O que fizeram com o Homem Aranha?

O que fizeram com o Homem Aranha?

Sofismas de um velho e rancoroso…

Pois bem, caros Enxutos, Enxutetes e Trutas em geral, o título é provocativo, mas a ideia não é focar exclusivamente no antigo Amigão da Vizinhança, apenas o utilizar como fio condutor de um papo sobre quadrinhos. De fato, e para ser honesto, a ideia partiu de uma troca de mensagens no Zap Zap do BdE e tem como ‘muso inspirador’ (Gsuz) o Dr. Eunuco…

Como é de vosso conhecimento, ao contrário dos mangás, o status quo dos quadrinhos norte-americanos é ser um ‘novelão’ sem fim. Meses, mais meses, anos após anos, os personagens seguem suas vidas ‘imortais’ da mesma forma. Ok, há exceções pontuais e as tentativas de hoje em dia transformar os quadrinhos em ‘séries’, com ‘temporadas’ iniciadas pelo famigerado ‘número 1’ como ponto de entrada a novos leitores. No entanto, são tentativas de atrair e dar motivação para uma geração acostumada as interações digitais, com rápidas modificações em tempo real e deveras conectadas. Este, inclusive, poderia ser um mote para um novo texto mais a frente…

Enfim, independente disto, o fato é que a imortalidade dos personagens traz um peso e uma vitalidade que os fazem ser amados por milhões de fãs ao redor do mundo. Não é novidade nenhuma aos leitores, obviamente. A vitalidade se deve a termos certa ‘segurança’ e ‘familiaridade’ com a grande maioria dos personagens de quadrinhos norte-americanos. Ou há dúvidas disso quando uma criança que não sabe nem ler consegue reconhecer o Super-Homem, Batman ou Homem Aranha? Bombardeado por mídias diversas, o(a) jovem padawan tende até a buscar mais informações a respeito, seja na tv (via animação, bem mais fácil) até chegar aos quadrinhos, fonte primordial e mais rica em relação a estes personagens. O cinema tem agora este papel, apesar de que um pouco mais adiante no desenvolvimento destes jovens nerds sebosos com suas mamadeiras com leite de soja e sem produtos trans.

Nem vou falar deste cara e suas caracterizações 'injustas'
Nem vou falar deste cara e suas caracterizações ‘injustas’

De volta ao ponto. E qual é o peso, caro King, perguntam os ‘atrevidos’ leitores? O peso fica evidente pela idade histórica dos personagens. Sim, caros, nós envelhecemos e eles não (OHHHHHHH!). Então chegamos aonde gostaria. Qualquer leitor envelhece e amadurece (ok, nem sempre, mas vamos considerar um caso ‘normal’) e seu personagem, preso ao ‘canone’ histórico, não pode. Usando o Aranha como exemplo pessoal… vejamos, conheci o personagem naquela visão clássica de Lee e Dikto, o jovem nerd que sofre na escola, cuidado pelos tios. A morte trágica e a responsabilidade advinda do evento quando, por um motivo egoísta, o jovem com poderes nada fez para deter um marginal. Simples e objetivo, caindo como uma luva na mente de um jovem King.

Os anos passaram e a Marvel entendeu que o personagem também precisava evoluir. Claro, jamais no mesmo ritmo de nós, entretanto a colegial ficou para trás e o jovem cresceu. Passou a um jovem adulto com seus problemas, sempre na luta contra o crime e a falta de dinheiro. Re-agendando o drama, novas mortes se acometeram, mas nada que influenciasse o lema ‘Grandes poderes e grandes responsabilidades’. Acontece que ainda não foi suficiente. O público amadureceu e digo que não o leitor com sua idade avançando, mas sim houve um amadurecimento dos leitores em geral. Galerinha com 10-14 anos passou a ter nova visão de mundo e as antigas histórias já não os atingiam como antes. E agora? A Marvel optou pelo caminho do amadurecimento do personagem, casando-o, fazendo-o professor. Funcionou até um determinado momento, quando aqueles jovens que cresceram ainda continuavam a ler… mas a idade avança e novos leitores precisam ser cativados. Assim vieram diversos caminhos, clones, pactos, totens, superiores…

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E chegamos ao momento atual. Uma fase um tanto odiosa (superior) é passada e, quando se espera uma melhora, o improvável acontece e os arcos pioram. A idiotização aumenta. O caminho lógico do enriquecimento, dada a genialidade do Peter, chega, mas o personagem passou a ser um palhaço rico. Um bobo alegre que não amadureceu nada, apesar de todas as perdas tidas ao longo de sua vida. Um Tony Stark genérico, apresentando o pior da influência do cinema nos quadrinhos, onde um personagem (HdF) praticamente desconhecido do grande público vira um chamariz de dinheiro por conta de um carismático ator e um filme bem executado. Por incrível que pareça, se soubesse aproveitar bem, Slott poderia ter feito do limão uma limonada: o Oquinho com todos os seus defeitos, arrumou a vida do Parker. Se conseguisse transformar isso de forma a fazê-lo amadurecer e ‘pagar’ pelos crimes (nem que seja na consciência) que o Superior cometeu, teria sido um mal menor para um bem maior.

Deixando o desabafo de lado (afinal parei de ler o Aranha Stark na segunda edição), a conclusão que podemos chegar é que, para renovar o público, as editoras fazem o que podem ao colocar os heróis em situações cada vez mais complexas e inusitadas. Tentam manter uma linha básica de reconhecimento (no caso do Aranha, seu verte cômica) , mas não podem privilegiar em demasia o amadurecimento. Nós envelhecemos e eles não morrem. Faz parte, gostemos disso ou não.

Uma visão heroica por este vosso escriba pode ser vista aqui.

King

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