Esse post era pra ter saído na última semana de dezembro de 2019. Mas se liga aí que eu te conto o que aconteceu.

Eu comecei a escrever esse post no trabalho (porque não) e burramente eu não salvei na nuvem. Aí tirei uma semana de férias e o trampo entrou em recesso durante a semana do natal / ano novo. Aí voltei em janeiro e desde então eu venho trabalhando que nem o King, sem tempo nem de responder a patroa no zap zap e o texto acabou jogado numa pasta escura no meu computador laboral. Enfim, antes tarde do que nunca.

Discos? WTF?

Enxutos, 2019 praticamente acabou. Entrando na reta final do ano e com todos os lançamentos do bom e velho Rock n´Roll no mercado, este que vós escreveis vem lhes apresentar a nata lançada esse ano. E como sempre é bom explanar que listas são absolutamente pessoais então caso você discorde da minha, tá tudo beleza. Outra coisa: para quem frequenta essa josta sabe que meu estilo de música favorito da vida é o révi metau redi bengui trevoso from hell então não, não tem o último lançamento do BTS nem algo que o valha. Outra: como nosso webmaster é o Majim e ele agora é um mega empresário badass modafoca, tem um erro bizarro no nosso site que não aceita colocar mais de um vídeo no blog então toda amostra dos discos estão com link direto pro vocêtoba linkado na capa. Só clicar lá e se relaxar. E por último, está por ordem de lançamento e não de preferência mas o meu top três tá em vremeio.

01 – King Diamond: Songs For The Dead Live – 25/01

Esse lançamento não tem nada de novo (por sinal, são shows gravados em 2015 / 2016) mas estamos falando de King fodendo Diamond, um dos mais clássicos casos de ame ou odeie (sim, não tem meio termo) do heavy metal mas já adianto que se você não gosta, você é dodói da cabeça. Aos 63 anos, Kim Bendix Petersen (pros mais íntimos) continua a todo vapor, obviamente com menos shows e viagens, principalmente depois da cirurgia cardíaca.

Falando sobre o disco, Songs reúne dois DVDs (Live at The Fillmore in Philadelphia, PA – 25/11/2015 e Live at Graspop Metal Meeting – 17/06/2016) e um disco (o mesmo show de Filadélfia) e como não podia deixar de ser, reúne os grandes clássicos do velho rei. São 18 faixas sendo que da 9 à 17 é o disco Abigail na íntegra e meus amigos, que coisa foda. Setlist impecável, banda afiada e o mestre do falsete sendo o bom e velho King que vale de sempre. Ah, em novembro ele lançou uma música inédita (Masquerade of Madness) depois de 12 anos sem nada novo e talvez esse ano saia um disco inédito.

02 – In Flames: I, The Mask – 01/03

Acho que eu cheguei a comentar aqui no BdE algumas vezes sobre o In Flames, uma das minhas bandas favoritas. Junto com Dark Tranquillity e At The Gates, IF foi um dos precursores do death metal melódico, estilo que junta a agressividade do death com a melodia de um heavy mais tradicional. Porém, em 2002 a banda errou a curva em Albuquerque e mudou o estilo, indo para um lado mais rock, meio metalcore (eu sinceramente não gosto de rótulos estilísticos) que desagradou um tanto de gente (metaleiro é babaca que nem nerd). Nessa nova levada, a banda lançou alguns discos mais ou menos como Reroute To Remain (o primeiro da nova fase) e o pior de toda a discografia da banda, o Soundtrack To Your Escape, alguns com uma pegada mais agressiva (Come Clarity) e outros tantos mais balanceados entre essas vibes. Nessa categoria entra I, The Mask, 13º disco de estúdio e que segue a mesma linha dos anteriores: guitarras precisas entre o melódico e o agressivo, cozinha (baixo e bateria) consistente e Anders Friden mesclando bem vocais limpos com os rasgados. Um dos meus top 3 do ano.

