Artista Definitivo, Parte 1: Superman

Artista Definitivo, Parte 1: Superman

“Sorg,euescreversobreissopossofalarmaldoGrantMorrison?Possopossoposso?”

Se você é um dos sobreviventes que acompanham este blog simples, mas limpinho, provavelmente curte histórias em quadrinhos. E todo de fã de hqs já se viu em alguma discussão sobre assuntos que, por mais incompreensível que seja, a maioria da humanidade prefere ignorar. Coisas como “o Hulk é mais forte que o Caçador de Marte?”, “o Flash é mais rápido que o Mercúrio?”, “o Tony Stark é mais inteligente que o Lex Luthor?” ou “o Bruce Wayne é mais rico que o Tio Patinhas?”. 

Sim, todas questões importantíssimas que não raro exaltam ânimos e terminam levando os envolvidos a esquecer os argumentos e tentar vencer o debate apelando para a força de suas gargantas, gritando mais que corretor da bolsa em dias de mercado agitado. Claro que hoje não gritamos, apenas digitamos em caixa alta, mas vocês entenderam. 

Ok, às vezes ainda podemos tentar ir às vias de fato…

E um dos temas que mais me interessava era justamente quem seria “”””o”””” artista de determinado personagem. Quem, entre todas as pessoas que você viu desenhar alguma história com aquele herói-heroína-vilão-vilã, se tornou o padrão, a forma como você sempre lembrará da criatura e, principalmente, usará como base para analisar o trabalho de qualquer outro profissional com a mesma figura?

Eu tenho os meus preferidos, claro, e gostaria de começar a compartilhar e saber a opinião de vocês. Para evitar posts extensos (até porque aqui a ordem é valorizar o visual), vamos de personagem em personagem, começando pelo primeiro de todos: o Superman!

Desde o início, ele foi imaginado para representar o o apogeu físico do ser humano. Seu co-criador, Joe Shuster, não à toa se baseou no ator Douglas Fairbanks para compor o alienígena sem planeta que é criado anônimo na Terra e se torna o seu maior campeão. A dificuldade de criar sobre o vazio me faz respeitar muito o trabalho de Shuster, mas é claro que o mesmo já estava datado há décadas quando comecei a ler quadrinhos.

Arte de Jos Shuster para Action Comics 23, com a primeira aparição de Lex Luthor e a primeira menção ao Planeta Diário. Em leilões, uma edição desta não parte por menos de US$ 12.000,00.

Outro desenhista que é sempre lembrado pelos fãs e estudiosos do Superman é, obviamente, Curt Swan, que o ilustrou por mais de 30 anos e criou a identidade visual perene para o mesmo, só deixando definitivamente o cargo de desenhista do herói após a Crise nas Infinitas Terras, mas não sem desenhar a “última” história antes do reboot: O Que Aconteceu com o Homem do Amanhã?, escrita por Alan Moore. No entanto, também sou obrigado a confessar que eu gostava de quase tudo que o Swan desenhava, menos o próprio Superman, que nunca me passava uma sensação de força. Na verdade, eu achava que Curt fazia o kryptoniano meio gordo e de pernas curtas. 

É o Superman de Swan quem, no fim de Crise nas Infinitas Terras, é poupado e vai viver em uma realidade à parte do novo e unificado Universo DC, ao lado do Superboy (cuja revista foi a porta de entrada de Curt no mundo do kryptoniano) e de “sua” Lois. Para alguns, uma homenagem justa ao desenhista (infelizmente destruída pelo nefasto trabalho de Geoff Johns, Crise Infinita). Para outros, uma crítica ao artista, principalmente quando o Superman da Terra Paralela é mostrado aparentando cansaço e desorientação quando as terras restantes são temporariamente fundidas pelo Monitor, e uma mensagem velada ao homem que por anos cuidou da imagem do maior de todos os super-heróis, dizendo que ele deveria tomar o mesmo rumo do personagem e “ir descansar, por favor”.

