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Ou a técnica de fazer “um” virar o  “infinito”…e ganhar dinheiro com isso!

Olá enxutos! Retomando nossa rotina de dissertações sobre a vida, a arte e o inútil, venho até vocês com algo que nos últimos anos vem enchendo a cabeça dos leitores. Os malditos Multiversos!

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No mundo real

Primeiro, vamos a definição científica, pura e clara: Existe a Teoria das Cordas, que prega a existência de partículas ainda menores que as moléculas, as Cordas, que vibram em sequências específicas. São essas vibrações que definem os formatos da matéria e da energia no Universo. Só que os cálculos sobre essas vibrações se mostraram imprecisos, e a única forma de explicar essas diferenças é através da existência não apenas de matéria ou energia diferentes, mas universos totalmente diferentes para elas. E assim temos múltiplos Universos. Se bem que eu prefiro a explicação da bola de gude do final de MIB

Nos Quadrinhos

Nos quadrinhos esse é um tema bem velho. Não é algo de 20 anos atrás, ele vem de mais tempo. Talvez a primeira menção a existência de Terras Paralelas nos quadrinhos tenha sido na clássica história “Flash of Two Words”, de 1961, Onde Barry Allen encontra Jay Garrick pela primeira vez. Depois disso, muitos encontros aconteceram, levando a Liga da Justiça e a Sociedade da Justiça a se esbarrarem, além de personagens da Fawcett Comics, e de outras editoras que iam sendo compradas e tinham seus personagens sendo “agregados” a editora.

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Com o aumento do portfolio de heróis, aumentou o número de histórias que não batiam por conta das tramas ou idades dos personagens (aquela velha questão de “como o Batman começou a lutar na década de 30, e continua jovem nos anos 70?”), e das várias questões editoriais e legais que envolviam esses novos personagens, em meado dos anos 80 surgiu a Crise nas Infinitas Terras, que tecnicamente “unificou” esses mundos, mesmo que com alguns erros ou incoerências. Mesmo assim,  depois da Crise essa situação de agregar novos mundos pôde ser vista com os personagens do Universo Milestone (Super Choque) e da Wildstorm (Authority e Wildcats). Ainda houveram eventos como Zero Hora, Crise Final, Flashpoint, e recentemente Multiversity, que trouxeram o conceito do Multiverso de volta a DC, que tecnicamente eram novas formas de arrumar o Multiverso da DC.

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Na Marvel isso foi mais gradual (mas não menos confuso) acontecendo dentro da própria editora, como o fato dos nove reinos da mitologia de Thor por si só poderem ser vistos como Multiversos, os mundos vistos nas aventuras do Capitão Britânia, Dias de um Futuro Esquecido, A Terra do Esquadrão Supremo, Marvel Zombies, Era do Apocalipse, Heróis Renascem,  Futuro Imperfeito, o Universo 2099, Ultimate, e recentemente, o Spiderverse.

Como podem notar, os Multiversos não são simples variações que possuem um conjunto de características distintas uma das outras. Na ciência real, o conceito do Multiverso é muito tênue. Ele pode ser algo bem simples, ou pode ter mudanças extremas. Uma Terra onde você seja do sexo oposto seria praticamente igual a nossa. Mas um universo onde as moléculas de oxigênio não tenham se formado por exemplo, seria…muito improvável de ser habitável… Ou uma terra onde Hitler ganhou a guerra, seria um caos social completo na nossa pequena civilização!

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Melhor versão alternativa para Segunda Guerra! Ever!

Como o “Multi”verso estraga o “Uni”verso?

Talvez pela mesma maneira que uma fofoca estraga a vida de alguém. Porque algum filho da puta resolveu se meter na vida dos outros. Nos quadrinhos, o conceito do multiverso geralmente ocorre por conta de um acidente (Barry Allen foi parar no mundo de Jay Garrick quando sem querer vibrou suas moléculas e entrou na sintonia de outra realidade) ou quando alguém resolve invadir o mundo dos outros (o primeiro arco de Authority era basicamente uma guerra entre realidades, onde mundos mais velhos atacavam e pilhavam mundos em desenvolvimento). Nesse contexto, mesclar terras diferentes consiste em criar uma força imbatível para o bem, ou começar uma grande tragédia!

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Clones chineses super poderosos com tecnologia trans dimensional! Viva ao comunismo! Não, péra…

Outro motivo para se utilizar um multiverso é a ameaça maior. Esse é o motivo principal por trás de Multiversity de Grant Morrison por exemplo, ao mostrar os Gentry, como a ameaça derradeira que quer infectar os universos através de histórias em quadrinhos. Sério. É isso mesmo. Quadrinhos são malignos. Largue essa hq. AGORA!

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A verdade oculta nessa hq é que nós somos os Gentry!

Em Secret Wars, nos é mostrado os Beyonders, e como eles são os “chefões da fase”, os mais poderosos seres do universo. E também como os heróis da o Universo Marvel 616 (o “oficial) tentam salvar a Terra destruindo outras Terras. Ou seja, os nossos heróis são assassinos de bilhões de vida. Parabéns campeões!

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“Doom. Pelos breves momentos que este, e outros universos ainda terão, crianças irão chorar ao saber o que aconteceu com você hoje” – Beyonders

Mas a questão é que o multiverso talvez tenha uma função um pouco mais nefasta, e que não tem muito, ou nada a ver com os roteiros: vender. Sim, vender. Porque assim eles são capazes de produzir 124 edições diferentes com o mesmo herói, milhares de tie-ins, e sempre usar a questão das Terras Paralelas para explicar erros ou incoerências na vida dos personagens!

– Mas o Superman não mata? Porque ele matou agora?

– Mas esse não é o SEU Superman! Esse é o SupermatadorMan, o assassino nazista da Terra 56800998, raiz de Pi. Ele veio da Kripton-Negativa-Reversa e enfrenta o único herói dessa Terra, o Bat(jayjay)man, o vigilante pobre e reclamão.

– AHHHHH TAHHHHH! Assim tudo bem, esse Superman pode matar então. Não é o MEU! Vou comprar uma edição só pela curiosidade! Massavéio!

Mais uma vez eu digo: a culpa é nossa….Bom, voltando…

Sejam quais forem as questões que envolvam um Multiverso, três coisas são fundamentais: Primeiro, ele sempre vai existir, porque é um recurso que faz parte do mito dos heróis. Segundo, quando você reclamar demais do seu personagem, ele logo sofrerá um reboot, e será transformado em algo que aconteceu em outro tempo, em outro lugar, em outra Terra. E finalmente, se a história é boa, realmente importa em que realidade ela acontece? Eu penso que não.

 

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Por um mundo com menos “Multiversity” e mais “Else Worlds”!

E assim encerro mais um bate papo. Espero que tenham gostado, senão, desculpem minhas opiniões de merda! E na próxima postagem, vou tentar refazer a cronologia dos X-men! Tô fudido!

E vou ali!