Under my umbrella, ella, ella, eh, eh, eh
Under my umbrella, ella, ella, eh, eh, eh




Um pouco mais para você ficar com este chiclete na cabeça iNgual a mim:

https://www.youtube.com/watch?v=CvBfHwUxHIk


Salve, salve cambada de Enxutos e Enxutetes sem poderes, mas disfuncionais. Após mais um período afastado de vosso convívio, este vosso escriba volta parcialmente à ativa para brindá-los (ou não) com as impressões da mais nova série netflixiana sobre o mundo dos super-heróis: The Umbrella Academy.


Sem mais delongas, ao excelentíssimo senhor, o fato. Peço antecipadamente desculpas ao Gabriel Bá (como se ele lesse o BdE, enfim), pois apesar de conhecer a existência do material original lançado pela Dark Horse, jamais li a hq que inspirou a série. O lado bom é que não ficarei com o mimimi de ‘ain, no original não era assim ou assado’. Feita esta ressalva, um resumo quase sem spoilers capturado de algum lugar perdido da internet ao qual obviamente não darei o menor crédito:


“… [The Umbrella Academy]é protagonizada por uma família disfuncional de pessoas com super-poderes. Baseada nas HQs de Gerard Way, da banda My Chemical Romance e Gabriel Bá, a série se inicia com 43 mulheres dando à luz ao mesmo tempo ao redor do mundo, mesmo sem estarem grávidas.


Fascinado por essa concepção imaculada em massa, o excêntrico cientista Sir Reginald Hargreeves consegue comprar 7 dessas crianças, as criando para se transformarem em um poderoso time de super-heróis. Cada membro da Umbrella Academy tem habilidades únicas e personalidades cativantes, e a morte do mentor do grupo faz os heróis abandonarem suas diferenças e se unirem em um objetivo comum.


Well, e eu com isso? Como Jack, por partes. Como relatado acima, temos praticamente 7 protagonistas com tempo de tela mais do que suficiente para cada um. Ok, exceto por um deles (spoiler: Ben , ou o Número 6) já morto que aparece pouco, mas que acaba tendo um papel de destaque ao final. Além destes seis, temos uma dupla de matadores que participam com louvor da série, Cha-Cha (Mary J. Blige) e Hazel (Cameron Britton). Como são muitos personagens e para não tomar tanto seu tempo, vou centrar esforços nos melhores e piores atuações na minha Umilde opinião. Destaques: Número 5 (Aidan Gallagher). Literalmente um garoto no meio dos adultos, consegue causar mais empatia e convencimento. Sua história tem uma complexidade razoável que entregaria muitos spoilers, mas convence ser um senhor de idade no corpo de um menino. Por mais bizarro que pareça, o jovem ator entrega bem a proposta, mesmo no relacionamento com uma manequim de roupas (isso mesmo, sério). A dupla Cha-Cha e Hazel possui uma excelente química e funciona muito bem com sua frieza quase cômica. Dos outros irmãos, pela ‘complexidade’ ao trazer à tona um viciado que conversa com mortos, Klaus (Número 4 / Robert Sheevan) convence.


Para os demais, Luther e Diego não incomodam e não são assim “oh, que Barriga senhor Atuação”. Allison Hargreeves (Emmy Raver-Lampman) é chatinha, faz a mesma cara sempre e seria uma forte concorrente para o Framboesa de Umbrella, entretanto, pela fama precendente, Ellen Page entrega uma Vanya Hargreeves muito sem graça. Até entendo que o personagem, pelo histórico de sofrimento, precisa ter uma cara de paisagem, mas …. é muita paisagem na cara. A jovem toma remédios controlados e, após parar de fazê-lo, você só sabe que houve algum impacto quando de fato (spoiler) surgem seus poderes. Não convence. Falta emoção. Está ligada no piloto automático na linha do tipo, ‘estou ganhando o meu e parem de me encher o saco.’


Sobre o enredo ‘itself’, estaria para algo do tipo: imagine se o Professor Xavier usasse métodos nada ortodoxos para criar as suas crianças como X-Men. Não mostrasse empatia pelos ‘filhos’ e tratasse isso como um aprendizado para que eles se formassem melhor como heróis para salvar o mundo. A ideia basicamente é essa. O interessante disso tudo é que cada personagem tem seu próprio trauma e isso os torna bem mais complexos do que a superficialidade que às vezes acomete nos heróis em quadrinhos. A disfuncionalidade trabalhada em conjunto, onde as boas ações na verdade têm um ‘q’ de perversidade egoísta permeiam as relações entre os irmãos. No entanto, como uma família, acabam se unindo mesmo com as diferenças. Nem sempre dá certo ou as melhores decisões são tomadas, mas é um reflexo interessante do cotidiano, fugindo um pouco da simplicidade heroica da série da Uórner (tipo Flash, Supergirl…), equilibrando mais a violência com conteúdo (uma linha mais suave que Titans).


Por outro lado, como habitual no selo Netflix, em alguns momentos a série se arrasta mais do que deveria. O ritmo fica lento. Não chega a ser um Justiceiro da vida, no entanto poderia tranquilamente reduzir algumas passagens, sem prejuízo a complexidade da trama e enredo. Não compromete o todo, mas não chega a ser uma daquelas para maratonar em sequência. Carece de um tempo para digerir e espairecer a mente.


Um último ponto. Para uma série televisiva, até que os efeitos especiais são bem interessantes. Pogo, o macaco humanizado, é um exemplo. Bem executado e honesto. Isso só reforça a vergonha alheia do ‘bigodón’ de um certo super-herói famoso…


Enfim, uma boa opção de série. Mesmo para mim, já esgotado de consumir franquias super heroicas, valeu a pena. Desta leva, possui um bom equilíbrio entre humor, relações humanas complexas e certa violência não-gratuita. Vale perder seu tempo assistindo.


Nota 8 de 10