Alguns artistas merecem menções honrosas, por terem marcado a minha trajetória como leitor do Superman ao longo dos anos. Entre eles, José Luís Garcia-López

O Superman tem a honra de ser um dos poucos personagens que contaram com o traço do mestre espanhol, infelizmente muito mais utilizado pela DC para ações voltadas ao mercado publicitário.

Frank Quitely

Frank é tão bom, mas tão bom, que consegue fazer com que roteiros apenas medianos de Grant Morrison pareçam ser histórias significativas. Sim, eu prefiro muito mais Terra 2 (uma história da Liga da Justiça que faz jus à melhor fase do escritor escocês à frente da equipe) do que Grandes Astros: Superman, para mim muito mais um espetáculo visual proporcionado pelo desenhista escocês.

Alex Ross

Alex Ross ilustrou e foi co-autor de O Reino do Amanhã. Querem mais do que isso?

Stuart Immonen

Um artista que não se prende a um único estilo, teve seu grande momento no Superman ilustrando uma “versão alternativa” do mesmo, a fantástica mini Identidade Secreta.

… e Tim Sale.

Tim, ao lado de Jeph Loeb, recontou de forma extraordinária a origem do Superman, em seus primeiros dias como herói, na mini As Quatro Estações.

Mas o meu artista definitivo, o cara cujo traço eu sempre vou relacionar ao último sobrevivente de Krypton, é justamente o sucessor de Curt Swan, o homem que ficou com a responsabilidade de, após a única Crise que vale nas Infinitas Terras, reformular e devolver ao herói a relevância e a identificação com o público leitor: John Byrne

Byrne confessou em diversas entrevistas que ele “forçou a barra” para ganhar uma chance de reformular o Superman, tecendo diversas críticas à forma como o mesmo vinha sendo tratado pela DC.

Em primeiro lugar, eu gosto do traço “anos 80” do Byrne, antes dele fazer todo mundo com corpo de magricela e cabeção, sendo fã de toda a fase dele nos X-Men e no Quarteto Fantástico. Pra mim, a reformulação que ele fez no Homem de Aço foi bem sucedida em vários aspectos, graças principalmente à diminuição do nível de poder (além de eliminar uma série de habilidades ridículas) e a um Clark Kent que parou de agir como um idiota, sem deixar de ser um disfarce crível.

Uma das mudanças radicais foi, na verdade, uma volta às raízes: o herói surge adulto, como na versão de Siegel-Shuster. Ou seja, John Byrne nos livrou do Superboy e assim nos entregou um Superman ainda mais humano, por estar, de fato, aprendendo aos poucos o ofício de super-herói. John se arrependeu depois, principalmente por conta da série de interferência editoriais que ele alega ter sofrido e que aceleraram o processo de aprendizado do kryptoniano. Mas, pelo menos, não foi ele que teve que resolver a questão da origem da Legião dos Super-Heróis, né?

Mas o grande mérito talvez seja reformular o visual sem alterar o mesmo. Continuou o mesmo design, o mesmo padrão de cores… As diferenças estão na proporção, principalmente da capa e do símbolo, bem maiores. E fisicamente, com a atualização do porte do herói, que parou de parecer um homem de meia idade que faz dieta e malha três vezes por semana. O Superman de Byrne é um homem (não um garoto) forte, mas sem parecer um halterofilista. Ele intimida num primeiro momento, mas depois coloca o leitor ao seu lado, por ter uma expressão confiante e amiga, sem demonstrar arrogância ou raiva. 

Byrne também reformulou todo o elenco que gravita em torno do herói. Só lamentei, em tudo, que os pais adotivos do Clark continuassem tão idosos, seguindo uma mania nos quadrinhos.

Claro que sempre há quem diga que o desenho de John não é inovador, que muitas poses em que ele retratou o Superman são meras cópias de trabalhos anteriores, que ele não trabalha bem as feições… Bom, pode ser. Mas sempre que eu lembro do personagem, lembro de minhas edições em formatinho do Super-Homem lançadas pela editora Abril e desenhadas pelo inglês-canadense.

Em tempo: a Panini está relançando a fase de John Byrne dentro da publicação A Saga do Superman. Leitura mais do que recomendada desde já!

 

JJota

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