de famílias, inúmeras casas, vielas e esconderijos. Um cenário mais do que perfeito para se esconder. A maioria dos pontos do tráfico eram de conhecimento da polícia, entretanto acabar com a venda de drogas e violência ali não seria fácil e fugia apenas da ação militar. A política novamente entrava em cena e o Capitão não tinha mais paciência ou esperança com aquilo. Entretanto, missão dada é missão cumprida.

Madrugada de 28/10/2010. Complexo do Alemão. Antes da mídia noticiar ou oficialmente ser reconhecido, o BOPE invadiu o Alemão. Como há alguns anos não fazia, Nascimento acompanhou o primeiro grupo avançado. Em silêncio, os homens de preto foram avançando, sempre devagar, mas jamais recuando. A orientação era clara: disparos somente em último caso. Morte não era uma opção, salvo uma resistência grande dos traficantes, fato este que ninguém acreditava. Um trabalho limpo e eficaz, pensava consigo o Capitão. E de fato assim seria.

Ou quase. Sem enfrentar resistências, o grupamento destacado foi direto ao local indicado como ponto estratégico para o tráfico. No alto de uma pequena construção, os olheiros conseguiam vislumbrar quase todo o acesso, uma visão privilegiada de uma das principais entradas do Alemão. Escondidos pela penumbra do alvorecer, os homens de preto eram praticamente indistinguíveis das sombras. Entretanto, o dia começava a raiar e, por mais que usassem os blindados, qualquer tentativa de resistência passaria por algum tipo de enfrentamento. E naquele cenário, ninguém queria um noticiário com mortes, muito menos o governo estadual que surfaria na onda da popularidade por anos, caso a operação fosse um sucesso. Nascimento sabia disso, no entanto, era oportunidade única para capturar o espaço público dos marginais, a despeito dos interesses envolvidos. “Vamos usá-los como nos usam”, pensou.

Com gestos típicos, o soldado Souza avisa seu líder que avistara alguém no topo do edifício. Por mais que houvesse orientação para não fazer, os homens do BOPE sabiam que um tiro certeiro poderia derrubar a sentinela e poupar a população de um suposto enfrentamento. Mas não seria possível. O vigia estava em uma posição de defesa, encoberto, e não havia como acertá-lo. Se estivesse armado, poderia fazer um estrago e dar trabalho. Em silêncio, Nascimento aponta para Souza e Sandro, faz um gesto para passarem para trás do prédio. Os soldados entendem o recado e voltam uma quadra, fazendo uma volta para acessar a construção pelo outro lado. O silêncio anormal para àquela hora deixava mesmo os homens de preto mais experientes tensos. A qualquer momento a ação poderia começar.

Em poucos minutos, sob o olhar atento do Capitão, seus dois homens acessam o prédio pela lateral indicada, escalando um muro sob um ângulo que o vigia não teria como vê-los. Em passos rápidos e silenciosos, adentram o pequeno prédio de três pavimentos, sobre uma pequena elevação natural do terreno. Longos segundos se passam até que Nascimento vê o sinal que esperava. Souza faz um gesto que indica tudo estar sobre controle. A missão fora um sucesso e um dos principais acessos ao Complexo estava livre. Tudo fácil e limpo. ‘Estranhamente fácil’, balbuciou para si o líder.

Ao subir na construção, um jovem franzino, negro, por volta de seus 16 anos está sob custódia de Souza. Não houve resistência. Antes de partir para tomar o ponto mais alto da favela, Nascimento se aproxima, cruza os braços e pergunta ao jovem:

– Prezado cidadão, tudo bem com o senhor? Preciso de uma resposta rápida e objetiva. Onde está a liderança? Cadê o FB ou o Playboy?

– Não sei senhor.

– Souza, prepara o saco para clarear a mente do cidadão.

– Não, senhor, não precisa, senhor…

– Caro cidadão, tenho uma missão a cumprir e o senhor não quer que eu perca meu tempo. O senhor tem algo a me dizer ou o Souza precisará agir?

– Eu… eu .. não sei senhor. Só sei que ontem vieram alguns homens aqui bem vestidos e avisaram a liderança sobre os eventos de hoje…

 

Continua…

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