Incrível, inacreditável, improvável….

Salve, salve cambada de Enxutos e Enxutetes molhadinhos. Eis que, como é tradição familiar há cerca de 10 anos, meu Pequeno Princípe ao completar 12 anos me solicitou a ida ao cinema. E para assistir qual película? Sim meus caros, Aquaman. E não é que fomos surpreendidos? Sigam-me os bons…  

Em homenagem ao Leo

Vamos aquele sinopse chupinhada de algum lugar e sem o devido crédito deste vosso escriba:

Filho do humano Tom Curry (Temuera Morrison) com a atlante Atlanna (Nicole Kidman), Arthur Curry (Jason Momoa) cresce com a vivência de um humano e as capacidades metahumanas de um atlante. Quando seu irmão Orm (Patrick Wilson) deseja se tornar o Mestre dos Oceanos, subjugando os demais reinos aquáticos para que possa atacar a superfície, cabe a Arthur a tarefa de impedir a guerra iminente. Para tanto, ele recebe a ajuda de Mera (Amber Heard), princesa de um dos reinos, e o apoio de Vulko (Willem Dafoe), que o treinou secretamente desde a adolescência.

E eu com isso? Well, comecemos a la Jack, pelas atuações. Deixando o protagonista para o final, não temos grandes destaques. Há uma lista de caras conhecidas ao longo da película, com excelentes atores e outros nem tanto, com participações e tempo em tela. Desde Norman Osborn até Ivan Drago (ou Justiceiro, caso os velhos se lembrem), são as caras reconhecidas que entregam seu quinhão, recebendo o seu cascalho honestamente. Focando mais no trio de apoio, Mera / Amber é uma mulher linda e possuiu uma química interessante ao fazer o par romântico / aventureiro com o Arthur. A atriz por si só não enche os olhos, mas cumpre bem seu papel. Já os vilões Mestre dos Oceanos / Patrick Wilson e Arraia Negra / Yahya Abdul-Mateen II … o primeiro é um ator mediano e acaba não fazendo muito com o irmão do Arthur. Até tem algum gancho para sair da bi dimensionalidade, seja por ser uma linha ambientalista ou pela afirmação de ser um “Legítimo Rei”, mas creio que seja pelo roteiro ou pela qualidade, fica bem no mais ou menos. Em relação ao Arraia, seria um daqueles personagens que poderia ter sido limado do filme que não faria falta ao contexto geral. Tem uma cena de perseguição muito interessante e só. Além disso, o cabra é mau manu por que SIM. (spoilers) Talvez seu principal uso fora a morte de seu pai ter sido evitada pelo protagonista, deixando gancho para uma provável continuação. Neste caso o ator, parece-me, sem culpa.

Em todo o momento, eu fiquei um pé atrás sobre o Norman Osborn. Não confio nele…

E o Momoa, perguntam os fãs ansiosos. Pessoal, escrevo algo que jamais imaginei escrever… o filme se sustenta pelo carisma do Jasão. Isso mesmo! Além do fanservice óbvio para as meninas e alguns meninos de vê-lo sem camisa boa parte do tempo, o Arthur Curry é um cara com aparência de motoqueiro barra pesada, mas é um boa praça. Uma pessoa que ‘se joga’, impetuoso e sem noção das consequências.  A senhora King e a little Princess foram assistir a película pela ‘obrigação’ (ouvi perguntas do tipo, ‘precisamos mesmo?’ ou ‘Aquaman, quem é?) e ao fim estavam amarradonas no herói… ok, minha patroa pode estar por outros motivos, mas independente disso, a sensação na sala de cinema, ao fim do filme, era que todos estavam torcendo de verdade pelo Aquaman e saíram com o boa sensação de que o ator se divertiu ao fazer o papel, fato este evidente ao longo do filme. Sim, meus caros, Momoa é O cara do filme. Não é um ator de mão cheia, entretanto, até baseado em trocas de zap do BdE, chegamos a um consenso que Momoa é um The Rock de segunda geração, aperfeiçoado no quesito atuação.

As patroas vibram…

Seguindo em frente, o enredo em si é livremente inspirado no arco inicial do Aquaman dos Velhos 52. Busca resgatar uma imagem do herói deveras ‘arranhada’ pela fase da antiga Superamigos, ainda mais considerado que os ‘civis’ do cinema pouco (ou nada) leem dos quadrinhos. Tirando minha amada esposa (que pode ser considerada um nerd reverso) como exemplo, o pouco que conhecia é baseado na animação e por conta disso o ‘receio’ de assistir o filme. Seguindo esta premissa, apesar de algumas piadas forçadas, o filme consegue seu intento. É claro que se trata de uma clássica ‘jornada do herói’ e conta a origem para os não iniciados. No entanto, essa parte não chega a incomodar. O maior desafio (e creio ter sido proposital pelo medo do fracasso de Dona Úorner) foi colocar toda a mitologia do Aquaman em filme único. São muitos personagens e reinos sendo apresentados, mas que, por incrível que pareça, consegue fazer funcionar.

E os marmanjos tb….

O lado negativo fica por conta de boa parte dos diálogos terem profundidade de um pires raso. Além, claro, da longevidade do tempo. Poderia ser fácil uns 30 minutos a menos para não cansar, daí minha observação da retirada do Arraia que cumpriria bem este intento. Próximo ao encerramento, apesar de preso pelo Momoa (quem diria), começávamos a apresentar sinais de fadiga e queríamos o fim da película.

E aí, como ficamos? Como uma das poucas coisas boas que se salvaram nos Velhos 52 foi o Aquaman de Johns (calma JJota e Sorg), pelo menos para mim, James Wan conseguiu capturar aquela essência e dar um toque a mais com o carisma do Momoa. Talvez o filme realmente não funcionasse se o protagonista fosse outro, especialmente um louro grego na frente dos serviços. Diria que o diretor aperfeiçoou o original, com uso do inusitado protagonista. Exagerou em alguns momentos, a bem da verdade, mas ainda sim funciona. É como se tivéssemos um Aquaman melhorado. Um pipocão honesto que entrega bem o que promete. Superior (ahnnnn, não é a melhor escolha de palavras, né Slott)… um AquaMomoa Melior.   

Nota 7,5 de 10