Futebol no BdE? Pode isso Arnaldo? Deixaremos de lado o mundo dos quadrinhos/cinema/séries?

Era uma vez, em um país estranho e muito confuso, um time de futebol bem peculiar. O Alvinegro de General Severiano é um daqueles clubes de futebol com um passado Glorioso, mas que vive de alguns momentos de brilho em sua história recente. Apesar de ser um grande clube de futebol, não é uma potência esportiva brasileira e habita o folclore do bruto esporte bretão em Terra Média Brasilis: há uma aura de ‘crendices’ associadas ao clube da Estrela Solitária, cujo bordão máximo e popular é que há certas coisas que só acontecem ao Botafogo.

Para os poucos afeitos ao futebol, vale aqui um breve resumo que motiva estas mal digitadas palavras. Com dificuldades financeiras, o Botafogo montou um plantel que se pode chamar de na ‘conta do chá’, ou seja, uma quantidade limitada de jogadores (ainda mais por disputar 3 campeonatos simultâneos) e sem nenhuma estrela. Para se ter uma ideia, o principal investimento do Glorioso foi Montillo, um jogador na casa dos 30, com passagens de algum brilho em alguns clubes brasileiros e uma ou outra convocação para a seleção dos hermanos argentinos. Eis que o jogador teve uma contusão grave e se aposentou do futebol. A outra ‘estrela’ Camilo, um jogador com brilhos esporádicos e certo sucesso no próprio Botafogo onde vivia sua melhor fase, caiu muito de produção e acabou deixando o clube por alguns desentendimentos com o treinador Jair Ventura (filho do Jairzinho, jogador tricampeão do mundo na famosa seleção de 70). Com a ausência destas estrelas, estaria fadado ao lema ‘coisas que só acontecem ao Botafogo’?

Eis que este time, sem estrelas ou estrelismos, diante da competição principal da América do Sul, a Taça Libertadores da América, passa a ter um desempenho impressionante. Aguerrido e ainda com os dois supracitados no plantel, passou com uma entrega e disposição comoventes pela chamada ‘pré-Libertadores’, uma fase ‘mata-mata’ entre clubes para se chegar a fase de ‘grupos’, onde aqueles mais bem classificados em seus respectivos países começam a jogar. Vejam só a campanha de um time que, a princípio e pelo elenco segundo muitos ‘analistas’, estaria para brigar para não cair de divisão no Campeonato Brasileiro:

Nesta quinta-feira (10/08), o time carioca venceu o Nacional do Uruguai por 2 a 0 no Rio de Janeiro, se classificou para as quartas de final, e deixou pelo caminho o quinto adversário que já levantou a taça da competição sul-americana. Em fevereiro, o grupo treinado por Jair Ventura eliminou na segunda fase o Colo-Colo, campeão do torneio em 1991, com o placar de 3 a 2 no agregado das duas partidas. No mesmo mês, pela terceira fase, foi a vez de passar pelo Olimpia, tricampeão continental em 1979, 1990 e 2002. O confronto foi decidido na disputa de pênaltis, após vitórias de 1 a 0 para cada lado.

Com a classificação, o Botafogo entrou na chave 1 na fase de grupos, ao lado de Barcelona (EQU), Estudiantes (ARG) e Atlético Nacional (COL). Com três vitórias e dez pontos conquistados, o time brasileiro ficou em primeiro lugar e eliminou os argentinos (tetracampeões da Libertadores) e colombianos (bicampeões, sendo a última vez em 2016). (fonte: Veja/Placar)

Recomendação do Sorg

‘E o porquê deste texto?’, perguntam os incautos. Em primeiro lugar, o time mostra uma disposição e disciplina tática impecáveis. Não há bola perdida e os jogadores tem a percepção do papel de cada um em campo, jogando pelo time e não por vaidades pessoais. Entendem que não há um fora de série e que o plantel não é dos mais habilidosos, tornando este fato sua principal virtude: a entrega. O comprometimento com um objetivo único. Como uma engrenagem, todos fazem sua parte para atingir o ‘bem comum’. A vibração do zagueiro e volante ao tirar uma bola de um adversário é a mesma do atacante que faz um gol. Sabem de suas limitações, existem os erros e tentam aprender com eles. Hão de saber as limitações e nem por isso desistem. Pelo contrário: ao saber suas fraquezas, tornam-se mais fortes. Trabalham arduamente para atenuar seus pontos fracos e amplificam, dentro do possível e de suas limitações, as suas jogadas principais, articulações de ataque rápidas e certeiras. Marcação incansável e determinação.

ESSE ESCUDO É O ÚNICO HERÓI AQUI.

Ok, e daí? Reflitam comigo… ora, por que tal exemplo não pode ser usado por nós em outros aspectos da Terra Média Brasilis? O país do futuro que teima ser a vanguarda do atraso, não poderia pensar mais no ‘conjunto’ e não ter que se pautar em um ‘Neymar’ que salvará o país? As eleições estão por vir e, com desalento e cansaço, temo novamente que o ‘salvador da pátria de chuteiras’ seja um tema recorrente e ao eleger o ‘Homem’ (ou Mulher) para a presidência todos os problemas estarão resolvidos e podemos voltar a viver nossas vidas normalmente. Será? De fato e de direito, o Presidente da República é alguém com o poder da caneta e pode muito, mas não pode TUDO. Além disso, jogar a responsabilidade para UM é o melhor caminho? Ou, usando o exemplo do Glorioso, não seria melhor cada um de nós entender seu papel neste grande time brasileiro, saber de suas limitações e ‘jogar o jogo’ com garra e determinação de forma organizada, como todos entendendo seu papel e, o mais importante, sabendo que NÃO HÁ UM SALVADOR DA PÁTRIA e que depende de todo mundo para sairmos desta?

Os Orcs estão em Mordor tramando e o populacho só tem uma arma contra o Um Anel: o voto e este voto não deve mirar somente o Presidente salvador da pátria. Há muitos e muitos Orcs e Espectros do Anel na Montanha da Perdição e em Minas Morgul que precisam ser defenestrados. Somente limpando a Terra Média Brasilis deste mal que jamais dorme será possível pensar em um futuro melhor e menos penoso para todos nós.

Obviamente não estamos fazendo um manifesto contra os foras de série, no futebol e na vida. Longe disso. Afinal, vendo hoje a Seleção Brasileira, assistimos um conjunto harmonioso funcional que faz surgir de forma mais natural e produtiva a qualidade nata de alguns jogadores. Da mesma forma poderíamos pensar na política, nas empresas, nas igrejas, na escola…

Encerro este texto com um agradecimento especial ao time liderado por Jair Ventura. Independente de ser campeão ou não, a dignidade e empenho do Glorioso de General Severiano é inspirador. Que o exemplo seja seguido por toda a Terra Média Brasilis…

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