Vejam bem: estou falando de “””””O”””””” Cavaleiro das Trevas!

Desde que Frank Miller balançou o universo (e ajudou a salvar a indústria de quadrinhos) em 1984, tornou-se uma obsessão dos fãs imaginar um filme adaptando a história que chocou o mundo das hqs. Muitos anos se passaram, uns atores envelheceram, alguns morreram e outros não eram aquilo que prometiam no começo da carreira. Enquanto isso, a Warner, proprietária da DC Comics, deixou que Chris Nolan se aproveitasse do título num filme que, convenhamos, não tem nada a ver com o quadrinho. Também  bancou uma animação bem legal (tirando a exagerada luta com o Superman, bem mais sóbria na obra original). 

Mas eis que uma estranha teoria está enlouquecendo algumas fontes do Twitter: a nova trilogia cinematográfica do Morcego, dirigida por Matt Reeves, estará temporalmente situada nos anos 90. O que, além de tornar possível que o Coringa do Joaquim Phoenix possa ser utilizado dentro deste novo universo, seria uma sugestão de que ou o herói vivido por Robert Pattinson é o mesmo que foi interpretado por Ben Affleck em filmes recentes, mas no começo da carreira, ou esta trilogia poderia culminar, dentro de alguns anos, com uma adaptação decente da melhor história do Batman de todos os tempos!

Bom, eu não sou de recusar um pouco de especulação, mas confesso que, até agora, quanto mais vejo deste novo filme, menos me empolgo. Mas aproveitei a deixa e fui dar uma olhada na internet pra trazer a vocês, caros enxutos, o meu elenco principal para uma adaptação de O Cavaleiro das Trevas. Bora?

BATMAN / BRUCE WAYNE: LIEV SCHREIBER

Aqui já vem o primeiro desafio. O Batman cinquentão desenhado por Frank Miller não é simples de ser fisicamente interpretado, pois, além de maduro, ele é enorme, diversas vezes descrito como um tanque de guerra. Por isso, a altura foi algo que tive que levar em conta na escolha do ator. E, pra piorar, o escolhido também não poderia ser magricela. Com isso, descartei logo de cara nomes como Christian Bale e Josh Brolin.

“Por que você acha que eu uso um alvo no peito? Não, não é feito da arma que matou meus pais. Isso é ridículo!”

Nos anos 80 e 90, era batata: falou em adaptar O Cavaleiro das Trevas, o nome que era logo lembrado era o do Perseguidor Implacável, o senhor Clint Eastwood. Mas hoje, convenhamos, só se ele fosse interpretar o Bruce numa desnecessária adaptação de Batman do Futuro. Seu clone mais jovem, Hugh Jackman, tem o porte e a idade, mas eu o considero tão identificado como o Wolverine dos filmes da Fox que fica difícil vê-lo como o bilionário Wayne.

“Sempre tive cara de quem dorme muito pouco”

O ator certo seria… o Ben Affleck! Ele tem 1,92 e, com vontade, entrava em forma rapidinho e não faria feio dentro do uniforme cinza. Mas já viveu o personagem no cinema e isto terminou deixando ele fora do meu pOjeto (luxemburguês de volta à moda!). Pelo mesmo motivo, outro ator grande que teria chances, o buscador implacável Liam Neeson, não foi considerado seriamente porque já viveu o Ra’s al Ghul na trilogia do Nolan.

“Você nunca viu a cidade por este ângulo?”

Mas aí eu voltei para o Eastwood, que me lembrou do Hugh Jackman, que me lembrou do Wolverine, que me lembrou do Dentes de Sabre que me lembrou do… Liev Schreiber. Bom ator, 52 anos, mais de 1,90 de altura, não é esqueletão… Fechou: Liev Schreiber, hoje, seria a minha escolha para o papel principal! 

“Prometo fazer a barba antes de pintar os olhos!”

ALFRED: IAN McKELLEN

Obviamente que apenas um britânico poderia fazer esta versão do fiel escudeiro (e cirurgião) do Vigilante de Gotham. O Alfred de O Cavaleiro das Trevas é irônico, incisivo e tem um grande momento no desfecho da história. Seria, a meu ver, um papel digno pra magnitude do bom e velho Gandalf

“Se o Eastwood topasse ser o Batman, eu poderia ser o Coringa!”

