O Aranha Afrodescentinho agora no 616!

Salve, salve cambada de Enxutos e Enxutetes aracnídeos. Você elegeu, então vamos saber como anda a vida do Miles Morales pós-Guerras Secretas e fim do Ultiverso. Sigam-me os bons

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Aos spoiles, mas menos do que uma resenha habitual, haja vista a quantidade de edições sob análise. Tudo começa na ‘nossa’ Nova Iguaçu Iorque, onde Miles Morales, aka Aranha Neguin Afrodescendentinho se defronta com o Coração Negro, filho do Mephisto. Sem muitas explicações, o vilão derrotara os Vingadores e o Aranha é o último em pé.

Corta para a 18. Fazendo uso de flashbacks, é explicado como é o momento atual do Miles e seus problemas. Solteiro, leva toco de uma mina por não conseguir chegar em tempo hábil para um encontro, sofre com a queda de rendimento escolar, fato este que faz sua mãe ficar fula da vida com ele, além, é claro, da dificuldade em conciliar a vida estudantil com o vigilantismo. Por intermédio destas situações, chegamos ao confronto com o Blackheart.

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No caminho o jovem salva pessoas e chega no momento em que o bucha Sam Capitão Wilson é derrotado. Ao enfrentar o demo, Morales acaba levando a melhor por conta do ‘venom’, aquele eletrochoque que possui. Para apimentar a ‘relação’, eis que o ‘original’ Aranha Stark aparece. Inicialmente com uma lição de moral sobre os perigos envolvidos, dando a entender que iria recapitular o apoio que dera anteriormente para o moleque se tornar o Homem Aranha. Entretanto, quando o Coração Negro volta e surpreende Tony Parker, cabe ao Morales novamente derrotar o vilão, agora o enganando com a invisibilidade. Enfim, solucionado esta questão, Parker Pinga re-reconsidera seus atos e novamente dá as bênçãos a atuação do jovem.

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Vida que segue, o moleque volta para o quarto que divide com o seu BFF Ganke. Lá, descobre que sua maior fã é uma vlogger e esta divulgara imagens do confronto que tivera com o Coração Negro. Mas o fato relevante é que, por ter parte de seu uniforme destruído, descobre-se a tonalidade de sua pele, ‘lacrando’ a internet com este assunto. Entrementes, reportagens na tv chamam a atenção para o novo Homem Aranha e o potencial impacto que poderia trazer chamando a atenção de vilões das antigas do cabeça de teia, fato este corroborado pela Gata Negra ter sua atenção voltada para o Flameguista Aranha.

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De volta a vida normal, Miles é chamado a atenção por sua mãe e, para ajudar na cobrança, chama a vovó Morales que desconfia do neto ao ponto de achar que estaria envolvido com drogas. Este plot familiar permite descobrirmos que o papis Morales ainda conhece a identidade secreta do filho e, dentro do possível, o defende. Apesar do relacionamento com a sogra não ser dos melhores…

Além disso, há de se saber que Ms. Marvel conhece a identidade do jovem, indo inclusive a seu apartamento de forma escondida, mas Morales não sabe quem ela é. Da mesma forma, Bombshell ainda ‘existe’, sendo apenas uma amiga de outra escola para seus parentes (neste caso, ambos sabem de suas respectivas identidades).

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Encerrando. A Gata Negra decide contratar o Cabeça de Martelo para capturar o Aranha Rubro-Afrodescendente. Entrementes, Fabio Media, aka Goldballs (ex-X-Man), entra na escola de Morales e Ganke, fanboy do cidadão, força a barra e revela a identidade secreta do herói para o mutuna. Por conta disso, rola uma forte discussão entre os dois e, quando Miles sai do refeitório e vai espairecer sua cabeça de teia pela cidade, acaba sendo alvejado por mísseis teleguiados, sendo capturado pelo Cabeça de Martelo.

Martelo

Goldballs acaba indo morar no mesmo quarto que a dupla, apesar de tudo, e ambos descobrem pela vlogger da internet que o Aranha fora capturado. Ganke corta um dobrado para tentar despistar a mamis Morales sobre onde está seu filho, quando esta liga para ele. Por conta disso, vovó Morales decide contratar uma detetive particular para descobrir o que efetivamente está acontecendo com o neto.

Por fim, no esconderijo, Martelo e Gata Negra descobrem nada sobre quem é o moleque, mesmo usando as digitais e a tecnologia disponível para identificar a sua identidade. Logo especulam ser algo relacionado a SHIELD. Morales acaba acordando e consegue escapar e, com algum custo, consegue capturar os jagunços da Gata, mas não a vilã.

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Em rápida passagem com a Diretora Hill, descobrimos que Papis Morales retornou para a SHIELD.

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Por fim, bandidos levados a delegacia no style Aranha e o moleque volta aos amigos, perdoando Ganke pelo acontecido. Entretanto, alguém os vigia ao longe…

Jessica Jones

Vamonos as análises. Sarah Pichelli segura o lápis enquanto Justin Sponsor colore. Há tempos não via mais o trabalho de Pichelli e, com grata surpresa, noto que o padrão de qualidade permanece. Ainda peca um pouco nas expressões repetitivas, em especial, aquela com o resto ligeiramente baixado e boca aberta, mas isso são apenas detalhes de um velho chato e reclamão. Em linhas gerais, um pouco abaixo do que já a vi fazer, mas ainda sim um colírio aos olhos. Vale folhear o seu trabalho, com certeza.

E lá vamos nós novamente com o Bendis e o seu ‘lugar seguro’ para a escrita. Confesso que sou fã do Aranha Afro desde o início e, mesmo assim, causou-me estranheza e desconforto esta sua vinda para o 616. Nitidamente não faz muito sentido, mesmo dentro do contexto de realidades fuNdidas atualmente vigente na Marvel, termos dois Homens Aranha. Ok, temos até mais versões do mesmo, vide Spider Gwen, Miguel, Mulher Aranha, Silk, Venom…. e lista não termina.

Entretanto, sei lá, estando no Ultiverso, parecia auto-contido na própria realidade, um mundo a parte. Ao vir para o ‘nosso’, a coisa realmente sai do contexto e parece-me mais uma questão de ‘cotas’ e a popularidade que o personagem atingiu. Por sinal, em dado momento, na própria hq, Bendis explora o ponto de forma interessante: a variedade multicultural, racial e sexual dos principais heróis da Marvel atualmente, vide a ThorA, Ms. Marvel, Capitão Negão e o próprio Morales que, além de afro, é latino. Há uma conversa sobre inclusão, não só racial, mas usando a voz de Ganke, o autor expressa o como o preconceito existe para os imigrantes, gordos, latinos e que tais nos USA (e não venham me dizer que aqui na terra do Tio Temer não existe)….

E aí o sentimento dúbio sobre a hq novamente aparece. Com Bendis na sua zona de conforto, a história flui, leve e interessante. Logo tu esquece (ou ignora mesmo) o passado do personagem no mundo Ultimate, assim como o mesmo fez com sua vida pregressa, e acaba se envolvendo novamente com o herói.

Difícil ser isento e imparcial em uma análise destas. Claramente, este Aranha vem suprir a necessidade que o Aranha Ultimate viera para atender: moleque jovem, com vida mundana, tendo que lidar com o lado heroico e seu dia a dia. Pichelli ainda ajuda inserindo passagens cartunescas, idênticas a animação Ultimate Homem Aranha, que representam o quando o personagem título está pensando em alguma situação qualquer.

Enfim, droga, eu acabei curtindo…..

Nota 7,5 de 10

E a enquete da semana!!!!