03 – Rammstein: Rammstein – 17/05

Quase 10 anos depois do último lançamento, os polêmicos alemães voltam com o 7º disco de estúdio. Navegando entre o som característico da banda (guitarras com baixa afinação e riffs pesados, toques eletrônicos e teclado marcante) e flertando com algumas composições quase pop, o álbum auto intitulado é um passeio pela discografia da banda, apresentado o melhor dos seis anteriores. Algumas faixas se destacam, principalmente as que viram clips e entre esses, Deutschland com sua produção embasbacante. Agrada os fãs de longa data (apesar de, no contexto geral, não ser um disco espetacular) e é uma boa porta de entrada para novos fãs.

04 – Slipknot – We Are Not Your Kind 09/08

5 anos depois de .5: The Grey Chapter, um disco que assim como The Nothing (lá para baixo eu falo mais desse disco), lida com perda, depressão e morte (nesse caso o de Paul Gray, baixista e um dos fundadores da banda) o Islipikinoti volta com seu sexto filhote de estúdio, dessa vez de volta com nove cabocos (no disco anterior, a banda estava sem baixista e o baterista Joey Jordison fora demitido em 2013). Assim como Fósforo ali em cima, WANYK faz uma passeio por todos os discos anteriores da banda, mostrando um pouco de tudo: temos músicas agressivas lideradas pelas guitarras de Mick Thomson e Jim Root, levadas lisérgicas, toques eletrônicos / pop e canções mais “leves”, tudo isso capitaneada pela excelente voz de Corey Taylor, um cantores mais competentes do cenário atual. Alessandro Venturella e Jay Weinberg apresentam trabalhos sólidos no baixo e bateria, respectivamente e, por mais que WANYK não seja um disco impactante como os anteriores, é extremamente competente.

05 – Killswitch Engage: Atonement – 16/08

Oitavo lançamento da carreira dos americanos, o KsE segue a máxima “em time que está ganhando não se mexe”. Por conta disso, a banda segue lançando o mais do mesmo desde… Bom, sempre. Não que isso seja ruim visto que Adam Dutkiewicz e companhia são muito competentes no metalcore, gênero que mistura o heavy metal com hardcore e punk, que compõem. Dito isso, Atonement apresenta 11 ótimas canções que conceitualmente abordam sobre a vida: romances fracassados, positividade, sociedade, dilemas pessoais, felicidade, tristeza, etc.

06 –: Tool: Fear Inoculum – 30/08

E já que o Rammstein lançou um disco novo depois de quase dez anos, o que dizer do “alien rock” do Tool, 13 anos depois de 10,000 Days (28 de abril de 2006), hein? E entre entraves de criação, agendas conflitantes e problemas legais que afastaram Maynard James Keenan, Adam Jones, Justin Chancellor e Danny Carey do estúdio, quando eles lançam um disco novo, mais de uma fodendo década depois, parece que eles estão tocando juntos desde sempre e lançam essa coisa fodástica chamada Fear Inoculum, com a mesma pegada de sempre: músicas longas, progressivas e meio psicodélicas, cheia de clima, viradas e ambientações. A voz de James Keenan continua exatamente a mesma coisa, assim como a guitarra de Adam Jones e a cozinha de Chancellor e Carey. Uma verdadeira viagem no tempo.

07 – Korn: The Nothing –  13/09

Meu Jesus balançando a cabeleira, que coisa mais sensacional. Mas estou me adiantando. Korn nasceu em 1993, no auge do “movimento” new nu metal. Aulinha de música pesada: nu metal foi um estilo criado nos anos 80/90 que mesclava o heavy metal com outros estilos completamente díspares como hip hop, funk, música eletrônica, grunge e o que mais você quiser. Isso abriu as portas pra nego artista despirocar e criar bandas e músicas completamente diferentes de tudo que havia até então no cenário. E, obviamente, desagradou a galerinha blasé do metal tradicional que, como eu disse acima, é preconceituosa ao extremo. Ainda sobre o Nu Metal, Faith No More, Primus, Helmet, Fear Factory, Suicidal Tendencies, Nine Inch Nail, Tool, essa galera toda garibada surfou nessa onda de compor o que desse na telha sem se ligar ao estilo e foram os precursores da parada lançando discos icônicos como Sailing The Seas Of Cheese (Primus1991), The Real Thing (Faith No More1989), Demanufacture (Fear Factory1995), Meantime (Helmet1992) e por aí vai. A lista é grande.