CARRIE KELLEY/ROBIN: OLIVIA EDWARD

Foi John Byrne quem sugeriu a Frank Miller utilizar uma versão feminina do Robin n’O Cavaleiro das Trevas. E a menina corajosa que se inspira no ressurgimento do Batman para colocar uma fantasia e combater o crime de rua trouxe a necessária leveza para uma trama pesada. Quase sempre Hollywood esquece que papéis infantis deveriam ser interpretados por… crianças. Eu sei que existe toda uma questão moral e educacional envolvida, mas… Pô, não seria a Robin do Frank Miller se ela fosse interpretada por uma atriz de mais idade, que ainda teria o inconveniente de acrescentar curvas – e, portanto, um desnecessário e evitável apelo sexual para a personagem. E é bom lembrar que isto já deu certo: Chloë Grace Moretz, com a idade de doze anos, fez com graça a violenta vigilante sanguinária (e mirim) Hit-Girl em Kick-Ass – Quebrando Tudo (Kick-Ass, 2010). Sendo assim, eu escolheria Olivia Edward, da série Better Things, que tem doze anos (na verdade, um a menos que a personagem). Ao contrário da sua companheira de elenco Hannah Alligood (que considerei para o papel), Olivia é uma criança que parece uma criança e comporia bem o visual que eu imagino para a jovem parceira do Morcego. Além disso, transferiria para a tela o impacto das hqs provocado sempre que é retratada ao lado do Batman, por conta da imensa diferença de estatura entre ambos. 

COMISSÁRIO GORDON: KURT RUSSELL

O Gordon em O Cavaleiro das Trevas é o agente da lei durão que o Nick Fury gostaria de ser.

Em 2000, Darren Aronofsky, então diretor de Pi (idem, 1998), foi contratado para dirigir e roteirizar, ao lado do próprio Frank Miller, a adaptação cinematográfica de Batman Ano Um. Foi aqui, aliás, que Christian Bale começou a ser seriamente cotado para interpretar o Morcego. O outro nome que foi especulado para o elenco foi o de Kurt Russell, que daria voz e rosto a um relativamente jovem Tenente James Gordon. O filme acabou não recebendo o sinal verde definitivo – muito por conta de uma séria de alterações que os roteiristas queriam fazer no personagem e em seu universo – e tanto Aronosfky como Miller terminaram saindo do projeto. Vinte anos depois, Russel seria perfeito para interpretar um Gordon à beira da aposentadoria, mas ainda casca grossa e profundamente cético quanto à recuperação de criminosos pelo sistema penitenciário da cidade e, principalmente, pelo tratamento psiquiátrico do Asilo Arkham.

“Eu já interpretei um planeta! Quantos atores podem colocar isto no currículo?”

COMISSÁRIA ELLEN YINDEL: CHARLIZE THERON

A substituta de Gordon mal é indicada ao cargo e logo declara guerra ao Homem-Morcego. Como o antecessor, ela faz questão de comandar seus homens pessoalmente e tem ousadia de sobra e traquejo com a imprensa de menos. Admiradora do ex-comissário, é avisada por este sobre algo especial que cerca figuras como o Batman, mas que Yindel terá que aprender por si só. Charlize Theron é ótima atriz e tem a capacidade camaleônica necessária para fazer a Comissária durona que se sente intimamente pressionada a provar seu valor. Theron já mostrou que, diante de um trabalho, pode deixar a vaidade de lado e comporia com louvor o visual um tanto quanto andrógino da personagem.

“Vou ficar bem de óculos!”

HARVEY DENT/DUAS CARAS: SEAN PENN

Sean Penn é um desses atores que, assim como Edward Norton, são tão bons que fazem com que consigamos simpatizar com seus personagens muito mais do que com suas personas reais. Na hq, Harvey Dent é tratado, com custos bancados por Bruce Wayne, tanto de sua deformidade física quanto de seu problema de dupla personalidade. Mas as coisas dão errado quando se percebe que, apesar da aparência agora ser a Dent, a personalidade que sobrou não foi a do ex-promotor de Gotham. Consciente ou não, Miller já estava fazendo uma crítica a sociedade que, cada vez mais, foca no visual sobre o conteúdo. O chato Penn tem talento de sobra para tornar impactante um personagem que aparece muito pouco (e claramente está ali, muito longe de seus melhores dias, mais para despertar uma certa dose de piedade do que raiva), sendo completamente ofuscado pelo estrondoso retorno do Batman às atividades. 

“De fato, uma plástica não me faria mal…”

LÍDER MUTANTE: DWAYNE JOHNSON

Como,apesar de praticamente todos os grandes vilões de Gotham do passado estarem fora de ação, a cidade está à beira do caos? Ora, graças em grande parte à Gangue Mutante, um grupo de malfeitores, na sua maioria jovens mal ingressos na adolescência, que abraçam o crime violento não por necessidade financeira ou por conta de severos distúrbios psicológicos, mas por idolatria a uma estranha criatura que em alguns momentos destoa da figura humana.

