19_CASANOVA_4

Ficção científica, espionagem, viagens no tempo e peitinhos. Tudo isso mergulhado em psicodelia. Tem como não gostar?

“Bem-vindo ao mundo de Casanova! Cornelius, seu pai, é o diretor supremo da I.M.P.E.R.I.O., uma força-tarefa internacional que mantém brutalmente a paz e a ordem por toda a Terra. Sua irmã gêmea, Zephyr, é a principal agente da I.M.P.E.R.I.O. e investiga uma perturbação no tecido do continuum do tempo-espaço.

Todo o planeta está sob a jurisdição da família Quinn; toda lei é cumprida por sua vontade. E Casanova Quinn pretende destruir todos eles ao mesmo tempo”.

Quando comecei a ler Casanova: Luxúria, não sabia exatamente o que esperar. A sinopse apresentada na revista não deixa bem claro do que se trata – tirando o fato de que teremos espionagem e viagens no tempo – e Matt Fraction consegue fazer algo novo e diferente no meio desse mar de mesmice que os quadrinhos vivem.

casanova02

Matt Fraction começa a história com daqueles típicos roubos de cinema, onde um ninja se move nas sombras em uma base, à procura de um artefato – no melhor estilo Gatuno ou Gata-Negra – na realidade não é bem um artefato e sim uma consciência cibernética que está em um corpo de uma ciborgue fogosa (sim… HEAUHEUAHAUE). De repente somos transportados diretamente para o enterro da irmã gêmea de Casanova Quinn, o protagonista da série. A partir daqui começamos a entender à partir de flashbacks e flashforwards (acostumem-se com isso, às vezes é meio confuso) o porque da morte de Zephyr.

casanova003

Gabriel Bá nos brinda com um traço excepcional. É incrível como esse cara vem melhorando com o passar dos anos, o traço dele em Umbrella Academy não é o mesmo de Daytripper que não é o mesmo de Casanova; parece que ele está sempre se reinventando e tentando ver o que funciona mais em cada história. Acompanhado do ótimo traço dele, temos as magníficas cores de Cris Peter que fecharam como uma luva para a história, ela conseguiu fazer algo muito psicodélico, o que só aumenta a sensação de “puro ácido” que a HQ impõe. Ao final do encadernado, inclusive, Cris conta que Bá selecionou um número limitado de cores para ela usar em Casanova, o que só deixa mais claro que os caras entraram nesse projeto pra fazer algo diferente, algo notável.

casanovaavaritia1d

Como foi dito lá em cima, Casanova é recheado de viagens no tempo e flashbacks, flashforwards e esse tipo de coisa. Vou ser bem sincero, em certos pontos eu precisava ler e reler mais de uma vez as mesmas coisas para entender o que estava se passando; acho que isso funcionou comigo, me dando mais vontade de ficar catando referências. Pra galera que não curte muito isso, a leitura não vai ser muito agradável porque a história é bem confusa em certos pontos, te obrigando a ler e reler e re-reler…

luxuria11

Matt Fraction claramente usa das mesmas substâncias psicotrópicos que Grant Morrison – sério, às vezes eu ficava chapado só de ler a revista – mas nos trás uma história com um mix inacreditável de referências, do super-herói passando por robôs mulheres e mulheres em trajes mínimos ou sem eles, até Exterminador do Futuro e outros elementos de ficção científica.

Leitura mais do que recomendada, mas esperem alguma promoção porque o encadernado da Panini Books, apesar de muito bem acabado, está meio salgado.

Nota 8 de 10.

Resenhas sobre quadrinhos, filmes, jogos, música ou qualquer outra coisa? Mande para obailedosenxutos@gmail.com e seja enxuto!