Voltando ao Korn, na Califórnia em 1993 nascia uma banda que fazia um som extremamente pesado e cheio de pitadas de outros estilos na mistura. E 26 anos depois eles lançam seu 13º disco de estúdio chamado The Nothing e minha mamãe do céu, que disco F-O-D-A. Conceitualmente pesado, as letras foram escritas pelo vocalista Jonathan Davis durante seu processo de luto pela perda da esposa no ano anterior e musicalmente a banda vem se superando lançamento após lançamento e na opinião fecal deste que vós escreve, The Nothing entra em um top 3 de melhores da carreira deles.

08 – Borknagar: True North –  27/09

Eu acho que já comentei sobre o Borknagar em algum post ou podcast mas eu tô com preguiça de procurar. A banda nasceu em 1995 na Noruega criada pelo Sr. Oystein Garnes Brun e True North é seu 11º lançamento de estúdio e se eu rasguei o verbo para falar de The Nothing, eu poderia escrever parágrafos e parágrafos sobre o Borknagar. Misturando rock progressivo, folk e uma pitadinhas de black metal, os noruegueses talvez sejam uma das bandas com lançamentos mais concisos que consigo me lembrar. Não há um disco sequer com qualidade regular na discografia da banda. Obviamente uns são melhores do que outros mas, de forma geral, os noruegueses tem no currículo onze preciosidades. Dito isso, True North marca o primeiro disco com Simen Hestnaes (Vortex para os mais íntimos) como vocalista principal desde seu retorno em 2010 após a saída de Andreas Hedlund (ou Vintersorg) que deixou a banda em 2019. Mas e como ficou os corais épicos e fuderosos da banda que eram criados pelos dois e o excelente pianista / tecladista Lars Nedland, você me pergunta. Bão, em True North a composição de vozes ficou a carga apenas dos dois e isso não fez a menor diferença porque o décimo primeiro filho é uma coisa absurdamente maravilhosa que, fácil fácil integra meu top 3 de 2019.

09 – Of Mice And Men: Earthandsky –  27/09

E falando sobre vocais, bora falar sobre o 6º lançamento de Of Mice And Men, segundo com o baixista Aaron Pauley mandando ver no gogó também. Depois da saída de Austin Carlile em 2016, os também californianos upgradearam Pauley como main vocalist da banda criada em 2009. Pauley já cuidava dos backing vocals e para o quarteto, foi um passo natural para ele assumir a posição de frontman.

Earthandsky é seu segundo lançamento como cantor (o anterior Defy foi lançado em 2018) e é nítida a confiança de Pauley em sua voz, aparentando estar mais confortável como vocalista. Sobre o disco, E&S não foge do padrão de Of Mice And Men: músicas agressivas misturadas com algumas composições pontuais mais lentas, quase pop de refrão grudento, vocais limpos e rasgados e um ótimo trabalho instrumental apresentado pelo quarteto.

10 – Slayer: The Repentless Killogy – 08/11

Mais um caso de disco ao vivo sem nada de novo mas, ei, é o fucking Slayer.

Gravado em 05 de agosto de 2017 em Los Angeles, The Repentless Killogy é a turnê de despedida do quarteto californiano (eu me recuso a ver Gary Holt como músico convidado) que ainda roda o mundo prometendo ser a finalera da banda mais clássica do trash metal de todos os tempos. Composta de 21 faixas que compreendem toda a longeva carreira da banda, o disco destila clássico atrás de clássico e nessas de ir pro trabalho, leva e traz moleque na escola, vai no mercado, etc etc etc, eu escutei PÁ CARALEO esse disco berrando nos falantezinhos mequetrefes do meu carro. É um disco ao vivo foda, muito foda e eu não tenho mais nada a dizer sobre isso. Ah, tenho sim: Paul Bostaph >>> Dave Lombardo.

Ano que vem eu faço outro postE. Tchau.