O Líder Mutante é uma espécie de político que não defende nenhuma bandeira ou sistema, mas a queda de tudo e de todos até que a Gangue Mutante seja “levada à sério” e ele mostre de uma vez por todas “quem manda em Gotham”. Mais pra frente, o próprio Homem-Morcego usará esta estúpida necessidade de seguir cegamente ídolos para cooptar um pequeno exército de vigilantes e defender a cidade na hora em que esta se vê ameaçada de ser engolida pelo caos. Dwayne Johnson tem o tamanho e a forma para realmente fazer o Batman de Schereiber parecer menos ameaçador. Além disso, ele tem aquele bom humor que, bem temperado com sarcasmo, me dá a sensação de que convenceria bem como o psicótico vilão. E afinal, ele já vai quebrar o Capitão Marvel (Zachary Levi), né? 

“E, depois, eu vou lutar com o Superman! Cavill, desgraçado, vem pro ringue!”

CORINGA/WILLEM DAFOE

Frank Miller trabalhou de forma brilhante a relação Batman-Coringa. Por um lado, escancara a importância que o vigilante tem para o psicopata quando descobrimos que a aposentadoria do Morcego fez com que o Coringa mergulhasse em estado catatônico por dez anos, despertando justamente quando descobre (claro que através da TV) que seu grande adversário voltou à ativa. Já o Cavaleiro das Trevas enxerga no rosto branco e cabelos verdes alguns dos seus maiores fracassos, chegando a dizer que se sente diretamente responsável pelas mortes causadas pelo Príncipe Palhaço do Crime. Willem Dafoe já foi especulado para o papel, em praticamente todos os projetos envolvendo o Morcego ao longo de décadas. E hoje ele se encontra na forma física ideal para o trabalho. O personagem pede um ator deste gabarito, visto que desenvolve seu plano de fuga do Asilo Arkham durante as duas primeiras partes da história, com rápidas aparições, até tomar o centro do palco de forma impressionante no terceiro ato, semeando o caos na cidade apenas para ter um confronto definitivo com seu inimigo de orelhas pontudas. 

“E ainda posso aproveitar a risada do Duende Verde!”

SUPERMAN/JON HAMM

Miller resolve o conflito com o Coringa ainda na terceira parte da história. O que deixa de parecer um equívoco quando se percebe que ele deixou o confronto mais aguardado pelos fãs da DC para o apoteótico final. O estranhamente pouco sorridente Superman, que um dia foi o maior campeão do planeta, está submetido ao governo dos EUA e atuando de forma anônima.

Jon Hamm (apesar de ser um pouco “baixo” pro papel, mas nada que um pequeno jogo de câmera não resolva) tem a cara e a capacidade para viver o Último Sobrevivente de Krypton e convencer o público, principalmente, de que, ao contrário do que uma interpretação superficial mostra, o Superman não está de foma alguma “diminuído” diante do Batman, pois Kal-El colocou sua missão de defender as pessoas comuns acima da reputação, da vaidade e até de alguns valores, o que o faz submisso ao poder, representado pelo presidente dos EUA, e até executar atividades militares, claramente sem nenhum entusiasmo. Tudo porque tem “vidas para salvar” e honra o acordo que o permite manter-se em atividade, quando praticamente todos os outros super-heróis (Batman incluído) haviam se afastado.

“Tem quem me ache com mais cara de Batman…”

PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS

Bom, findo o elenco principal, é bom lembrar que há uma série de outros personagens menores, alguns de maior, outros de menor impacto. E aí é a hora de chamar uma seleta lista de astros para poderem colocar no currículo que fizeram parte desta obra!

 

Para o Doutor Bartholomew Wolper, o psiquiatra que “curou” Harvey Dent e tratou o Coringa como uma pessoa “extremamente sensível”, além de abraçar uma cruzada contra o Batman, eu chamaria o verborrágico Eddie Murphy.

Para o prefeito sem nome de Gotham, que tem a audácia de tentar um acordo negociado com o Líder Mutante, Tom Hanks.

Como Gallagher, o assessor do prefeito que é responsável pela indicação de Ellen Yindel como sucessora de James Gordon, o eterno alugador de namorada, Patrick Dempsey.

Como o envelhecido e aleijado (e com contas para acertar com o Superman!) Oliver Queen, ninguém menos que o John Wick, Keanu Reeves!

Jon Favreau, das franquias do Homem de Ferro e do Homem-Aranha, faria Abner, o auxiliar do Coringa.

Drew Barrymore também poderia dar uma enfeiadinha para compor uma Selina Kyle que não contou com a generosidade do tempo, mas continua envolvida com Bruce Wayne.

Clint Eastwood merece estar no elenco! Ele tem todas as rugas pra fazer o presidente dos Estados Unidos, uma versão envelhecida do real Ronald Reagan (embora ele nunca seja nomeado como tal na hq).

Por fim, como a televisão é um meio importante de narrativa dentro da história, eu escalaria a Karen Fukuhara – do filme do Esquadrão Suicida e da série The Boys – para fazer a âncora Lola Chong!

E aí? Curtiram? Mudariam algum nome? Mandem ver!