Enxutos, na reta final desse ano cheio de taoqueis e tals, a Netflix surpreendentemente (pelo menos para mim) soltou um especial da hypada série Black Mirror chamado Bandersnatch e, entre comilanças e muita, muita cerveja nessas festas, eu fiquei algumas horas sóbrio para poder conferir a bagaça porque, vocês sabem, “isso é muito Black Mirror”.

Pois bem, Bandersnatch (BS) aporta no canal com a “novidade” (sim com aspas) de ser um filme interativo onde o telespectador pode decidir o destino do protagonista, o xóvem Stefan Butler (Fionn Whitehead), um programador britânico nos anos 80 responsável por adaptar para vídeo games o livro que dá nome ao episódio. Na mitologia do episódio, BS é um livro cult daqueles que você escolhe o destino do personagem (para entrar na mente de Dadá, vá para página X, para explodir tudo em BH, vá para a Y), escrito por Jerome F. Davies, um autor conceituado que ficou lelé da cuca e decapitou a própria esposa. Butler, um jovem prodígio consegue um contrato com a produtora de gueimes Tuckersoft para adaptar o livro em um jogo revolucionário. A partir daí você segue fazendo escolhas, algumas relevantes e outras pero no mucho para guiar Stefan para um dos cinco finais principais e outros tantos caminhos alternativos.

Fionn Whitehead e “a sua escolha”

Dito isso, e aí? Há duas formas de se analisar BS: como um episódio regular de Black Mirror e outro como essa “inovação” de filme interativo e já partindo para a crítica da segunda opção, eu lhes digo que achei deveras sacal. Ain, mas é legal que podemos decidir o que fazer. Bitch, please. Primeiramente há um falso poder de escolha. Na maior parte do episódio você precisa escolher aquele determinado caminho para se chegar a um dos finais e não terminar antes com pouco mais de vinte minutos de exibição. Exemplo: logo no começo é oferecido a Stefan desenvolver BS dentro dos estúdios da Tuckersoft. Se você escolhe sim, o episódio “acaba” e te obriga a voltar e escolher não. Escolhendo desenvolver o jogo na sua própria casa, a história se desenrola e te dá mais conteúdo para chegar a finais mais relevantes.

Isso é muito Black Mirror!

Segundamente, Black Mirror é uma série com um excelente conteúdo e mesmo em seus episódios mais fracos, há contextos interessantíssimos para horas de discussões com os amiguinhos. O legal da série é sentar a bunda no sofá e absorver o que o maravilhoso Charlie Brooker (SEU LINDO)  tem para te passar. E BS quebra a imersão do episódio justamente por te fazer parar para escolher o caminho X ou Y. E finalmente sobre o filme interativo per se, a Quantic Dream e a Telltale já fizeram isso com muito mais sucesso só que em outras plataformas (ain, não sei quem são e o que fizeram. Procura aí. Não sou sua mãe pra te dar tudo na mão). E se você assim como eu cresceu nos anos 80 / 90, vai se lembrar dos livrinhos vendidos em banca onde você escolhia seu destino (eu e minha irmã tínhamos vários destes). Soooo, novidade? Not so much.

Sobre a história de BS, volto a afirmar: Charlie Brooker é um excelente roteirista e qualquer episódio de Black Mirror merece ser visto com atenção e esse especial não é exceção. Não obstante a história, a produção é impecável com os anos oitenta sendo recriado com primazia e a trilha sonora é simplesmente maravilhosa. Obviamente BS é cheio de easter eggs e pequenos detalhinhos que vão fazer os desocupados de plantão tecerem teorias por meses, relacionar esse episódio com vários outros da série, fazer textões sobre como Black Mirror é foda, lindo maravilhoso e cheira a rosas e é uma metáfora para blábláblá…

Easter eggs. Easter eggs everywhere!

Não sou chegado (ui) em dar (opa) notas mas como sei que tem gente que vai pular o texto e ir direto ao fim, vou de 3,5 de 5 Dadás.

Bjos e feliz virada!