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Um bom herói não precisa ser necessariamente bom…

Olá enxutos! Faz um bom tempo que não falo nada de mangás, então vou tentar fazer dessa sessão algo mais frequente. Existe uma afinidade de mangás, de todos os temas e gostos. Então resolvi indicar o que ando lendo, que não é necessariamente muito famoso, mas que pode quebrar um galho na hora que as rusgas entre Marvel e DC encherem o saco! e por isso lhes apresento essa historia que pega um tema batido e lhe dá uma nova roupagem. Eis TATE NO YUUSHA NO NARIAGARI, ou Rising of the Shield Hero.

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Tate no Yuusha no Nariagari / The Rising of the Shield Hero foi uma web novel (série de livros ou contos publicados diretamente para o meio digital)  escrita por  Aneko Yusagi, e fez tanto sucesso que foi adaptada para um mangá desenhado por  Aiya Kyuu e  publicado pela MF Books. A história se foca em Iwatami Naofume, um jovem universitário sem dinheiro, que ao ir à uma biblioteca pública escolhe aleatoriamente um livro chamado “As armas dos santos heróis”. Ao abrir o livro, achando que se tratava de uma fantasia, ele se vê transportado para um mundo mágico, junto com outros três jovens. Lá eles são tratados como salvadores lendários. Mas tudo muda em um instante quando Naofume percebe que esse mundo é como um grande jogo online, com o direito a poder ler seu status em uma tela.

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Até aí tudo bem, parece que já vimos essa história em outros animes, como Magic Knigth Rayearth ou Sword Art Online, só que as coisas ficam bem complicadas para Naofume ao perceber que ele foi escolhido para ser o Shield Hero, e por não ter possuir nenhum poder ofensivo, isso faz dele pouco popular, e assim sem a menor chance de montar um grupo de seguidores para ajuda-lo a se fortalecer.

Um escudo não é uma arma? Garoto, você é um bosta!
Um escudo não é uma arma? Sabe nada inocente!

Esse mundo é atacado por levas de monstros, as “Waves”, e os Heróis são os únicos com poder para derrota-las. Infelizmente, não lhes é permitido usar nenhuma outra arma além das suas. E com um escudo, é meio impossível vencer alguma luta. Tudo conspirava para ele se dar muito mal, quando uma bela jovem chamada Sofia resolve lhe acompanhar. Sua sorte parecia melhorar, mas no dia seguinte a situação piora. Ela rouba seu dinheiro, lhe acusa de tentar assedia-la, e ainda parece estar sendo apoiada pelos outros heróis. Fica evidente que tudo não passa de uma trama deles para roubar seus pertences e tesouros. Desse dia em diante, Naofume é renegado pelo Rei, que decreta que seu crime deve ser conhecido em todos os cantos do mundo. E assim ele terá que evoluir sozinho, tentar provar que não é um molestador de jovens, além de buscar vingança contra os outros “heróis”…

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Já da pra ver aí que esse mangá tem uma pegada bem diferente. Imagine um daqueles jogos online onde você encontra todo e qualquer tipo de gente filha da p%t@, que vão fazer “montinho” em alguém e roubar seus itens, que vão sacanear jogadores novatos, que vão se entrar em uma guilda e depois trair todos os outros jogadores. Quem já jogou Ragnarok Online, DOTA, ou World of Warcraft sabe bem como é.

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Não liguem para mim aldeões. Essa é só minha armadura alada +3000 de porpurina, feita pelo mago Bornaiselus!

Rising of The Shield Hero é um videogame transformado em quadrinhos, com todas essas sacadas e situações inusitadas. Como Naofume agora é um proscrito odiado por todos acaba tendo que se arranjar como pode, afinal, ele não pode usar armas, e ninguém vai lutar ao lado dele. Com o tempo, ele vai virando mais e mais filho da puta, se importando cada vez menos com os outros e abraçando esse lado de “vilão” que lhe acusaram ser. Como diz o ditado, se você está no inferno…

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Para sobreviver, ele chaga a comprar uma escrava, Raphtalia, e usá-la para matar monstros em seu lugar e evoluir. Pois assim como em um jogo, quando ela mata algo, ambos ganham experiência.

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Mas com o tempo, seu relacionamento com ela muda, se importando e até mesmo à protegendo (ainda mais quando ela se transforma em uma jovem mulher da noite pro dia, uma característica de sua raça “semi-humana”). No fundo, Naofume não é mal, mas pela maneira como é tratado, ele escolheu não confiar em ninguém e se comportar como um malfeitor para inspirar medo e afastar os outros. Mas Raphtalia consegue ver o melhor nele, e é lógica que a relação dos dois começa a se desenhar de um jeito bem previsível.

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Resumindo a história. Tudo nesse mangá segue os conceitos de um jogo de rpg online. A questão da evolução, a relação do personagem principal com seus aliados e até mesmo como ele lida com os npcs é focada nisso. O mais interessante em Rising of The Shield Hero, é que  por não ser visto como um herói, Naofume não tem os mesmos privilégios e regalias que seus “colegas”, e passa a andar e interagir com as pessoas pobres, enquanto seus outros colegas só querem saber de evoluir e ganharem mais seguidores como típicos jogadores “hack n`Slash”, que só se importam em pegar aquele item que causa 100.000 de dano. E conforme sua relação com as pessoas comuns vai se intensificando, e ele passa a protegê-las, muitos passam a vê-lo de maneira mais heroica que em comparação com os outros santos.

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Phiro, Raphtalia e Naofume. Porque todo herói de videogame precisa de uma menia com orelhas de bichinho como parceira, e uma galinha gigante como montaria!

Ele passa à aceitar trabalhos simples, vender e trocar itens e poções, agindo cada vez mais como alguém que está “vivo” naquele mundo, enquanto os outros são imprudentes e só querem matar os inimigos e ganhar fama com isso, mesmo que isso signifique destruir um vilarejo inteiro ou espalhar uma doença por causa da carcaça do dragão que foi morto e deixado para trás.

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Com uma arte bem limpa, uma trama simples de entender e bem familiar para jogadores de rpg, este é um mangá  divertido de se ler. A relação de Naofume e Raphtalia, é algo bem familiar nesses cenários, sem falar com os outros aliados que aparacem, dando ao mangá ares dos jogos da geração 16 bits, como Secret of Mana, Ys e Breath of Fire. Eu recomendo a leitura, seja para quem já jogou ou joga esse tipo de game, ou pra quem quer curtir um bom manga.

Dou uma nota 9,0, ainda mais porque joguei “Breath of Fire II” de novo por causa desse mangá!

Nas importadoras mais próximas da sua casa! E vou ali!