Resenha de quadrinhos que é bom, nada…. vamos com uma análise enxuta das duas temporadas de Castlevania (sem spoilers)

Salve, salve cambada de Enxutos e Enxutetes que são CB, Çangue Bão. Folga no trabalho e produtividade a mil para o BdE. Eis que então, mais um daqueles textos fora do seu tempo surgem, mas que vale para trocarmos algumas ideias. E que tal falarmos da série da Netflix Castlevania de Warren Ellis? Como habitual aquela sinopse malandramente chupinhada de algum lugar sem crédito nenhum ao autor:

Castlevania é uma série de televisão animada adulta americana baseada no jogo japonês de 1989, Castlevania III: Dracula’s Curse, da Konami. A série retrata Trevor Belmont, que defende o condado da Valáquia de Drácula e seu exército de demônios (ok, essa foi da Wikipedia, admito).

Um pouco mais de texto, afinal já estamos na segunda temporada. Para os velhos e rancorosos conhecedores do game, Drácula está fulo da vida, pois o chefe maior da igreja de Valáquia mata sua amada esposa. Até então Drácula vive (… errr…. bem, vocês entenderam) de boas com a dona patroa que o convence a usar seus dons para auxiliar a Umanidade. Entretanto, quando o bendito conde decide sair para uns rolês pelo mundo, a tragédia acontece. A partir daí, o vampirão decide extirpar os humanos da face da Terra, contando com a ajuda de diversos lordes vampiros e dois humanos renegados. Para detê-los, no entanto, eis que surge um membro (ui) de antiga família de caçadores de vampiros e uma maga. Ambos, com a dificuldade da missão, partem em busca de Alucard para que o trio tenha alguma chance para deter o genocídio…

E eu com isso? Well, (até eu havia esquecido isso) comecemos a la Jack, por partes. Como estou tentando melhorar meu domínio da língua de Tolkien, ouvi a dublagem no original. Confesso que o talento do dublador brasileiro, em muitos casos, faz a diferença em muitos títulos. Para este caso, o protagonista Trevor Belmont / Richard Armitage tem aquele estilo blazé inglês que combinam bem com o personagem. Lisa Tepes / Emilly Swallow não empolga e Alucard / James Callis parece um pouco mais contido como o personagem. Dracula / Graham Mc Tavish faz um vampirão mais contido do que se espera, apesar de a princípio não parecer culpa do ator. Os demais não tem grandes destaques. Diria que este quarteto consegue sustentar razoavelmente bem o trabalho, mas não chega a empolgar. Não comprometem.

O estilo dos desenhos é bem parecido com o Mangá. Os cenários são belos, as cenas de ação fluem muito bem, cores fortes quando necessário. Ao contrário dos filmes para a tela grande, raramente se nota o uso de tecnologia digital 3D. Para os velhos de 8 bits como este vosso escriba, parece um saudoso retorno no tempo, mas com uma melhor qualidade. Óbvio que não desmereço o trabalho daquela tecnologia, longe disso. Mas creio que temos espaço para todos e a arte desta é um bom exemplo.

O roteiro de Warren Ellis, o que de fato me trouxe a assistir a película, além da memória afetiva do jogo original, me deixou com sentimentos conflitantes. O lado negativo: apesar de saber se tratar de uma emulação de mangá, em muitos trechos a história se arrasta. Na tentativa de fazer um Drácula relutante em sua vingança, parece-me que o autor errou na mão. Em muitos casos, não tem a liderança necessária, dá ouvidos demais aos seus generais e acaba sendo enganado com uma facilidade que não se espera de alguém com milhares de anos. Ok, na prática, seu ódio é quase uma vontade intensa de morrer em dor pela perda de sua amada. Entretanto, pecou seja pelo texto ou pelo excesso de complacência e reflexão sem emoção.

Por outro lado, a trama tem uma complexidade maior do que lembrava. Tudo bem que não pesquisei a história antes de assistir a série, confiando na minha memória afetiva. Entendo que é um risco, mas estava a fim de aceitá-lo. E aí vem meu conflito…. a complexidade do Drácula, não mostrando-o apenas como um vilão bi-dimensional ganha o espectador desde o início. O trio protagonista, na boa, pouco importa, salvo as referências ao game original. O que vale mesmo é entender as motivações e o modus operandi do vampirão. Quando o cabra se revela ao final em todo o seu poder e ódio, notamos o quanto ele se conteve e como a dúvida o atormentou. Ao fim, sem spoilers, chegamos a ter `pena` do infeliz.

Enfim, muitas letrinhas para um veredito final. Não é uma série imperdível para se maratonar em dia único. Caso esteja com algum tempo, vá aos poucos assistindo, um episódio aqui outro acolá e descortine sua memória, caso seja velho. Se é `novim` faça o mesmo, nem que seja para assistir algumas belas imagens e algumas boas mortes.

Nota 7 de 10