Sim, dois trailers do mesmo filme!

E, inesperadamente, a Fox soltou mais um trailer de X-Men – Fênix Negra (X-Men: Dark Phoenix, 2019), que conta mais da origem de uma das mais trágicas personagens da cronologia mutante:

Alguns dias antes, o estúdio colocou no ar este trailer:

Embora anime um pouco em relação ao primeiro, este ainda me deixou com um pé atrás. Acho que não será desta vez ainda que uma das melhores histórias mutantes de todos os tempos terá uma adaptação digna no cinema. E apoio minha opinião em alguns pontos.

Pôster, ainda com a antiga data de estréia do filme. A nova data é 7 de junho.

Em primeiro lugar, o equívoco de dar – outra vez – um desnecessário destaque à personagem Mística, muito por conta do apelo que sua intérprete – Jennifer Lawrence – possui na indústria. É um problema antigo em outras produções: um ator que ganha destaque passa a tecer exigências cada vez maiores para seu personagem, à ponto de desvirtuá-lo ou tirá-lo de um contexto onde fazia sentido dentro da franquia. Na primeira trilogia com os X-Men, a Fox enfrentou este problema com a atriz Halle Berry, que fazia a Tempestade e entre os dois primeiros filmes mutantes ganhou um Oscar, passando a reclamar um espaço imerecido para sua personagem dentro das tramas. Mística já pareceu deslocada no filme anterior e aqui não parece melhor. Perdemos uma vilã interessante sem, no entanto, ganhar uma heroína relevante (na verdade, é bem chatinha). Ela parece cada vez mais forçada dentro do elenco (e sua maquiagem piora terrivelmente de filme para filme). E seus “anos perdidos” – os períodos entre cada filme da franquia – ficam cada vez mais sem sentido – só pra citar um exemplo, ela estaria ou não salvando seu próprio filho em X-Men – Apocalipse (X-Men: Apocalypse, 2016)?

“Coloca aí no meu contrato: maquiagem em no máximo quinze minutos!”

Outro equívoco gritante é insistir em um personagem que, definitivamente, não cai nas graças do público cinéfilo: o Ciclope há anos que é um peso morto nos quadrinhos (ganhou um certo destaque uns anos atrás ao se tornar uma versão pobre do Magneto) e levou toda a sua falta de apelo para as telas. É a terceira vez que insistem com o mutante de visor quartzo-rubi no cinema e ele mantém o jeito sem graça e a sina de ter atores muito ruins (ou, pelo menos, fazendo um péssimo trabalho). Ah, e o fato de, assim como aconteceu com  James Marsden e Famke Janssen, o casal Sophie Turner e Tye Sheridan não ter uma gota de química não ajuda em nada.

“Não, essa cara de bost@ é dele mesmo, não o estou manipulando mentalmente para ele fazer isso!”

Voltando ao problema de “forçar”, não há o que Magneto (Michael Fassbender) estar fazendo aqui. Nem no último filme ele fez sentido. Todo mundo já deve estar cansado do chororô do personagem e seu eterno conflito “sou bom ou sou mau?”. Sem falar que ver a Jean procurar o Mestre do Magnetismo faz lembrar o que aconteceu no horroroso X-Men – O Confronto Final (X-Men: The Last Stand, 2006).

A coisa piora quando lembramos que, entre tantos personagens forçados, parece que teremos mesmo uma gloriosa ausência: Wolverine. A Fox assim abre mão, num momento delicado, de um personagem que, assim como nas hqs, cativou os fãs e se tornou o centro do universo mutante cinematográfico.

A personagem de Jessica Chastain também me fez perder um pouco o pique. Eu estava certo que ela seria Lilandra e traria finalmente o Império Shi´ar  para o cinema. Mas, pelo que interpretei do trailer, nada disso se confirma. Ou então a personagem sofrerá terríveis alterações. Já ouvi um boato de que ela, na verdade, será uma skrull disfarçada como a Majestrix Shi’ar, empenhada em tentar controlar a Força Fênix. Sinceramente, preferiria que, na verdade, ela fosse a Rapina se fazendo passar por sua irmã diante dos estúpidos humanos (e mutantes).

Rapina, a irmã de Lilandra, e seu look peculiar.

Por último, a bagunça que reina nos bastidores também inspira cuidados. Bryan Singer foi demitido do cargo de diretor e, assim, mais uma vez deixou escapar a oportunidade de contar a sua versão da Saga da Fênix Negra. Simon Kinberg provavelmente não tem a experiência necessária para carregar um filme deste tamanho, mesmo já trabalhando na franquia há um bom tempo. Refilmagens e adiamento da data de estréia também não são bons indícios, assim como rumores de que o filme foi malhado em algumas exibições teste. E a compra da Fox pela Disney fez com que o projeto perdesse importância, pois um novo reboot é certo, com a Casa do Mickey inserindo os pupilos de Charles Xavier no Universo Cinematográfico Marvel que se reinventará após Vingadores – Ultimato (Avengers: Endgame, 2019).

“Por favor, Mickey! Mais uma chance!”