Olha só, na semana do lançamento do filme Mano de Estilo, eu fiz uma série de resenhas sobre diversas hqs do azulão. E essas foi uma delas que o UOL fez o favor de socar vocês sabem onde. Pois, bem, sem mais delongas:

Diferente dos pulhas do BdE que se tornariam babacas se tivessem super poderes, o Superman de várzea, Superman moleque é um cara altruísta que se preocupa com o bem estar dos outros. E, tocado (ui) por um acontecimento na noite de natal em Metrópolis, Kal El parte em uma de suas missões mais ambiciosas.

Lançada aqui no Brasil no longínquo ano de 1999, Superman – Paz Na Terra faz parte de uma série de histórias elaboradas pela dupla de dois – Paul Dini e Alex Ross – série essa que conta com Batman – Guerra ao Crime, Shazam – Poder da Esperança, Mulher Maravilha – O Espírito da Verdade, LJA – Origens Secretas e LJA – Liberdade e Justiça.

Well (King off), na história do Super, lançado em um formato enorme e péssimo pra guardar, Dini e Ross colocam o personagem em busca de uma solução para a fome mundial, um dos maiores problemas da nossa Umanidade. Então vamos a ela: cumprindo um rito de natal em Metrópolis, onde o herói monta a famosa árvore natalina gigante para milhares de pessoas, Superman se comove quando ouve uma menina qualquer desmaiar no meio da multidão. Logo em seguida, descobre que a mesma está sofrendo de inanição e a leva para um centro de ajuda aos sem moradia.

Comovido, Clark Kent começa uma pesquisa a respeito do assunto e, por fim, resolve tomar uma solução um tanto quanto drástica: intervir frente ao governo americano para que tenha o aval do mesmo para distribuir o estoque de alimento excedente do EUA para os necessitados do mundo em um dia. A contra gosto da grande maioria dos parlamentares, ele por fim consegue e parte em sua já derrotada missão. A partir daí, os autores levam o personagem em uma viagem ao redor do mundo, apresentando a ele e aos leitores os cantos mais pobres e miseráveis do planeta.

Contada pelo ponto de vista do personagem, é interessante perceber como até mesmo um semi deus ainda se espanta com o que há de pior em nossa sociedade. O espanto do Superman quando encontra lugares devastados por guerras civis, tiranos e ditadores, diferenças gritantes de distribuição de riqueza é muito bem escrito por Dini. Ainda que apresentados de forma superficial, é bem desenvolvido pelo autor as reações diversas dos povos, desde adoração cega até a completa descrença em seus atos.

No geral, a história é bem bacana e a intenção de Paul Dini (com colaboração de Alex Ross no argumento) é totalmente válida, porém, se formos pensar um pouco fora da caixa, não é de deixa de sentir um pouco de vergonha alheia pela simplicidade da trama. É de se pensar que, um personagem com os poderes de um deus como Superman que não limita seu raio de ação a uma cidade ou país, teria uma visão um pouco mais globalizada e contundente sobre o problema da fome no mundo. Pombas, um semi deus que tem como alter ego um repórter só se toca (ui) sobre a fome quando ele percebe uma qualquer desfalecendo na noite de natal? Pô, o cara não mora em uma grande metrópole? Ele não conversa com o Bátema e vê os pobrema de Gotham? O cara é a porra de um repórter, catzo. Ou ele é responsável pela coluna de fofoca do Planeta?

E outra coisa, não deixa de ser tacanho o pensamento dele em distribuir comida para a população carente do mundo em um dia apenas. Sim, ele percebe a pequenez de seu ato em uma cena deveras comovente da história mas, sério, o que diabos ele tentou fazer com isso? Dar uma massageada no seu ego? Olha, eu tentei e fiz o meu melhor mas esse problema está além até mesmo dos meus poderes. Porra Dadá, óbvio que a raiz do problema da fome é muito mais funda do que apenas má distribuição dos alimentos. Problemas culturais, sociais, políticos, econômicos, educacionais, etc etc etc etc são muito mais amplos e extensos, que mexem com estruturas centenárias de poderes que creio que apenas se o Superman se tornasse o Plutoniano ele conseguiria resolver. Ou não.

Volto a frisar: a intenção dessa HQ é realmente boa mas peca por pensar pequeno demais.

E na arte, Alex Ross manda bem demais. Sim, é totalmente fotográfico e foge dos desenhos habituais mas de forma alguma isso é um demérito. Sua arte funciona para a proposta da HQ ainda mais alinhavada ao formato lançado.

No geral, vale sim a lida e até a compra se você encontrar em algum sebo por um precinho camarada mas nem de longe é uma lida obrigatória da vasta cronologia do azulão.