Imagina agora ter no cinema Capitão e Capitã Marvel?

Salva, salve cambada de Enxutos e Enxutetes do tempo do Capitão Marvel na DC (aos novim criados a leite de soja sem gorduras trans, jogue naquele que sabe tudo e ele te explica). Eis que contrariando as minhas expectativas, acabei-me indo ao cinema para assistir este Capitão em detrimento à Capitã e trago às vossas excelências minhas impressões sobre Shazam!.

Como habitual, aquela sinopse malandramente retirada de algum lugar da internet ao qual não darei (ui) créditos:

Billy Batson tem apenas 14 anos de idade, mas recebeu de um antigo mago o dom de se transformar em um super-herói adulto chamado Shazam. Ao gritar a palavra SHAZAM!, o adolescente se transforma nessa sua poderosa versão adulta para se divertir e testar suas habilidades. Contudo, ele precisa aprender a controlar seus poderes para enfrentar o malvado Dr. Thaddeus Sivana.

E eu com isso? Well, comecemos, a la Jack, pelas atuações. Centrarei esforços no trio central da história, iniciando pelo sempre competente Mark Strong / Dr. Silvana (ou Sivana). Marco Forte tem toda a minha deferência por ter sido o único que se salvou da bomba chamada Lanterna Verde e aqui nos traz novamente um vilão ‘correto’, sem ir para o lado caricato. Faz o que pode com o papel que tem em mãos e, apesar do potencial de não ser bidimensional, creio que o ator não precisou ‘gastar’ o talento para trazer o personagem à vida. Não veio em piloto automático, entretanto não é brilhante. Está acima da média dos atores do filme, o que no final das contas não chega a ser muito. A dupla protagonista, Asher Angel (Billy Batson) e Zachary Levy (Shazam) parecem estar curtindo o papel, sendo que o primeiro melhor que o segundo. Ambos convencem em seus respectivos papéis, o que para um filme desta natureza já é algum avanço. Talvez falte um pouco de carisma ao Zachary, tipo Momoa ou The Rock, mas não é algo que te incomode. O resto é o resto, com algum destaque ao irmão adotivo Freddy (Jack Dylan Grazer).

O enredo em si, não foge ao conhecido do público civil ou não civil. Há o ‘ganho’ dos poderes, como aprender a utilizar e um vilão para enfrentar. A ‘novidade’ para os leigos é o herói adulto com mente de criança, assumindo ações típicas de um teenager (em inglês para ser dexxcolado) que levam a plateia a gargalhar em bom som. A pegada é leve, mais suave que o próprio Aquaman, bem mais jeitão de um filme para Sessão da Tarde. Aqui vai um parêntese que fará os DCnautas rasgarem o verbo: impossível não comparar com o Homem Aranha pós acordo Marvel/Sony. Praticamente a mesma coisa, salvo uma fidelidade maior ao material original e termos um adulto no papel de criança. Inclusivis, os nobres bacharéis devem se lembrar que há uma pegada cartunesca ao final da película aracnídea para a apresentação dos créditos, fato este replicado de forma bastante satisfatória no Capitão Fraldinha. Ain, mas o Deadpool fez o mesmo e vocês não falaram nada, ok, entendo. Mas a sensação de déjà vu aqui salta aos olhos.

Com efeitos especiais dentro da média do segmento (nada de bigodões mal apagados), é uma mentalidade diferente a qual a Warner aposta. De fato, Shazam é mais herói que o Superman Snyderdiano. Vem com aquela sensação de ingenuidade genuína para um personagem de hq lá da época de prata, sem os mesmos exageros. Interessante que o protagonista está, teoricamente ao menos, no mesmo universo dos outros heróis e em diversos momentos os referencia. Cita nominalmente Batman e Superman com alguma deferência, especialmente pelo segundo. E sim, há uma ‘participação’ especial ‘surpresa’ para quem ainda não viu os spoilers (o SUPERMAN aparece, mesmo que não o seu rosto).

Enfim, como escrevi algumas vezes, estou saturado de filmes de heróis. Fui neste em particular por diversos outros motivos aos quais não irei aprofundar aqui para não desviar o foco. Ao fim, fiz uma enquete com minha família. Little Princess gostou mais ou menos, preferindo ter assistido Dumbo. Lady King odiou a película, chamando o herói de um adulto sem as devidas faculdades mentais (em tempo, ela não gosta do HA…). Little King adorou o filme, sentindo-se representado. Fez diversas perguntas, pesquisou na internet sobre o Shazam (e ainda tentei explicar o porquê de chama-lo de Capitão Marvel em vão) e tomou gosto pelo personagem. E eu? Na boa? Não sou o público-alvo. Não é um filme ruim, mas por estar saturado, recomendo aos mais velhos como eu, aguardar chegar nos canais pagos. Guarde seu suado cascalho para assistir o Vingadores: Ultimato, pois cinema está muito caro…

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p style=”text-align: justify;”>Nota 7 de 10.